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Humberto diz que governo Temer suja as mãos de sangue ao cortar o debate sobre “identidade de gênero” e “orientação sexual” das escolas

Para Humberto Costa, está claro o avanço da pauta conservadora no governo de Michel Temer (PMDB). Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Para Humberto Costa, está claro o avanço da pauta conservadora no governo de Michel Temer (PMDB). Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), criticou o que considera “a continuidade à agenda de retrocessos” do Ministério da Educação que decidiu retirar todas as menções as expressões “identidade de gênero” e “orientação sexual” da nova versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento, que havia sido entregue à imprensa antes da supressão dos termos, funcionará como guia para escolas públicas e privadas do País e foi encaminhado oficialmente nesta quinta ao Conselho Nacional de Educação (CNE).

Para Humberto Costa, está claro o avanço da pauta conservadora no governo de Michel Temer (PMDB). “Há um mês, Dandara Kataryne, uma mulher trans, foi apedrejada e morta a tiros no Ceará apenas por ser quem ela queria ser. As cenas cruéis desse assassinato foram gravadas e correram o mundo. No ano passado, o País bateu recorde em número de assassinatos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). Ao deixar de trazer o tema para o debate e levar informação para os nossos jovens, o governo lava as suas mãos com sangue e aponta as pedras para todos que lutam para serem respeitados por sua identidade de gênero ou orientação sexual”, acusou o senador.

Humberto também fez críticas à condução do tema pelo ministro Mendonça Filho (DEM). “Não dá para esperar muita coisa de um ministro ‘mãos de tesoura’ que teve como a sua primeira agenda pública conversar com o ator pornô Alexandre Frota, que publicamente confessou ter estuprado uma mulher. Mais uma vez, Mendonça cedeu à pressão de forças obscurantistas, que distorcem conceito de gênero e orientação sexual e dá voz a ideias fundamentalistas sobre a pessoa humana”, criticou.

No ano passado, 343 pessoas foram mortas em todo o Brasil, vítimas do ódio e do preconceito contra LGBTs. O ano foi considerado como o mais violento desde 1970 , quando começou a série histórica, que contabiliza o número de assassinatos de homossexuais. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antiga associação de defesa dos homossexuais e transexuais do Brasil, as pessoas trans são as principais vítimas de homicídio em casos como estes. O risco de elas serem assassinadas é 14 vezes maior em relação a gays.

Humberto diz que a MP do ensino médio é uma lambança e que o problema da educação não se resolve por decreto

Humberto: Estão sugerindo uma mudança, que pode implicar no futuro do nosso País sem que aja nenhum debate.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Estão sugerindo uma mudança, que pode implicar no futuro do nosso País sem que aja nenhum debate. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, fez duras críticas à Medida Provisória (MP) que muda a estrutura do ensino médio no Brasil. A proposta do governo Michel Temer (PMDB) flexibiliza as disciplinas e, entre outras coisas, possibilita que profissionais sem licenciatura sejam contratados. Outra parte do material divulgado pela gestão de Temer sobre a MP dizia ainda que disciplinas como artes, educação física, filosofia e sociologia deixariam de ser obrigatórias. Mas essa parte foi retirada, posteriormente, do texto final.

“O que fizeram foi uma lambança. Eles escrevem e apagam qualquer coisa com a mesma velocidade. Primeiro propõem o fim de disciplinas que vão da sociologia à educação física. Estão sugerindo uma mudança, que pode implicar no futuro do nosso País sem que aja nenhum debate. Isso é inadmissível”, afirmou o senador.

Segundo o senador, o governo tem feito uma gestão “temerária” na educação. “Mendonça Filho, que não faz outra coisa desde que assumiu a não ser cortar os programas que se tornaram referência, agora diz que quer resolver os problemas da educação por decreto. Isso até parece piada. Sem nenhuma consulta aos estudantes, aos professores e a sociedade civil organizada, ele apregoa um modelo em que priva os estudantes de um contato amplo com as mais variadas disciplinas, sonegando conhecimento escolar a milhões de estudantes brasileiros”, questionou o senador.

