Senado começa mal ao indicar tucano para relatar o golpe, afirma Humberto

 Líder do Governo protestou contra o fato de o relator do impeachment ser do PSDB e ligado a Aécio. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Líder do Governo protestou contra o fato de o relator do impeachment ser do PSDB e ligado a Aécio. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou nessa terça-feira (26), durante sessão de instalação da comissão especial do impeachment, a escolha do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) para ser o relator do processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff no colegiado.

“É mais um grave vício entre os tantos que tiram a total legitimidade desse processo, uma aberração jurídica desde que foi recepcionado pelo desavergonhado presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”, disparou.

De acordo com Humberto, é um absurdo e um escândalo que o partido denunciante da iniciativa contra a chefe do Executivo seja o mesmo que dará um parecer sobre a denúncia. O advogado Flavio Henrique Costa Pereira, coordenador jurídico nacional do PSDB, assinou o pedido de impeachment entregue na Câmara.

“O PSDB acusa e ele mesmo fará juízo de valor sobre a acusada. Isso é um erro que rasga todos os princípios básicos do Direito. Não houve qualquer pudor ou o mínimo de zelo pela isenção e pela imparcialidade nesse caso”, declarou.

O petista ressaltou que não há qualquer veto pessoal ao nome de Anastasia, “cujo saber jurídico é amplamente reconhecido”. Para o líder do Governo, o que há é a imoralidade de o ex-vice-governador de Aécio Neves em Minas Gerais, derrotado nas eleições presidenciais de 2014, conduzir um relatório do qual seu ex-chefe e o seu partido são partes diretamente interessadas.

“O voto do senador Anastasia na comissão do impeachment será o mesmo que ele deu nas eleições de 2014: contra Dilma e em favor de Aécio”, observou. Humberto chegou a sugerir outros nomes, com mais consenso, para relatar o processo na comissão do impeachment e a apoiar questões de ordem feitas por senadoras da base, mas não obteve sucesso.

O parlamentar acredita que o Governo e os parlamentares da base irão conseguir reverter alguns votos para “enterrar esse golpe” contra uma presidente honesta e legitimamente eleita pelo povo brasileiro.

“Não daremos trégua aos atropelos e aos desrespeitos para beneficiar aqueles que querem calcinar a lei para a satisfação de seus caprichos. Estaremos vigilantes para garantir a ordem constitucional e assegurar que, no final desse processo torpe, vença a democracia”, disse.

O calendário de trabalho da comissão ficou definido da seguinte forma:
- Nesta quinta-feira (28), será ouvida a acusação;
- Na sexta-feira (29), será ouvida a defesa da presidenta;
- Na quarta-feira (4), o relator apresenta o seu parecer;
- Na sexta-feira (6), o relatório será votado.