Eliseu Padilha

Denúncia de que AGU já tinha parecer contrário a prédio de Geddel agrava crise, diz Humberto

Humberto: Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

A revelação de que a Advocacia-Geral da União (AGU) também já havia proibido, assim com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que o empreendimento imobiliário luxuoso de Geddel Vieira Lima (PMDB) seguisse para além do limite permitido de altura em uma área histórica tombada na cidade de Salvador cai como uma nova bomba no colo do governo. Esta é a avaliação do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Segundo ele, a notícia gravíssima, divulgada nesta quarta-feira (30) pela sucursal da empresa jornalística britânica BBC no Brasil, demonstra que o Palácio do Planalto é um consórcio criminoso operado pelo próprio presidente não eleito Michel Temer (PMDB).

“Eles agiram deliberadamente para que pareceres técnicos de dois órgãos estatais fossem rasgados com a finalidade de que interesses privados de um alto integrante do governo fossem plenamente atendidos”, resumiu o parlamentar.

Geddel saiu do governo em meio ao escândalo do governo batizado de Calerogate. O caso veio à tona depois que o ministro da Cultura Marcelo Calero pediu demissão por ter sido pressionado pelo Planalto a liberar a obra de um edifício na capital baiana. O Iphan, vinculado à pasta, já havia decidido embargar a obra, o que irritou Geddel.

Para Humberto, o ex-ministro da Secretaria de Governo, com interesses escusos, colocou o núcleo de poder do país, incluindo “a figura diminuta do presidente da República”, para trabalhar em favor da liberação do empreendimento.

“É algo vergonhoso, que enseja, ainda, a apuração dos crimes comuns cometidos por Michel Temer – um réu confesso, um sujeito que assumiu publicamente que arbitrou, como presidente da República, interesses privados –, bem como os crimes de responsabilidade que praticou no exercício do cargo”, declarou.

O líder do PT também falou sobre a gravidade das conversas gravadas por Calero que implicam Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, indicado por Eduardo Cunha para o cargo.
Humberto acredita que as gravações comprovam que o ministro da Cultura se recusou a transgredir a lei e a rasgar os pareceres do Iphan e da AGU que proibiam o empreendimento.

“E o que fez o conluio criminoso do Palácio do Planalto? O presidente da República determinou ao subchefe da Casa Civil que ele reiterasse aquilo que ele mesmo, Michel Temer, e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, já haviam dito pessoalmente a Marcelo Calero: pegue o caso e mande para a AGU diretamente, que lá a ministra-chefe, Grace Mendonça, vai dar um jeito, vai atender àquilo que nós queremos e que você, Marcelo Calero, se recusa a fazer”, afirmou.

Humberto espera respostas rápidas da Procuradoria-Geral da União (PGR) sobre os crimes cometidos por Temer e demais, e entende que Padilha e Rocha têm muito a explicar sobre o porquê queriam remeter à AGU um processo que já estava finalizado na sua negativa de autorização àquela construção irregular.

Para o senador, a ministra da AGU, cujo antecessor deixou o cargo também denunciando pressão política e acusando-a de leniência em investigar apaniguados políticos de Temer, também tem de dizer que jeitinho ela daria para viabilizar uma obra que a própria instituição que comanda proibiu ser erguida além daquilo determinado.

Humberto pede renúncia de Temer para povo escolher presidente legítimo

Humberto: Que esse presidente renuncie agora e abra espaço para o Brasil escolher um presidente legítimo. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

Humberto: Que esse presidente renuncie agora e abra espaço para o Brasil escolher um presidente legítimo. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), subiu à tribuna do plenário da Casa, na tarde desta segunda-feira (28), para pedir a renúncia do presidente não eleito Michel Temer (PMDB) e, assim, fazer com que a população brasileira tenha a chance de escolher um presidente legítimo por meio do voto nas urnas, com a realização de uma eleição direta.

O pedido foi feito em meio à crise ética e política instalada no Palácio do Planalto, já chamado de “Calerogate”, que atinge diretamente o pemedebista e agrava ainda mais o quadro econômico do país devido à falta de credibilidade do governo. “Que esse presidente renuncie agora e abra espaço para o Brasil escolher um presidente legítimo”, disparou.

Se Temer renunciasse, hipótese que Humberto não acredita que vai ocorrer por considerá-lo sem grandeza moral para o ato, os eleitores teriam a oportunidade de eleger o novo chefe do Executivo. “Seria um ato de grandeza moral e política para que o povo escolhesse soberanamente seu mandatário. Certamente, isso não vai acontecer porque falta a ele essa grandeza”, afirmou.