Para Humberto, o projeto, além de apresentar falhas graves, é incipiente porque propõe mudanças na grade curricular, mas não trata de questões importantes como a falta de estrutura física e material nas escolas. “A reforma é um retrocesso para o ensino e deixa de fora questões importantíssimas como a melhoria na estrutura física e da capacitação dos professores”, afirmou o senador.

Humberto também questionou a revogação da portaria que garantia o funcionamento do Sistema de Avaliação da Educação Básica do MEC. Criado para avaliar e aprimorar as políticas públicas de educação, o projeto foi elaborado durante a gestão de Dilma Rousseff após dois anos de discussão envolvendo diversas entidades como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

“O governo Mendonça Mãos de Tesoura age na contramão do que é a boa política pública de ensino. Ele está cortando tudo aquilo que foi construído não por um decreto, mas com debate e participação. Isso mostra bem de onde ele vem e de que tipo de governo ele participa. Um governo ilegítimo que rasgou a Constituição e patrocinou um golpe para chegar ao poder”, disse Humberto.

No interior, Humberto participa de agenda com lideranças e movimentos sociais

Para Humberto, a ida ao interior é ainda mais importante depois da denúncia feita contra o ex-presidente Lula. Foto: Assessoria de Imprensa HC

Para Humberto, a ida ao interior é ainda mais importante depois da denúncia feita contra o ex-presidente Lula. Foto: Assessoria de Imprensa HC

 

 

Dando prosseguimento às visitas ao interior de Pernambuco, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), cumpre uma longa agenda no Sertão e na Mata Sul neste fim de semana. Nos próximos três dias, o petista visitará 11 municípios: Araripina, Trindade, Exu, Serrita, São José do Belmonte, Carnaíba, Itapetim, Tabira, Água Preta e Ribeirão.

“Estamos visitando as cidades para mostrar à população que podemos nos organizar e lutar para que o povo não perca seus direitos com esse golpe que, a cada dia, se mostra continuado. Não podemos ficar parados e assistir de camarote a esse triste momento da nossa história”, afirmou Humberto. Na agenda do senador, reuniões com lideranças locais e com movimentos sociais.

Para Humberto, a ida ao interior é ainda mais importante depois da denúncia feita contra o ex-presidente Lula. “Precisamos contar a verdade ao povo sobre esses novos acontecimentos. É um absurdo o que estão fazendo com um homem que mudou a vida do nosso país. Mas não vamos esmorecer, continuarei percorrendo o Estado para mostrar à população como o Brasil mudou e que Lula foi o melhor presidente que esse país já teve”, pontuou Humberto Costa.

PT já é o maior partido de oposição do Brasil, afirma Humberto

Humberto: Esses golpistas não terão um dia de trégua. Vamos fazer um embate consistente e de qualidade nas ruas e dentro do Congresso Nacional. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Humberto: Esses golpistas não terão um dia de trégua. Vamos fazer um embate consistente e de qualidade nas ruas e dentro do Congresso Nacional. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

 

Um dia após o Senado destituir Dilma Rousseff da Presidência da República, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), reforçou a fala da ex-presidenta de que o partido fará uma oposição dura e firme ao governo de Michel Temer (PMDB). Humberto partiu de Brasília para São Paulo na manhã desta quinta-feira (1º), onde vai encontrar Lula, juntamente com outros dirigentes partidários, para dar início ao enfrentamento político com os novos ocupantes do Palácio do Planalto.

“Esses golpistas não terão um dia de trégua. Vamos fazer um embate consistente e de qualidade nas ruas e dentro do Congresso Nacional. Mas, ao contrário do que eles fizeram com Dilma, não faremos oposição ao Brasil. Seremos oposição a eles, uma dura oposição a eles”, explicou o líder do PT.

Durante parte da tarde de ontem, Humberto esteve no Palácio da Alvorada com Dilma Rousseff, com a finalidade de conversar sobre o futuro com a ex-presidenta. “Ela é de uma força impressionante. Está bem, serena e com muita disposição para lutar, para registrar nas páginas da História toda essa trama sórdida que resultou num sórdido golpe parlamentar. Em breve, começa a viajar pelo país”, afirmou Humberto.

