Eduardo Cunha

“Cerco contra Temer se fecha e peemedebista está cada vez mais isolado”, analisa Humberto

Humberto: “O que a gente vê é um governo afundado em corrupção, uma economia em frangalhos e um presidente que nunca teve o apoio das ruas e que cada vez mais perde o suporte no Congresso Nacional. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: “O que a gente vê é um governo afundado em corrupção, uma economia em frangalhos e um presidente que nunca teve o apoio das ruas e que cada vez mais perde o suporte no Congresso Nacional. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Após prisão de mais um aliado do presidente Michel Temer (PMDB), o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), disse que a situação do presidente se complicou ainda mais. Para Humberto, Temer está perdendo força no Congresso Nacional e caminha para o isolamento e para sua saída do cargo.

“O que a gente vê é um governo afundado em corrupção, uma economia em frangalhos e um presidente que nunca teve o apoio das ruas e que cada vez mais perde o suporte no Congresso Nacional. Nem mesmo os partidos da base aliada do governo fecharam apoio contra a contra a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Aos poucos, os ratos começam a abandonar o barco”, disparou Humberto, lembrando que até mesmo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), começou a dar sinais de afastamento do peemedebista.

Geddel foi preso nessa segunda-feira (3), acusado de atrapalhar as investigações de Operação Lava Jato. Segundo o Ministério Público Federal (MPFR), o ex-ministro do governo teria agido para impedir delações de outros dois aliados de Temer: o ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro, ambos presos.

“A gente sabe que não foi por causa de pedaladas fiscais que tiraram uma presidente honesta e legitimamente eleita. Foi, como disse o próprio líder do governo Temer no Senado, para estancar a sangria, barrar a Lava Jato. Desde então, toda a movimentação desse grupo tem sido neste objetivo”, afirmou o senador.

Para Humberto, a pressão contra o governo Temer, que também tem sido sentida nas ruas tem surtido efeito. “A gente vê mobilizações permanentes contra Michel Temer. Por mais que neguem, a insatisfação popular com o governo e com essas reformas têm contribuído para o seu enfraquecimento. Mas também sabemos que só a saída de Temer não é suficiente. Temos que fazer eleições diretas para que o povo possa escolher o seu novo representante”, disse.

Humberto: “Rejeição a Temer mostra que seu governo é insustentável”

Humberto: O governo que aí está nunca teve a legitimidade. Emergiu de um golpe em que uma presidente eleita foi tirada do cargo por um crime de responsabilidade que não cometeu. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: O governo que aí está nunca teve a legitimidade. Emergiu de um golpe em que uma presidente eleita foi tirada do cargo por um crime de responsabilidade que não cometeu. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Pesquisas realizadas pelo próprio Governo Federal, na internet , revelam que a popularidade do presidente Michel Temer (PMDB) segue despencando. Segundo o levantamento, o peemedebista tem hoje cerca de 5% de aprovação. No Nordeste, a situação de Temer é ainda mais grave. Em alguma das regiões metropolitanas avaliadas em levantamento, a reprovação chega a 99%.

Para o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), a avaliação negativa de Temer se dá por diversos fatores. Entre eles, a forma ilegítima com que chegou ao poder até os inúmeros casos de corrupção que envolvem o peemedebista e sua equipe. Recentemente, Temer apareceu em gravação com o presidente da JBS, Joesley Batista, conversando sobre uma mesada para que o ex-deputado Eduardo Cunha (PDMB-RJ) ficasse em silêncio na prisão.

“Essa rejeição mostra que a situação de Temer é insustentável. O governo que aí está nunca teve a legitimidade. Emergiu de um golpe em que uma presidente eleita foi tirada do cargo por um crime de responsabilidade que não cometeu. De lá para cá, o que a gente vê é o País afundando casa vez mais numa crise sem fim e um presidente ilegítimo às voltas, a cada semana, com uma nova denúncia. Temer, ao assumir, disse que queria fazer um governo de salvação nacional, mas, ao que parece, não conseguirá nem ele mesmo se salvar”, ironizou Humberto.