Para Humberto, o quadro político que se avizinha é ainda pior, pois, segundo ele, o Congresso Nacional planeja derrubar Temer apenas no ano que vem. Isso abriria oportunidade para que os próprios parlamentares escolhessem o presidente da República em eleições indiretas. Pelas normas, se uma cassação ocorre na segunda metade do mandato presidencial, o Brasil teria eleições indiretas, com apenas deputados federais e senadores apontando um sucessor.

“Só querem derrubá-lo no ano que vem. É o golpe dentro do golpe aplicado por este mesmo Parlamento que tirou Dilma sem crime e quer anistiar o caixa 2”, ressaltou.
O senador avalia que o governo sequer completou seis meses e já padece de uma senilidade que não lhe permite mais governar. É um governo fraco, dominado por forças tão corruptas quanto a suposta corrupção que eles prometiam combater e que lhes serviu de um falso pretexto para abreviar o governo de Dilma Rousseff”, afirmou.

O parlamentar reiterou que o governo armou um ministério inepto e incompetente e atolado até o pescoço em irregularidades que provocaram, praticamente, uma demissão de titular por mês. “O que se pergunta por todo canto é qual o próximo ministro a cair e quando será o próximo escândalo. Sim, porque todas as quedas de ministros ocorreram por conta de escândalos e de falcatruas”, observou.

Ele citou o último episódio, em que um ex-integrante do próprio governo, Marcelo Calero, da Cultura, denunciou um escândalo e lançou na lama “proeminentes” figuras da cozinha de Temer. “É de uma gravidade tão grande quanto a desfaçatez do governo em tratar do caso”, disse.

Calero relatou à Polícia Federal ter sido pressionado pelo então homem forte do governo, o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Para Humberto, ele cometeu tráfico de influência explícito ao exigir que fosse liberada a construção de um prédio de luxo em uma área de preservação histórica, em Salvador, onde possui apartamento.

 

Humberto pede que PGR investigue Padilha por tentativa de barrar Lava Jato

 

Líder do PT afirma que escândalo abala profundamente o governo de Michel Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

Líder do PT afirma que escândalo abala profundamente o governo de Michel Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), anunciou, nesta segunda-feira (12), que vai entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão investigue o comportamento do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e da nova chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, diante de denúncias de que agiram para abafar a Operação Lava-Jato.

As revelações de que o governo do presidente Michel Temer (PMDB) quer encobrir malfeitos de seus integrantes foram dadas à imprensa no fim de semana pelo antecessor de Grace na pasta, Fabio Medina Osório. O ex-AGU de Temer foi demitido na própria sexta-feira porque, segundo ele, quis aprofundar as investigações da operação, dentro do Executivo, e ampliar o papel do órgão na reparação dos danos provocados ao erário.

“Tenho certeza que o procurador-geral, Rodrigo Janot, vai pedir a apuração do caso, pois agiu de forma semelhante quando houve acusação contra membros do PT. Agora, estamos vendo uma pessoa ilibada do primeiro time de ministros de Temer afirmar, categoricamente, que o governo quer proteger investigados na Lava-Jato”, afirmou Humberto.

O líder do PT espera que o Ministério Público peça a abertura de inquérito para aprofundar as investigações dos dois ministros e lembra que se trata da quarta demissão de um ministro em menos de quatro meses de governo, todos relacionados à Lava-Jato.

Da tribuna, Humberto também anunciou que a bancada do PT no Senado vai apresentar, na Casa, requerimentos de convocação do ministro Eliseu Padilha e da nova ministra da AGU, Grace Mendonça, classificada pelo seu antecessor como “a assessora que não consegue encontrar um HD”. O senador também apresentará requerimento de convite para que o ex-ministro da AGU Fabio Medina Osório explique as denúncias.

O líder do PT avalia que as declarações dadas por Osório trazem à luz um escândalo de proporções graves que deve ser esclarecido no Senado pelos agentes envolvidos.

“Nós queremos que o ex-advogado-geral da União venha reiterar aqui o que disse à imprensa. E o ministro Eliseu Padilha, que está na cozinha do presidente, que é uma espécie de alter ego seu, precisa explicar porque exonerou um colega que, segundo o próprio demitido atesta, estava fazendo a coisa certa”, explicou.