O líder do PT permanece em São Paulo até a sexta-feira, quando parte com destino ao Recife. Na capital e no interior de Pernambuco, o senador participará de uma intensa agenda política, que inclui a gravação de programas eleitorais e caminhadas com candidatos do PT e aliados que disputam as eleições municipais de outubro.

Vocês podem não gostar de Dilma, mas não a considerem criminosa, avisa Humberto a senadores

Líder do PT explicou que presidenta não adulava o Congresso, que pode golpeá-la em retaliação. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

Líder do PT explicou que presidenta não adulava o Congresso, que pode golpeá-la em retaliação. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

 

Em discurso nos momentos finais antes do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, previsto para esta quarta-feira (30), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), fez um último apelo para que os parlamentares da Casa não punam a presidenta por um crime de responsabilidade que ela não cometeu e, assim, não rasguem a Constituição Federal.

Humberto afirmou que o Senado tem a oportunidade de impedir “essa tragédia” ao rejeitar a denúncia contra Dilma e ao que ele chamou de violência ao Estado democrático de Direito. “Não podemos agir como se fôssemos verdadeiros cretinos. Não podemos condená-la por crime que não cometeu. Seria uma vergonha para o parlamento brasileiro e para o país inteiro”, disse.

Ele apelou para que os colegas não violentem a honra, a integridade e a trajetória de uma mulher como Dilma. Segundo ele, o país vive, hoje, a maior farsa da história recente nacional. “Temos uma decisão importante na mão: podemos entregar o Brasil a um usurpador (Michel Temer) que não tem apoio do povo e desprezar a democracia ou manter uma presidenta honesta que foi colocada onde está por meio de 54 milhões de votos”, ressaltou.

O líder do PT acredita que os parlamentares poderão, amanhã, “eleger Temer presidente da República sabendo quem ele é, o que é um agravante”. “Não nos façamos de desentendidos. Foi Dilma que o escolheu na chapa, com o atenuante de que o não conhecia e foi traída. Mas serão os senhores e as senhoras que poderão viabilizá-lo no cargo”, disparou.

Ele voltou a defender a realização de um plebiscito para que a população possa escolher se antecipa as eleições presidenciais com o objetivo de estancar a crise política e dar legitimidade ao chefe do Poder Executivo e também foi sincero ao admitir que o estilo da presidenta era motivo de críticas por parte, inclusive, de aliados dela. Apesar da crítica, Humberto a defendeu.

“A verdade é que este Congresso Nacional nunca a engoliu, pois não aceitava o seu modo de lidar com a rotina parlamentar, com a sua falta de gosto de fazer a corte com aqueles que ficam encantados com os corredores do Palácio do Planalto e pelo seu pouco tato em negociar cargos e emendas em troca de apoio político. Ela é diferente no trato político”, ponderou. “Mas criminosa, não. Não considerem uma mulher honrada como criminosa simplesmente porque não gostam do jeito como ela faz política.”

De acordo com o líder do PT, o comportamento da petista pode ser explicado por alguns motivos, entre eles o fato de ter assumido o primeiro cargo eletivo na vida e a sua própria trajetória, em grande parte na clandestinidade, combatendo o regime militar. “Certamente ela é menos flexível e, como dizia um ministro dela, não gosta de rodar o bambolê. Mas nada disso retira a ilegitimidade do processo. Estamos vivendo um golpe parlamentar.”

Humberto disse desconhecer qual será o resultado do julgamento, mas que tem uma certeza: será uma vitória de Pirro caso Dilma seja afastada. “Espero que nós alcancemos 28 votos. Mas, se os patrocinadores desse golpe ganharem, será uma vitória com alto preço e prejuízos irreparáveis”, analisou.

O líder do PT ainda classificou como vergonhoso o fato de os “golpistas” terem patrocinado movimentos organizados com dinheiro dos partidos e empresários para desestabilizar Dilma. “Iludiram milhões de pessoas nas ruas, que marcharam atrás de patos amarelos. Agora, amarelos são os sorrisos em suas faces porque viram que os patos foram elas”, comentou.