Segundo o senador, também contribuíram para o cenário as propostas de reformas Trabalhista e Previdenciária. “Nunca projetos como estes passariam pelo crivo das urnas. Só um governo ilegítimo seria capaz de impor essa agenda de retirada de direitos dos trabalhadores. E o pior é que, mesmo se segurando nas cordas, ele segue tentando enfiar goela baixo essa agenda perversa. Mas a população se mantém em luta contra o governo Temer e sua política nefasta de confisco de direitos do trabalhador”, afirmou o líder oposicionista.

 

Humberto: Temer quer prejudicar milhares de trabalhadores com “terceirização irrestrita”

Humberto: Esse projeto vai prejudicar diretamente 13 milhões de trabalhadores que sempre tiveram seus direitos trabalhistas garantidos.Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Esse projeto vai prejudicar diretamente 13 milhões de trabalhadores que sempre tiveram seus direitos trabalhistas garantidos.Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

O Projeto de Lei 4.330, que autoriza a contratação mediante “terceirização irrestrita”, vai prejudicar milhares de trabalhadores. Esta é a avaliação do líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE). O governo Temer quer votar rapidamente essa proposta no Congresso Nacional.

A “terceirização irrestrita” do trabalho permitirá que as empresas subcontratem não apenas as atividades-meio, como ocorre atualmente, mas também suas atividades-fim. Hoje, quase todos os serviços auxiliares, como segurança e limpeza, já são contratados por meio de empresas terceirizadas.

A base aliada de Temer no Senado quer votar, com urgência, o PL que já passou pela Câmara Federal em abril de 2015, sob a gestão do ex-presidente cassado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e que permite a terceirização total de mão de obra.

“Esse projeto vai prejudicar diretamente 13 milhões de trabalhadores que sempre tiveram seus direitos trabalhistas garantidos. Não podemos deixar isso passar aqui no Senado. Vamos impedir essa irresponsabilidade, sim”, afirmou Humberto.

O líder da Oposição quer mudanças no texto que veio da Câmara Federal. ”Não podemos deixar as contratações ‘soltas’ nas empresas, pois isso deixará o trabalhador completamente vulnerável. Não vamos autorizar a terceirização da atividade-fim e também precisamos estabelecer regras específicas para regulamentar a atividade-meio”, alertou o parlamentar petista.

Vamos exigir o respeito à proporcionalidade, diz Humberto

Humberto: A nossa representação proporcional advém dos votos que o Partido dos Trabalhadores obteve em 2010 e em 2014. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: A nossa representação proporcional advém dos votos que o Partido dos Trabalhadores obteve em 2010 e em 2014. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse hoje que o PT vai exigir o espaço garantido pela Constituição e pelo regimento da Casa para a eleição da Mesa Diretora. Pelo critério da proporcionalidade, que leva em conta o número de parlamentares que cada partido tem no Senado, o PT deve ocupar a Primeira Secretaria. O nome indicado pela legenda para a vaga é o do senador José Pimentel (CE).

Segundo o senador Humberto Costa, a decisão foi fruto de um amplo debate interno da bancada. “O posicionamento do partido não foi resultado de nenhuma concessão, de nenhum acordo que tenha sido feito com quem quer que seja. A nossa representação proporcional advém dos votos que o Partido dos Trabalhadores obteve em 2010 e em 2014”, afirmou o senador.

De acordo com Humberto, a presença do PT em postos de comando deve garantir que a oposição esteja a par de todas as decisões da mesa diretora da Casa e evitar possíveis manobras governistas. O senador também lembrou de episódio que ocorreu na Câmara Federal durante o mandato do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB), que chegou a tentar alterar os parâmetros da Comissão da Mulher sem que os partidos fossem consultados. Para protestar contra a medida, um grupo de parlamentares de vários partidos ocupou a Mesa Diretora da Casa.

“Quantas vezes Eduardo Cunha manobrou para atender os interesses de seu grupo político enquanto a oposição estava alheia? Sem representação no Senado, vamos perder um espaço importante de combate e de participação das decisões da casa. Isso não representa qualquer tentativa de acordo com golpistas ou com o governo golpista de Michel Temer. Ao contrário, nós estaremos lá para defender as nossas próprias bandeiras e principalmente combater matérias que vão de encontro ao interesse da população brasileira”, afirmou.