Para o senador, a nova ministra, criticada por Osório por ter feito corpo mole no acesso aos inquéritos dos investigados, vai ter que dizer se foi presenteada com um cargo novo para deletar da pauta do governo qualquer investigação referente a Lava-Jato.

“Vejam vocês: o ex-advogado-geral da União acusa a sua sucessora de ter sentado sobre o dossiê referente aos inquéritos que a AGU precisava ter em cópia, com a justificativa de que não conseguia encontrar um HD externo para copiar os arquivos. Agora, ela foi agraciada com a chefia da pasta”, ressaltou.

De acordo com o parlamentar, trata-se de um escárnio, um menoscabo com a inteligência alheia, uma história calhorda que precisa ser explicada detalhadamente. “Esses fatos precisam ser imediatamente explicados e todos os envolvidos com prevaricação, punidos. Eles são extremamente graves e eu espero, sinceramente, que o Ministério Público e a Polícia Federal abram os procedimentos cabíveis para a apuração rigorosa desse episódio”, declarou.

“Se havia alguma dúvida de que esse governo golpista tinha a função de salvar os investigados, agora não resta mais nenhuma. Essa confirmação foi dada diretamente por quem devia se ocupar, dentro do governo, dessas investigações e acabou demitido em razão de ter tentado dar sequência a esse trabalho”, observou.

Humberto pede suspensão do impeachment até que Temer responda por caixa 2

Humberto apresenta questão de ordem para que Senado ouça Temer sobre denúncias de caixa 2. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Humberto apresenta questão de ordem para que Senado ouça Temer sobre denúncias de caixa 2. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), apresentou uma questão de ordem na manhã desta terça-feira (9), com base na Constituição Federal e no regimento interno da Casa, com o objetivo de suspender a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff até que o presidente interino Michel Temer (PMDB) e seus ministros sejam ouvidos pelos senadores sobre as denúncias de que receberam recursos ilícitos por meio de caixa 2 em 2014.

Para Humberto, trata-se de fato gravíssimo, divulgado pela imprensa no fim de semana, que precisa ser investigado. “Obviamente que a investigação sobre essa questão não somente interfere no juízo da opinião pública como também no juízo dos próprios senadores. Quem em sã consciência será capaz de votar pelo impedimento da presidenta, que está sendo julgada, pasmem, por apenas três decretos e as chamadas pedaladas fiscais?”, questionou.

O senador avalia que a situação atual abre espaço para que fique à frente do Executivo alguém que é vítima de denúncias graves, “o que é surreal”. Por isso, segundo ele, a questão de ordem pede que o processo contra Dilma realize diligências para o Senado esclarecer os fatos.

“Assim, cada senador poderá votar com plena consciência. Vamos colocar no lugar de uma presidenta honesta alguém que não tem esse mesmo valor na sua formação e que tenha praticado crime de corrupção? Isso é inconcebível”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que não está fazendo pré-julgamento sobre as supostas delações premiadas de executivos da Odebrecht, que revelam que Temer pediu “apoio financeiro” ao PMDB para a empreiteira: R$ 10 milhões em dinheiro vivo teriam sido repassados a integrantes do partido em 2014.

A contribuição teria sido pedida a Marcelo Odebrecht, então presidente da empresa, em maio de 2014, quando Temer ainda ocupava a vice-presidência, em um jantar no Palácio do Jaburu, do qual também participou o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Consta que R$ 4 milhões foram encaminhados a Padilha e R$ 6 milhões ao presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Paulo Skaf, que à época disputava a eleição estadual para o governo paulista. A Odebrecht informou que contabilizou a doação ao PMDB em seu “caixa paralelo”.

Reportagens também revelaram que funcionários da Odebrecht afirmaram a investigadores da Lava Jato que a campanha de José Serra à Presidência, atual ministro das Relações Exteriores, em 2010, recebeu da empresa R$ 23 milhões por meio de caixa dois.

Nessa segunda-feira (8), parlamentares do PT, PCdoB e Rede protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento do presidente interino do cargo. Eles alegam que Temer tem se valido da função que exerce provisoriamente para evitar investigações de denúncias que envolvem seu nome e que começam a vir a público por conta de delações.

“A se confirmar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Temer seria efetivado no posto, tornando incontornável a sua irresponsabilidade penal relativa, o que poderia configurar fraude à Constituição. Não podemos deixar isso acontecer”, argumentou Humberto.