Para Humberto, Dilma fez discurso histórico contra condenação injusta

Para Humberto, Dilma mostrou  que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Para Humberto, Dilma mostrou que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Depois de recepcionar a presidenta Dilma Rousseff na entrada do Senado Federal na manhã desta segunda-feira (29), onde ela ganhou flores e gritos de apoio, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), assistiu atentamente aos mais de 40 minutos do discurso de defesa da presidenta no plenário e o classificou como histórico.

“Dilma foi contundente, verdadeira e teve a humildade e a coragem de se defender de um processo absolutamente inconstitucional, liderado por setores da elite nacional”, afirmou Humberto.

Para o senador, que defendeu no plenário o direito de liberdade de expressão de Dilma perante o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, a chefe do Poder Executivo brasileiro mostrou aos parlamentares, que irão julgá-la nesta semana na etapa final do impeachment, que todo o processo de seu afastamento é resultado de uma trama com todas as características de golpe de Estado,

Dilma lembrou que o procedimento foi iniciado a partir de uma chantagem explícita feita pelo então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) – afastado do mandato pelo STF após ser considerado “delinquente”.

“A presidenta Dilma foi corajosa ao vir ao Senado e pedir a nós, parlamentares, que votem pela democracia para fazer justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu ato ilegal, na vida pessoal ou funções públicas que exerceu. Ela reiterou que jamais haverá justiça na sua condenação, pois o processo está marcado por clamoroso desvio de poder, que explica absoluta fragilidade das acusações”, afirmou Humberto.

Segundo o senador, diante de um plenário lotado, que contou com a presença do ex-presidente Lula e do compositor Chico Buarque na galeria, Dilma foi contundente, verdadeira e transparente ao trazer tantos temas caros à sua vida, inclusive pessoal, aos brasileiros. Ela chegou a se emocionar em alguns momentos, principalmente quando lembrou que superou uma doença grave (câncer) e foi torturada na ditadura por militares quando lutava por democracia.

“A presidenta ressaltou que arquitetaram a sua destituição, independentemente da existência de fatos que pudessem justificá-la perante a nossa Constituição. Estamos a um passo de uma grave ruptura institucional, a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado. Ironia da história? Respondeu que não. Trata-se de ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira”, disparou.

O líder do PT no Senado observou que os senadores serão lembrados para a história pelas decisões que irão tomar sobre o impeachment de Dilma. De acordo com o parlamentar, como disse a presidenta, cedo ou tarde, todos acabarão pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.

Humberto está inscrito para fazer perguntas à presidenta na sessão desta segunda-feira. Dilma deve acabar de responder aos questionamentos dos senadores na noite de hoje.

No Senado, depoente diz que Dilma foi “excessivamente responsável” com contas públicas

Líder do PT, Humberto Costa afirma que economista deu mais um atestado de idoneidade a Dilma. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Líder do PT, Humberto Costa afirma que economista deu mais um atestado de idoneidade a Dilma. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

Um dos maiores economistas do país, o professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou, categoricamente, que a presidenta Dilma Rousseff “foi excessivamente responsável com as contas públicas e teve excesso de responsabilidade fiscal” em sua gestão. “Muito ao contrário (do que os acusadores de Dilma falam), não houve pedalada, houve ‘despedalada’”, afirmou.

Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a declaração dada nesta sexta-feira (26), durante sessão de julgamento do processo de impeachment da presidenta, desmonta completamente a principal versão da acusação: de que Dilma agiu de forma irresponsável ao praticar as chamadas pedaladas fiscais e editar os decretos de suplementação orçamentária.

“Eles acusam a presidenta de ter feito uma farra fiscal e de ter maquiado as contas públicas para ganhar a eleição. Mas ao contrário desse discurso arranjado golpista de quem não ganha nas urnas e quer derrubar a democracia no tapetão, o professor Belluzzo deu uma aula no plenário do Senado”, disse Humberto.

Durante o depoimento no plenário do Senado, o economista – que é crítico da condução da política econômica do governo Dilma – explicou que, “ao contrário do que aconteceu da suposição de que Dilma cometeu um crime de responsabilidade, na verdade, ela procurou correr atrás da queda, e correr atrás da queda não deu certo”.