Humberto ainda lembrou que o ano será de votações importantes no Senado e que a bancada de oposição precisa ocupar todos os espaços para tentar barrar projetos como a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. “O nosso compromisso continua sendo em defender a plataforma que é do PT, que é da esquerda, que é do povo brasileiro”, afirmou.

Denúncia de que AGU já tinha parecer contrário a prédio de Geddel agrava crise, diz Humberto

Humberto: Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

A revelação de que a Advocacia-Geral da União (AGU) também já havia proibido, assim com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que o empreendimento imobiliário luxuoso de Geddel Vieira Lima (PMDB) seguisse para além do limite permitido de altura em uma área histórica tombada na cidade de Salvador cai como uma nova bomba no colo do governo. Esta é a avaliação do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Segundo ele, a notícia gravíssima, divulgada nesta quarta-feira (30) pela sucursal da empresa jornalística britânica BBC no Brasil, demonstra que o Palácio do Planalto é um consórcio criminoso operado pelo próprio presidente não eleito Michel Temer (PMDB).

“Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados de um alto integrante do governo fossem plenamente atendidos”, resumiu o parlamentar.

Geddel saiu do governo em meio ao escândalo do governo batizado de Calerogate. O caso veio à tona depois que o ministro da Cultura Marcelo Calero pediu demissão por ter sido pressionado pelo Planalto a liberar a obra de um edifício na capital baiana. O Iphan, vinculado à pasta, já havia decidido embargar a obra, o que irritou Geddel.

Para Humberto, o ex-ministro da Secretaria de Governo, com interesses escusos, colocou o núcleo de poder do país, incluindo “a figura diminuta do presidente da República”, para trabalhar em favor da liberação do empreendimento.

“É algo vergonhoso, que enseja, ainda, a apuração dos crimes comuns cometidos por Michel Temer – um réu confesso, um sujeito que assumiu publicamente que arbitrou, como presidente da República, interesses privados –, bem como os crimes de responsabilidade que praticou no exercício do cargo”, declarou.

O líder do PT também falou sobre a gravidade das conversas gravadas por Calero que implicam Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, indicado por Eduardo Cunha para o cargo.
Humberto acredita que as gravações comprovam que o ministro da Cultura se recusou a transgredir a lei e a rasgar os pareceres do Iphan e da AGU que proibiam o empreendimento.

“E o que fez o conluio criminoso do Palácio do Planalto? O presidente da República determinou ao subchefe da Casa Civil que ele reiterasse aquilo que ele mesmo, Michel Temer, e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, já haviam dito pessoalmente a Marcelo Calero: pegue o caso e mande para a AGU diretamente, que lá a ministra-chefe, Grace Mendonça, vai dar um jeito, vai atender àquilo que nós queremos e que você, Marcelo Calero, se recusa a fazer”, afirmou.

Humberto espera respostas rápidas da Procuradoria-Geral da União (PGR) sobre os crimes cometidos por Temer e demais, e entende que Padilha e Rocha têm muito a explicar sobre o porquê queriam remeter à AGU um processo que já estava finalizado na sua negativa de autorização àquela construção irregular.

Para o senador, a ministra da AGU, cujo antecessor deixou o cargo também denunciando pressão política e acusando-a de leniência em investigar apaniguados políticos de Temer, também tem de dizer que jeitinho ela daria para viabilizar uma obra que a própria instituição que comanda proibiu ser erguida além daquilo determinado.

Prisão de Cunha deixa Temer e base aliada em maus lençóis, diz Humberto

Humberto: . Vamos aguardar para que o Brasil conheça a verdade sobre impeachment. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: . Vamos aguardar para que o Brasil conheça a verdade sobre impeachment. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que a prisão preventiva do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), decretada nessa quarta-feira (19), poderá deixar a base aliada “em maus lençóis”. Para ele, uma possível delação de Cunha deve comprometer todo o governo de Michel Temer (PMDB) e os parlamentares governistas.