A sessão de hoje do Senado, presidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, decidirá se Dilma deve ser julgada por crime de responsabilidade. Ele rejeitou a questão de ordem apresentada pelo líder do PT.

 

Humberto pede investigação para apurar suposta propina pedida por Temer

 Líder do PT afirma que impeachment de Dilma perde força diante da denúncia contra interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Líder do PT afirma que impeachment de Dilma perde força diante da denúncia contra interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), anunciou nesta segunda-feira (8) que o partido vai apresentar 11 questões de ordem amanhã, na sessão do plenário que decide se Dilma Rousseff vai a julgamento por crime de responsabilidade, para impedir a apreciação da denúncia contra a presidenta.

O parlamentar argumenta que é um contrassenso uma presidenta da República responder um processo por conta de três decretos de suplementação orçamentária enquanto o presidente interino Michel Temer (PMDB) é acusado pelo dono da maior empreiteira do Brasil de ter pedido e recebido, em espécie, R$ 10 milhões na forma de caixa dois em 2015 e não haver sequer uma investigação.

“Queremos o fim da seletividade de investigações. Um lado, investiga. O outro, todo mundo fica caladinho. A presidenta pode perder o mandato amanhã e Temer, que pode ter recebido R$10 milhões de caixa dois, vai continuar, lépido e fagueiro, como presidente da República”, afirmou.

Humberto avalia que Temer precisa, sem dúvida, vir a público se explicar e que tem de haver investigação. “Não estão investigando Lula, Dilma, senadores, deputados e governadores? Por que não investigam o Sr. Michel Temer, o Sr. Eliseu Padilha e o Sr. José Serra, citados pelos executivos da Odebrecht, segundo a imprensa”, disse.

Ele ressaltou que não está dizendo que as denúncias são verdade e quem irá concluir sobre isso é o Ministério Público. “E tem de investigar rápido, porque se for mentira, há uma injustiça contra ele. E, se for verdade, há uma injustiça contra o povo brasileiro”, complementou.

Denúncias publicadas na imprensa no fim de semana apontam que a delação premiada de executivos da Odebrecht apresentará à Lava jato documento com relato de que Temer pediu “apoio” financeiro” ao PMDB para a empreiteira, que teria repassado R$ 10 milhões em dinheiro vivo a integrantes do partido em 2014.

A contribuição teria sido pedida a Marcelo Odebrecht, então presidente da empresa, em maio de 2014, quando Temer ainda ocupava a vice-presidência, em um jantar no Palácio do Jaburu, do qual também teria participado o atual ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Teriam sido repassados R$ 4 milhões a Padilha e R$ 6 milhões ao presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Paulo Skaf, que à época disputava a eleição estadual para o governo paulista. Segundo as notícias, em acordo para a delação, a Odebrecht informou que contabilizou a doação ao PMDB em seu “caixa paralelo”.

Reportagens também revelam que funcionários da Odebrecht afirmaram a investigadores da Lava Jato que a campanha de José Serra à Presidência, atual ministro das Relações Exteriores, em 2010, recebeu da empresa R$ 23 milhões por meio de caixa dois.

Os senadores decidirão nesta terça-feira (9), a partir das 9h, se a presidente afastada Dilma Rousseff vai a julgamento por crimes de responsabilidade. A votação encerra a fase de pronúncia, segunda etapa do processo de impeachment. Caso a maioria simples dos senadores aceite o parecer da Comissão Especial do Impeachment, Dilma será julgada e pode perder definitivamente o mandato.

Temer atropela Senado ao nomear ministros como se fosse presidente, diz Humberto

Para Humberto, Temer age como se o Senado fosse apenas um órgão homologatório do desejo dele.  Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Para Humberto, Temer age como se o Senado fosse apenas um órgão homologatório do desejo dele. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

 

O líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou nesta quarta-feira (27) a movimentação política do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), para a montagem de governo nos últimos dias.

Em discurso na comissão especial do impeachment e na tribuna do plenário da Casa, o parlamentar demonstrou indignação e repúdio a Temer por já estar fazendo reuniões para escolher – e até demitir – ministros como se estivesse sentado na cadeira da presidência da República, ocupada “honesta e democraticamente” por Dilma Rousseff.

“Ele desrespeita o Senado Federal, que apenas iniciou o debate sobre o processo do impedimento, ao sair por aí dando entrevistas, nomeando e demitindo ministros, como o da Justiça que ele tinha nomeado ontem. Ao agir assim, ele demostra total desrespeito a esta Casa”, declarou.