“Como as pessoas não compreendem a complexidade das coisas, elas acham que isso é assim: faz o corte. Na sua casa, pode ser assim: você faz o corte, melhora a sua situação fiscal porque a tua renda vem de outro, só que a renda do governo vem do seu próprio gasto na medida em que ele recolhe 37% disso sob a forma de impostos”, detalhou Belluzzo.

Para Humberto, o entendimento da acusação de que Dilma desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é tão equivocado que pode prejudicar, inclusive, os futuros gestores estaduais e municipais.

“Eles criminalizam a execução de um tipo de política econômica do país que simplesmente discordam. A meta fiscal do governo Dilma foi cumprida ao final do ano de 2015. Só que eles querem que a meta seja cumprida bimestralmente e isso não existe na LRF”, ressaltou.

Senado aprova proposta que dá cheque em branco para Temer, diz Humberto

 Líder do PT afirma que desvincular 30% das receitas pode prejudicar áreas sociais. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Líder do PT afirma que desvincular 30% das receitas pode prejudicar áreas sociais. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite à União utilizar livremente 30% de sua arrecadação anual, até 2023, deverá ser promulgada nas próximas semanas. Aprovada na quarta-feira (24) pelo Senado por 54 votos favoráveis e 15 contrários, a medida também estabelece a desvinculação de receitas dos estados e municípios.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), concordou com a desvinculação das receitas dos estados e municípios, mas votou contra a proposta – e orientou o partido a fazer o mesmo – porque, segundo ele, a base parlamentar do presidente interino Michel Temer (PMDB) descumpriu um acordo firmado ainda durante o governo Dilma.

Humberto disse que o acordo surgiu por uma ideia, inclusive, da então oposição à presidenta, de estabelecer a desvinculação de 25% dos recursos.

“Agora, na condição de integrantes do governo interino, eles adotam a desvinculação de 30% do orçamento, cinco pontos percentuais. Descumpriram o que acordamos e não podemos concordar com isso. Por isso, votamos contra a DRU”, declarou.

A expectativa é que a medida libere R$ 117,7 bilhões para uso do Executivo apenas este ano, sendo R$ 110,9 bilhões de contribuições sociais, R$ 4,6 bilhões da Cide e R$ 2,2 bilhões de taxas. Esse valor poderá ser usado para o cumprimento da meta de resultado primário, que prevê um déficit de R$ 170 bilhões até dezembro, e para a redução da dívida pública no âmbito da União.

Para Humberto, a prorrogação da DRU para 2023 com esse percentual de 30% significa dar um cheque em branco para o governo interino. Ele diz que, caso haja mudanças nos parâmetros constitucionais e infraconstitucionais que norteiam o processo de definição dos gastos sociais, a desvinculação de 30% das receitas das contribuições poderá em prazo reduzido, antes mesmo de 2023, comprometer a capacidade de financiamento social e, portanto, a ampliação e qualidade da oferta destes serviços públicos.

Salários
Durante a sessão do Senado, o líder do PT na Casa ainda votou a favor do projeto que veda o aumento das despesas com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato de um chefe do Executivo, como presidente da República, governador ou prefeito.

Humberto explica que o objetivo da medida é proibir uma prática reiterada em diversos entes da federação, em que o chefe do poder Executivo realiza aumento das despesas com pessoal com repercussões financeiras em mandatos seguintes.

“Esse tipo de aumento nos gastos no fim do mandato pode comprometer seriamente a gestão financeira dos futuros governantes. A ideia é pôr um fim a essa prática”, afirmou Humberto. O texto seguiu para a Câmara dos Deputados.

Julgamento de Dilma começa hoje e Humberto aposta em virada

Humberto: Temos de ter responsabilidade com a democracia do país. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Temos de ter responsabilidade com a democracia do país. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

Confiante de que é possível reverter votos de senadores para barrar o impeachment de Dilma Rousseff, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou nesta quinta-feira (25), data em que se inicia o julgamento final da presidenta, que a falta do crime de responsabilidade ficará evidenciada e os parlamentares terão consciência para fazer uma análise justa sobre os fatos que constam da denúncia.