“Já temos a informação de que ele já havia começado a negociar a delação. Vamos aguardar para que o Brasil conheça a verdade sobre impeachment. Acredito que as informações de Cunha podem desmitificar a postura de vários elementos da antiga oposição, que se comportam aqui como verdadeiros ‘santos’, mas que, na verdade, estão comprometidos até o pescoço”, afirmou.

Humberto ainda relembrou que foi um ex-ministro de Michel Temer, senador Romero Jucá (PMDB), que associou Cunha ao gestor peemedebista. “Agora preso, Cunha poderá responder à Polícia Federal o que Jucá quis dizer quando falou que ‘o Michel é o Cunha’ e dar muitas outras informações sobre este golpe branco e parlamentar que tirou a presidente Dilma Rousseff (PT) da presidência”, afirmou o senador.

CASO CUNHA – Após ter tido o mandato cassado em setembro por quebra de decoro, o ex-presidente da Câmara perdeu o foro privilegiado. Cunha, que foi preso preventivamente acusado de “tentar atrapalhar as investigações”, é suspeito de receber R$ 5 milhões de propina de esquema de corrupção na Petrobras. Só na Suíça, a polícia diz ter conseguido rastrear R$ 7,5 milhões, que pertenceriam ao peemedebista.

Para Humberto, Dilma fez discurso histórico contra condenação injusta

Para Humberto, Dilma mostrou  que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Para Humberto, Dilma mostrou que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Depois de recepcionar a presidenta Dilma Rousseff na entrada do Senado Federal na manhã desta segunda-feira (29), onde ela ganhou flores e gritos de apoio, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), assistiu atentamente aos mais de 40 minutos do discurso de defesa da presidenta no plenário e o classificou como histórico.

“Dilma foi contundente, verdadeira e teve a humildade e a coragem de se defender de um processo absolutamente inconstitucional, liderado por setores da elite nacional”, afirmou Humberto.

Para o senador, que defendeu no plenário o direito de liberdade de expressão de Dilma perante o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, a chefe do Poder Executivo brasileiro mostrou aos parlamentares, que irão julgá-la nesta semana na etapa final do impeachment, que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado,

Dilma lembrou que o procedimento foi iniciado a partir de uma chantagem explícita feita pelo então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) – afastado do mandato pelo STF após ser considerado “delinquente”.

“A presidenta Dilma foi corajosa ao vir ao Senado e pedir a nós, parlamentares, que votem pela democracia para fazer justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu ato ilegal, na vida pessoal ou funções públicas que exerceu. Ela reiterou que jamais haverá justiça na sua condenação, pois o processo está marcado por clamoroso desvio de poder, que explica absoluta fragilidade das acusações”, afirmou Humberto.

Segundo o senador, diante de um plenário lotado, que contou com a presença do ex-presidente Lula e do compositor Chico Buarque na galeria, Dilma foi contundente, verdadeira e transparente ao trazer tantos temas caros à sua vida, inclusive pessoal, aos brasileiros. Ela chegou a se emocionar em alguns momentos, principalmente quando lembrou que superou uma doença grave (câncer) e foi torturada na ditadura por militares quando lutava por democracia.

“A presidenta ressaltou que arquitetaram a sua destituição, independentemente da existência de fatos que pudessem justificá-la perante a nossa Constituição. Estamos a um passo de uma grave ruptura institucional, a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado. Ironia da história? Respondeu que não. Trata-se de ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira”, disparou.

O líder do PT no Senado observou que os senadores serão lembrados para a história pelas decisões que irão tomar sobre o impeachment de Dilma. De acordo com o parlamentar, como disse a presidenta, cedo ou tarde, todos acabarão pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.

Humberto está inscrito para fazer perguntas à presidenta na sessão desta segunda-feira. Dilma deve acabar de responder aos questionamentos dos senadores na noite de hoje.

