José Guimarães

No Conselho da República, Humberto diz que governo não justifica intervenção e desconhece realidade

Para Humberto, a decisão do governo de intervir no Rio de Janeiro não foi baseada em evidências e dados concretos sobre a criminalidade no Estado. Foto: Marcos Corrêa / PR

Para Humberto, a decisão do governo de intervir no Rio de Janeiro não foi baseada em evidências e dados concretos sobre a criminalidade no Estado. Foto: Marcos Corrêa / PR

 
Integrante do Conselho da República, órgão previsto na Constituição Federal para tratar de temas de alta gravidade para do país, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou, em reunião do grupo na manhã desta segunda-feira (19), a desorganização e o desconhecimento do governo Temer com a real situação do Brasil.

Para Humberto, que esteve no encontro no Palácio da Alvorada, a decisão do governo de intervir no Rio de Janeiro não foi baseada em evidências e dados concretos sobre a criminalidade no Estado, mas, sim, pelo calor do momento, com registro de imagens de violência no carnaval.

O senador explicou que sete integrantes do Conselho da República, composto hoje por nove membros, manifestaram-se a favor da intervenção. Ele e o deputado José Guimarães (PT-CE), líder da Oposição na Câmara, se abstiveram, tendo em conta que os partidos de oposição ainda não fecharam uma posição conjunta sobre o tema.

Humberto disse que Temer e seus ministros não conseguiram explicar os motivos pelos quais tomaram a decisão, agora, de intervir no Rio de Janeiro. Segundo o líder da Oposição no Senado, eles também não falaram sobre o resultado de outras operações realizadas pelas Forças Armadas na unidade federada, não informaram sobre a previsão de gastos orçamentários e quanto será liberado pela União e desconsideraram a opinião do conselho antes da edição do decreto.

“Nós, da oposição, perguntamos a eles sobre tudo isso e não obtivemos nenhuma resposta. Não há qualquer análise de planejamento sobre o resultado que se espera a curto ou médio prazo. Na ausência de todas essas informações e diante do fato do Conselho da República ter sido chamado a ser ouvido só depois do decreto, nós consideramos adequado votar contra a medida no Congresso Nacional”, resumiu Humberto.

O parlamentar afirmou que o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), se limitou a mostrar quatro matérias de jornais para justificar a intervenção federal no Rio. De acordo com Humberto, ele não tratou de dados objetivos, como se houve crescimento no número de homicídios no Estado, se os dados são mais graves em comparação com outras unidades da Federação, o que mudou nos últimos meses, por exemplo

“Essa decisão do governo foi tomada muito mais pelo calor do debate e pelas cenas do Carnaval do que efetivamente por algo organizado e planejado. O governo demonstra alto grau de desorganização e a intervenção não é baseada em evidências e dados sobre a criminalidade no Rio”, concluiu.

O líder da Oposição avalia que não há qualquer argumento que justifique a intervenção da noite para o dia e que esse instrumento deveria ter sido o último a ser utilizado, depois de todos os demais terem sido esgotados.

Lula e o PT estão prontos para um novo Brasil, garante Humberto

Humberto: O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT. Foto: Assessoria de Comunicação

Humberto: O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT. Foto: Assessoria de Comunicação

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou nesta quinta-feira (29) que o partido e o ex-presidente Lula estão prontos para trabalhar por um Brasil que entra em um novo ciclo histórico de desenvolvimento. O parlamentar participou da reunião do Diretório Nacional do PT em Brasília e afirmou que o ex-presidente ainda tem muita saúde, disposição e inteligência para liderar o partido e superar a crise do atual momento.

“Enquanto ele viver, a oposição vai ter que aturar a sua presença e influência. Ele mesmo disse: o partido sempre reage como fênix quando é colocado em xeque e volta mais forte depois. O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT”, disse Humberto.

De acordo com o parlamentar, a militância da legenda, que o recebeu com um emocionante “parabéns para você” no evento, não precisa ficar com pena em relação aos ataques torpes que sofre.
“Se tem uma coisa que ele aprendeu na vida, como bem disse, é enfrentar a adversidade. Lula está pronto para enfrentar os desafios e sobreviverá a tudo isso”, avalia Humberto.

Para o senador, o discurso empolgante e bem-humorado de Lula deixou claro que a oposição tem de respeitar o legado do PT e “não entrar de salto alto” nas eleições de 2016 e 2018. O líder do PT acredita que o partido não deve se deixar abater pelo atual momento e tem de continuar defendendo as medidas adotadas pela presidenta Dilma, principalmente nas ruas.

“A nossa militância tem de debater com as pessoas, olho no olho, sobre as conquistas que alcançamos desde que chegamos ao poder em 2003. O país mudou radicalmente e temos de falar sobre isso”, observa.

“Sabemos das dificuldades que enfrentamos atualmente, mas é importante manter a cabeça erguida e mostrar os avanços sociais e econômicos que alcançamos neste país nos últimos anos, graças à implementação de políticas exitosas e do esforço do povo brasileiro”, complementou.
De acordo com Humberto, o ex-presidente Lula agiu corretamente ao cobrar prioridade total dos parlamentares da sigla para aprovar as medidas encaminhadas pela presidenta Dilma ao Congresso Nacional.

Responsável por dar um informe a respeito da situação política no Senado no encontro do PT hoje, o parlamentar garantiu que o clima na Casa é atualmente favorável à governabilidade. Segundo ele, que discursou por cerca de dez minutos no encontro petista, as condições políticas para a apreciação de propostas de interesse do Governo Federal a fim de retomar o crescimento econômico do país estão mais aceitáveis agora.
“A situação é muito mais confortável hoje do que a vivenciada pouco tempo atrás. Nosso objetivo é tentar preservar essas boas relações e a governabilidade. Estamos construindo tudo com muito diálogo”, declarou.

O senador citou como exemplo a aprovação ontem, com facilidade, da proposta do Governo que cria o Programa de Proteção ao Emprego. O texto, fundamental para a preservação do trabalho formal e da renda do trabalhador brasileiro, segue à sanção presidencial.

Além de Lula e Humberto, participaram do encontro o presidente do PT, Rui Falcão; os governadores Wellington Dias (PI) e Tião Viana (AC); o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE); o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), entre outros.

No início da sessão, os petistas fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao ex-presidente do PT José Eduardo Dutra, falecido recentemente.