“Nós, senadores, atuaremos como juízes. Temos de ter responsabilidade com a democracia do país e decidir se a presidenta cometeu ou não crime de responsabilidade – fundamental para o afastamento definitivo de um chefe do Executivo – pela edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e por atrasos de repasses do Plano Safra ao Banco do Brasil”, resumiu.

Para Dilma ser impedida de exercer a Presidência da República de forma definitiva, são necessários pelo menos 54 votos dos 81 senadores. Caso contrário, ela será absolvida e reassumirá o cargo imediatamente. “Vimos nos últimos dias que o presidente golpista Michel Temer (PMDB) está preocupado com o resultado do julgamento. Ele tem se reunido com parlamentares e fazendo promessas para garantir uma vitória, que, aliás, já tem anunciado como certa. Estamos lutando para isso não acontecer”, afirmou Humberto.

A sessão de julgamento terá início pela arguição de oito testemunhas, sendo duas da acusação e seis da defesa. As duas de acusação serão ouvidas nesta quinta-feira: Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), e Antonio Carlos Costa D’Ávila Carvalho Junior, auditor federal de controle externo do TCU.

Uma testemunha de defesa também deverá ser inquirida no dia de hoje. Os seis são: Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Geraldo Luiz Mascarenhas Prado, consultor jurídico; Nelson Barbosa, ministro do Planejamento e da Fazenda de Dilma; Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento Federal; Luiz Cláudio Costa, secretário executivo do Ministério da Educação no governo Dilma; e Ricardo Lodi, advogado e professor de graduação e pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Cada testemunha será ouvida separadamente no plenário do Senado, em depoimentos que continuarão nesta sexta-feira (26), podendo avançar pelo sábado e domingo, se necessário, de forma a estarem concluídos no fim de semana. Senadores inscritos junto à Secretaria-Geral da Mesa a partir de 24 horas antes do início da sessão terão o tempo de seis minutos para fazer perguntas, seguidas de seis minutos para que a testemunha responda.

A acusação e a defesa terão dez minutos cada para formular suas perguntas diretamente às testemunhas, divididos em seis minutos iniciais e quatro para esclarecimentos complementares. As testemunhas terão o mesmo tempo e sistemática para as respostas.

Quem preside a sessão é o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Ficará ao lado dele, no plenário do Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Humberto participa do ato Fora, Temer/Não ao golpe no Recife

Líder de Dilma estará nas ruas com a militância para denunciar ilegitimidade do governo interino de Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Líder de Dilma estará nas ruas com a militância para denunciar ilegitimidade do governo interino de Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

Líder do Governo Dilma no Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE) participa, nesta sexta-feira (10), no Recife, do ato nacional Fora, Temer/Não ao golpe, que ocorre em todo o país em protesto contra o governo interino de Michel Temer (PMDB). Na capital pernambucana, a concentração começa às 16 horas, na Praça do Derby.

A manifestação acontecerá, simultaneamente, em todas as capitais brasileiras e vai denunciar a ilegitimidade da gestão do peemedebista e os retrocessos ocorridos nas últimas semanas nas áreas sociais, especialmente na saúde, educação e nos direitos trabalhistas e previdenciários.

No Recife, o evento está sendo organizado pela CUT, Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, movimentos sociais, organizações populares e partidos de esquerda. “Vai ser um grande ato de dimensão nacional contra esse governo biônico, que, com menos de um mês, já mostrou a que veio: promover retrocessos. Se uniu com o que há de pior na política, age para acobertar delinquentes com contas na Suíça, como Eduardo Cunha, constrói um governo sem nenhuma representação social e ameaça conquistas históricas da população, como o ProUni, o Minha Casa Minha Vida e o SUS”, afirmou o senador.

Segundo Humberto, a mobilização das ruas é crescente e deve pressionar senadores a votarem contra o afastamento definitivo de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. “Há um desejo que só faz aumentar na nossa sociedade pelo retorno da presidenta Dilma. O governo provisório é um completo desastre. Por isso, mais do que nunca, a mobilização é fundamental. Precisamos ocupar as ruas, as redes, conscientizar aqueles que ainda não entenderam o que está em risco. Golpistas não passarão”, defendeu o senador.

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