Sem quórum, Temer sofre segunda derrota no Congresso, avalia Humberto

Para líder do PT, desmobilização da base de Temer expõe a crescente fragilidade do governo interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Para líder do PT, desmobilização da base de Temer expõe a crescente fragilidade do governo interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

Pela segunda vez em uma semana, o governo interino de Michel Temer (PMDB) não conseguiu mobilizar a sua base de apoio para votar a pauta com projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso Nacional. De acordo com o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a ausência de quórum parlamentar para validar a continuidade da sessão do Congresso nesta quarta-feira (10) se deu, novamente, pela falta de articulação entre os partidos que dão sustentação a Temer.

“Estamos assistindo a uma verdadeira desmobilização da base aliada dos golpistas, que já não contam mais com a influência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fustigado pelas acusações da Lava Jato e afastado do mandato. As rupturas entre eles ficam cada vez mais evidentes e a conta para pagar o impeachment de Dilma Rousseff fica cada vez mais cara. Isso deixa o governo, que já é fraco, mais fragilizado”, afirmou Humberto.

Na última terça-feira, após o quórum mínimo de deputados manter 14 vetos presidenciais na sessão do Congresso, muitos deles apostos pela presidenta Dilma, a sessão foi derrubada por falta de parlamentares, que foram embora do plenário no fim da noite. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, pauta mais importante para Temer, não chegou sequer a ser apreciada. Nesta quarta, mesmo com a sessão marcada para mais cedo com a finalidade de garantir as presenças, 14h, novamente o governo interino não conseguiu reunir aliados.

Para Humberto, a dependência que Temer tem de Cunha para conseguir aprovar as propostas do governo é proporcional ao receio de ver o ex-presidente da Câmara dos Deputados fazer delação premiada e revelar fatos comprometedores a todo o PMDB.

“O presidente golpista é refém de Cunha, que controla o centrão na Câmara e dita o ritmo de tramitação da pauta. Vemos isso nas sessões do Congresso. Sem o centrão, composto por vários partidos que prometeram apoio ao Planalto, o Governo fica a ver navios”, disse.

A pauta do Congresso está trancada por seis vetos que precisam ser analisados por meio de votação pelo painel eletrônico. Na pauta, também constam projetos de lei de créditos orçamentários e a LDO de 2017. Ainda não há data para a nova sessão.

Somente Dilma pode devolver direito de voto aos brasileiros, diz Humberto

Líder do PT afirma que Dilma é a única capaz de propor novas eleições presidenciais. Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

Líder do PT afirma que Dilma é a única capaz de propor novas eleições presidenciais. Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

 

 

Frontalmente contrário ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) por considerá-lo um golpe de Estado, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que a presidenta é a única pessoa, hoje, que pode devolver o direito de voto de todos os brasileiros. A declaração foi dada nesta terça-feira (9), da tribuna do plenário, durante a sessão sobre a pronúncia de Dilma por crime de responsabilidade.

Segundo Humberto, o retorno dela ao Palácio do Planalto como presidenta da República efetiva, como determinou a maioria dos eleitores nas urnas em 2014, será a volta da democracia no país. “Com Dilma, teremos plebiscito para definir novas eleições. Hoje, estamos vivendo uma triste página da nossa história e só iremos superá-la impedindo a aprovação dessa farsa”, disse.

O parlamentar ressaltou que as forças políticas que não conseguiram chegar ao poder por meio do voto popular usam o impeachment para construir um atalho sujo para chegar ao comando da nação e com isso derrubar a presidenta legitimamente eleita.

“Foi isso que aconteceu desde 2014. Desde então, assistimos à maior sabotagem política e econômica que se viveu na história do Brasil. A presidenta nunca teve tolerância e compreensão por parte da oposição e da grande mídia desse país. A decisão era uma só: tirar a presidenta e interromper um projeto que ela representava, mesmo que não tenha cometido nenhum crime”, observou.

Na avaliação do parlamentar, o processo contra Dilma é meramente político, o que contraria a Constituição Federal, que estabelece que o impedimento do Chefe do Executivo tem de ser jurídico também.