Nessa terça-feira, a imprensa noticiou que o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira seria escolhido por Temer para ser o ministro da Justiça. Hoje, porém, Temer já havia descartado a presença dele na pasta por conta de declarações “infelizes” sobre a Lava Jato.

Além disso, ele já teria escolhido Henrique Meirelles para assumir o Ministério da Fazenda, Eliseu Padilha para a Casa Civil e Romero Jucá para o Planejamento.

Para Humberto, o peemedebista age como se o Senado fosse apenas um órgão homologatório do desejo dele ou como se os senadores fossem se debruçar não sobre os fatos postos no processo, mas sim sobre a decisão “escabrosa” tomada pela maioria da Câmara dos Deputados.

“É bom lembrar a ele um episódio em que Jânio Quadros, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, no dia da sua posse limpou a cadeira dizendo que ‘nádegas indevidas haviam se sentado àquela cadeira’. Fernando Henrique Cardoso, durante a campanha, tinha certeza de que ganharia as eleições e chegou a sentar na cadeira de prefeito para tirar foto. Mas acabou perdendo”, ressaltou.

O líder do Governo voltou a afirmar que o país vive um grave momento na história, em que um golpe constitucional em curso quer apear do poder uma presidenta da República legitimamente eleita. De acordo com o senador, o Governo e a base não vão permitir que seja parida pelo Senado “uma meta-atrocidade, uma atrocidade dentro da atrocidade que, por si só, já representa esse processo”.

“Não daremos trégua aos atropelos e aos desrespeitos para beneficiar aqueles que querem calcinar a lei para a satisfação de seus caprichos. Estaremos vigilantes para garantir a ordem constitucional e assegurar que, no final desse processo torpe, vença a democracia”, finalizou.

Humberto exalta vantagens do Recife para atrair o Hub Latam

Líder do PT, Humberto levou disputa pelo hub ao Senado.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Líder do PT, Humberto levou disputa pelo hub ao Senado. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Sede do melhor aeroporto do brasileiro, de acordo com a Secretaria de Aviação Civil (SAC), o Recife é a cidade que reúne as condições mais estratégicas para receber o novo centro de conexões de voos nacionais e internacionais projetado pelo Grupo Latam Airlines para o Nordeste. A avaliação é do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que levou o tema à tribuna do Senado nesta terça-feira (16).

Humberto, que se reuniu ontem com o governador do Estado, Paulo Câmara, e tem dialogado pessoalmente com os ministros da Defesa, Jaques Wagner, e da SAC, Eliseu Padilha, defende que a capital pernambucana desponta como a favorita na disputa que ocorre com as cidades de Fortaleza e Natal.

O parlamentar afirmou que, sem qualquer demérito às concorrentes, é preciso registrar as incontestáveis vantagens do Recife para sediar esse novo hub das companhias aéreas TAM e LAN. “Nossa localização geográfica é privilegiada, haja vista decisões anteriores que definiram investimentos nacionais estratégicos, como o dinâmico Complexo Portuário de Suape, a refinaria Abreu e Lima, o polo petroquímico e grandes indústrias, como a fábrica Fiat/Chrysler e a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, a Hemobras”, ressaltou.

Para Humberto, todos esses fatores positivos contribuem para um desfecho favorável em outro critério fundamental de avaliação para a recepção do hub: a competitividade de custos e o potencial de desenvolvimento;

“O ambiente econômico que Pernambuco experimenta há alguns anos é extremamente favorável. Além de grandes e modernos polos recentemente instalados, nosso Estado é referência nacional em uma série de outras áreas, como a médica e, especialmente, a de tecnologia e inovação, na qual somos considerados o polo mais importante do Brasil na chamada economia criativa”, afirmou.

O líder do PT destacou que Pernambuco experimenta um momento de plena união de todas as suas forças políticas em favor da viabilização do empreendimento, o que cria, segundo ele, um ambiente amplamente favorável para a instalação desse novo centro.

“Além disso, o Governo do Estado tem mantido estreito contato com a Latam para negociar, de maneira responsável, os incentivos necessários à viabilização do investimento em Pernambuco”, comentou. Humberto citou que o Governo Estadual, em um gesto significativo, já reduziu de 25% para 12% o ICMS sobre o querosene de aviação.

