Senado erra ao aprovar intervenção militar de Temer no Rio, diz Humberto

Humberto: é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Reconhecendo a gravidade da situação da criminalidade no Rio de Janeiro e em todo o Brasil, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), lamentou a aprovação do decreto de Temer que permite a intervenção federal militar em território fluminense e deixa de fora outros estados que apresentam índices de violência mais elevados, como Sergipe e Pernambuco. Por 55 votos a 13, a medida segue para promulgação.

Humberto avalia que esse governo medíocre, sem qualquer planejamento, quer apenas utilizar uma das últimas instituições com credibilidade no Brasil, as Forças Armadas, para mudar o foco da impopularidade e da derrota com a reforma da Previdência.

Para o senador, o Rio e outras unidades da Federação, como Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará, precisam é da ajuda financeira do governo federal para enfrentar a insegurança e a violência. Mas uma medida drástica e de exceção como uma intervenção deveria ter sido bem planejada, discutida e usada apenas como último recurso disponível, e não como medida de marketing.
“Estamos diante de uma medida temerária, amadora, atabalhoada, equivocada, mal planejada, sem recursos definidos e olhando somente para um estado da Federação. Há um grave avanço da violência no país inteiro, e não somente no Rio de Janeiro”, reiterou.

“Como fica Pernambuco, que não tem recursos do governo federal para área de segurança pública? E qual o plano proposto para eliminar a corrupção policial no Rio, por exemplo? É uma jogada de marketing desqualificada. Os generais dessa intervenção foram dois conhecidos marqueteiros, que disseram a Temer para ir em frente, pois muita gente iria acreditar nisso”, complementou.

Segundo Humberto, é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral que pode expor a população do Rio à supressão de garantias constitucionais importantes. Ele citou a adoção de mandados coletivos de busca e apreensão com exemplo extremamente negativo, em que só os pobres serão prejudicados.

O líder da Oposição avalia que a intervenção serve como uma saída honrosa ao descarte da reforma da Previdência. Na própria reunião do Conselho da República no Palácio da Alvorada, realizada nessa segunda-feira com Temer e sua equipe, Humberto garantiu que não houve qualquer justificativa legal que embasasse a iniciativa.

Na frente do presidente e ministros, ele observou que não houve qualquer avaliação dos resultados de intervenções anteriores realizadas pelas Forças Armadas do Estado, especialmente nos complexos da Maré e do Alemão; e não se sabe quantos homens estarão envolvidos ou quanto isso vai custar aos cofres públicos agora.

“O que se vê claramente, por parte do presidente, é o uso político do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, para compor uma peça de marketing parida pelo Palácio do Planalto, com a finalidade de elevar o conceito desse detestado governo”, comentou.