“Querem falar de crise como se esses três decretos da denúncia fossem culpados por isso. A verdadeira pedalada que está ocorrendo é a constitucional, passando por cima da Carta Magna usando tecnicalidade jurídica para justificar um golpe de mão”, emendou.

Ele lembrou que tudo começou quando a oposição, revoltada por ter perdido as eleições, chafurdou as contas de campanha da presidenta em 2014 e viram que não era possível haver impedimento. Depois, segundo o parlamentar, os opositores aproveitaram um parecer provisório de um procurador do Tribunal de Contas da União para pedir o impeachment ao então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Assim, iniciou-se esse trágico processo. Uma vergonha”.

O líder do PT acredita que todos os senadores têm consciência de que não há crime cometido por Dilma, mas que alguns irão votar pela cassação do mandato dela hipocritamente e por conveniência política.

“Eles nos acusavam de sermos os farristas fiscais. Aí eu pergunto: e esse governo agora, que prevê déficit fiscal de 170 bilhões em 2016 e de R$ 139 em 2017? Onde estão os grandes responsáveis fiscais do PSDB, DEM e do PPS? Na hora que discutimos a responsabilidade fiscal desse governo interino, não dizem nada. Todos estão caladinhos”, disparou.

De acordo com Humberto, esse silêncio ocorre porque eles tão pagando o preço político do impeachment, que se dá por meio de emendas, cargos e recursos para obras. “Não estão preocupados com responsabilidade fiscal coisíssima nenhuma. É pura hipocrisia, assim como é pura hipocrisia também quando falam de corrupção. Como corrupção, se ele estão segurando o Eduardo Cunha aí até não sei quando?”, criticou.

Sem ajuda de Cunha, Temer sofre derrota no Congresso, avalia Humberto

 

Líder do PT comandou oposição em noite de fracasso do governo Temer no Congresso. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Líder do PT comandou oposição em noite de fracasso do governo Temer no Congresso. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 
Sem contar com a mão do amigo e aliado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente da presidência da Câmara dos Deputados, o governo interino de Michel Temer (PMDB) sofreu uma derrota na noite dessa terça-feira (2), durante sessão do Congresso Nacional. Magoado com o Planalto desde que teve de renunciar ao cargo de presidente da Casa, Cunha abandonou a base de Temer à própria desorganização e, por volta das 23h, já não havia mais número suficiente na Câmara para sustentar a continuidade da sessão. Em razão disso, ela acabou derrubada, após o quórum mínimo de deputados manter 14 vetos presidenciais, muitos deles apostos por Dilma Rousseff (PT). Mas a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, pauta mais importante para Temer, não chegou a ser apreciada.

Articulador da atual oposição, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), apontou a fragilidade da base governista, que – sem o apoio fechado do bloco chamado centrão, fiel a Cunha – não conseguiu sequer chegar à pauta mais importante da noite para o Palácio do Planalto.

“O que se viu foi a desarticulação da base de sustentação dos golpistas. Primeiro, houve uma demora imensa para a sessão começar, dada a falta de quórum. Ela só não caiu no início por benevolência do presidente do Congresso e porque não pedimos a sua derrubada, certos de que o governo ia cair pelas próprias pernas. Foi o que houve”, avaliou Humberto. “Ao fim, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) teve de encerrar a sessão porque já não havia mais quórum na Câmara.”

De acordo com o líder do PT, o chamado centrão, composto por vários partidos de diferentes linhas que se articularam por obra de Eduardo Cunha para dar apoio a Temer, já demonstra insatisfação com o Palácio do Planalto. “Observamos que já não estão dando o respaldo inicial que prometeram. Muitos já reclamam publicamente de iniciativas tomadas pelo governo, que está apenas começando”, ressaltou o senador.

Entre os itens analisados pelos deputados e senadores na noite dessa terça-feira, estava o veto presidencial à reserva de 10% da verba da União para a construção de imóveis do Minha Casa, Minha Vida em cidades com menos de 50 mil habitantes. Como os outros 13 vetos da pauta, ele foi mantido porque precisaria da maioria absoluta dos deputados (257) para ser derrubado e a votação não chegou a esse quórum.

Página 1 de 512345