“Somem-se a isso os mais de R$ 6,6 bilhões que foram anunciados, na semana passada, pela presidenta Dilma Rousseff no âmbito do Programa de Investimentos Logísticos, que vão viabilizar desde o Arco Metropolitano do Recife à recuperação e ampliação das BRs 101 e 232, passando por novos e sólidos investimentos em Suape”, complementou.

O senador explicou que o novo hub vai descentralizar a oferta da aviação civil nacional, atualmente bastante localizada no Sul e no Sudeste do país, em favor de melhor mobilidade nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, expandindo as opções de voos, destinos, rotas e conexões.

“Um país que incrementou, na última década, o número de viajantes nos aeroportos em mais de 150% não pode, evidentemente, apresentar uma logística precária de voos”, observou.

Outro ponto positivo levantado por Humberto em defesa de Pernambuco é a capacidade de expansão do aeroporto, dado que a Base Aérea do Recife pode ser relocada em caso de necessidade. “Já estive, pessoalmente, discutindo o tema na Secretaria de Aviação Civil e no Ministério da Defesa e é absolutamente factível se repensar a localização da Base Aérea para que o aeroporto do Recife possa, eventualmente, passar por nova expansão”, acredita.

O Hub Nordeste da Latam vai resultar em uma melhor conectividade para todo o centro-norte do Brasil, cujo tráfego aéreo, nos dias de hoje, é muitas vezes alongado por escalas e conexões para os passageiros. Paralelamente, vai ampliar a capilaridade das operações da TAM e da LAN na América do Sul e no restante do mercado internacional, com especial atenção ao continente europeu.

“Ou seja, colocaremos o Nordeste como uma nova referência geográfica de atratividade e conectividade internacional, contribuindo para o desenvolvimento regional equilibrado do nosso país”, afirmou o líder do PT. “Mais do que torcendo, estou trabalhando ativamente para que Pernambuco possa sediar esse hub e estou confiante de que sairemos vitoriosos”, finalizou Humberto.

O hub vai resultar em investimentos da ordem de R$ 4 bilhões e gerar entre 8 mil e 12 mil empregos diretos e indiretos. A decisão final sobre qual das três cidades vai sediá-lo será divulgada até o fim do ano.

Estudo para aeroporto de Serra Talhada está concluído, garante Humberto

 Humberto e Duque receberam sinal verde do ministro Padilha para o aeroporto.  Foto: Assessoria de Comunicação

Humberto e Duque receberam sinal verde do ministro Padilha para o aeroporto. Foto: Assessoria de Comunicação

Líder do PT no Senado, o senador Humberto Costa teve audiência com o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Presidência da República, Eliseu Padilha, para pedir a aceleração das obras de implantação do aeroporto do município de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco. Acompanhado do prefeito Luciano Duque (PT), Humberto esteve na SAC, quarta-feira (13), e recebeu do ministro Padilha a garantia de que os estudos de viabilidade técnica e econômica que antecedem o início das obras já foram concluídos.

“O ministro nos assegurou que essa etapa, iniciada um ano atrás, já foi cumprida. E o mais importante: todos os estudos concluem positivamente pela viabilidade da construção do aeroporto. É o início de um grande projeto que vai mudar a realidade de Serra Talhada e ajudar a impulsionar o desenvolvimento do Sertão”, explicou Humberto.

A construção do aeroporto no município se insere no programa de aviação regional, que vai construir ou reformar 270 aeroportos nos interiores do Brasil. São R$ 7,4 bilhões destinados ao programa para obras, que vêm do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC), formado por receitas da aviação e destinado exclusivamente ao setor.

Todos os terminais tramitam por cinco etapas até estarem prontos. Serra Talhada cumpriu o primeiro passo. Agora, o processo vai passar por um detalhamento do estudo de viabilidade técnica; em seguida, chega-se à fase do licenciamento ambiental e da elaboração do anteprojeto; abre-se a licitação; e, na sequência, são realizadas as obras.

O objetivo do programa é deixar os 40 milhões de brasileiros que hoje moram longe de qualquer aeroporto a pelo menos 100 quilômetros de um terminal aéreo. Segundo município mais estratégico do Sertão pernambucano, Serra Talhada integra a Rota do Cangaço e é conhecida como polo médico e educacional da região. Além disso, o seu novo aeroporto deve impulsionar a expansão comercial e facilitar o trânsito de pessoas numa área para a qual convergem cerca de 800 mil habitantes.