1964

Relatório de Anastasia é como a ordem militar que deu início ao golpe de 64, diz Humberto

 Em votação nessa manhã, Humberto acusou o impeachment em tramitação de ser equivalente funcional do golpe militar. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Em votação nessa manhã, Humberto acusou o impeachment em tramitação de ser equivalente funcional do golpe militar. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Em defesa da democracia, da Constituição Federal e das conquistas sociais alcançadas nos últimos 13 anos, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), anunciou, de forma exaltada, seu voto contrário ao relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG), que pediu a pronúncia de Dilma Rousseff pela Comissão Especial do Impeachment. O relatório foi aprovado, nesta quinta-feira (4), por 14 votos a 5 e a pronúncia da presidenta será analisada, na próxima terça-feira (9), no plenário do Senado.

Para Humberto, o relatório do senador tucano, “que não conseguiu provar qualquer crime de responsabilidade cometido pela presidenta”, pode ser comparado à ordem dada pelo general Olímpio Mourão Filho para a 4ª Divisão de Infantaria do Exército de Juiz de Fora avançar sobre o Rio de Janeiro, em 31 de março de 1964, fato que deu início ao golpe militar.

“Infelizmente, estamos vendo uma repetição da história, farsesca como não poderia deixar de ser. Em 1964, sob o argumento de combater à corrupção e à tentativa de implementação do comunismo no Brasil, foi dado um golpe de Estado. O relatório do senador Anastasia, hoje, é o equivalente a essa ordem. Ele expressa a senha para um golpe, não com armas e soldados, mas sim em mais de 400 páginas”, afirmou.

O parlamentar lembrou que, depois da ordem do general, o país viveu 21 anos seguidos de “trevas, torturas, assassinatos e ataques à liberdade de expressão”. “Agora, em 2016, a repetição farsesca se justifica pelo combate à corrupção reclamado pelos corruptos e pelo combate à irresponsabilidade fiscal. As manchetes dos jornais naquele ano, inclusive, falavam em restabelecimento da democracia”, disse.

Para Humberto, o relatório contra Dilma se utiliza de tecnicalidades jurídicas para tentar justificar o injustificável. “Não há pedalada fiscal, como constatou a perícia do Senado e o Ministério Público Federal. Sobram os decretos, que jamais justificariam a retirada de uma presidenta da República”, registrou. De acordo com o líder do PT, escolheram Dilma como criminosa e, até agora, a busca é para identificar qual foi o crime cometido. “O ‘crime’ que Dilma cometeu é o mesmo que os presidentes anteriores cometeram”, comentou.

Humberto criticou ainda o fato de os acusadores de Dilma serem os mesmos julgadores da presidenta, com interesses diretos na sua substituição. Segundo ele, o processo contra ela no Congresso Nacional foi uma mera formalidade. “Estamos dando uma pedalada constitucional, passando por cima da Constituição do país, para atender um projeto político que não consegue vencer nas urnas, mas somente no Parlamento”, disparou.

O parlamentar diz duvidar que o plano econômico implantado pelo presidente interino Michel Temer (PMDB) seria aprovado pelos eleitores brasileiros, que inclui a privatização do pré-sal e de diversos órgãos públicos, a desvinculação do salário mínimo das aposentadorias, a terceirização da mão de obra no mercado de trabalho, as mudanças na CLT.

“Tudo em atendimento aos interesses da elite brasileira. Há um discurso mentiroso: acusaram Dilma de fazer farra fiscal. E o que Temer tem feito até agora? Propôs R$ 170 bilhões de déficit em 2016 e R$ 140 bilhões em 2017, fora a negociação para parar a dívida de estados. Isso não será facilmente superado nos próximos meses”, complementou.

O senador lembrou que o resultado favorável ao impeachment na comissão não foi nenhuma surpresa, pois já tinha conhecimento de que o colegiado foi formado com pessoas de juízo previamente definido.

Mas ele ressalta que, politicamente, os defensores de Dilma deixaram absolutamente claro, ao longo dos trabalhos, que o país vive uma farsa. “Estão processando uma presidenta sem nenhuma base jurídica sem nada que confirme que ela cometeu crime de responsabilidade”, disse.