Líder do Governo

Se Dilma for afastada, o PT será o maior partido de oposição do Brasil, diz Humberto

Humberto garante que PT fará oposição dura e responsável a Temer. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

Humberto garante que PT fará oposição dura e responsável a Temer. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

 

Ciente da dificuldade de rejeitar, no plenário do Senado, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma, o líder do Governo na Casa, Humberto Costa (PT-PE), declarou nesta quarta-feira (11) que o partido atuará na oposição de forma responsável com o Brasil, ao contrário do que fizeram “partidos como o PSDB e DEM com a gestão petista”.

“Faramos uma oposição muito firme, que vai permanentemente denunciar o golpe que está sendo perpetrado contra a democracia no país. Mas será uma oposição que não vai repetir a oposição que foi feita a nós, quando os principais partidos apostaram no quanto pior, melhor e patrocinaram as chamadas pautas-bomba para gerar desequilíbrio fiscal e orçamentário”, afirmou. “Seremos o maior partido de oposição do Brasil, e não ao Brasil, como foram o PSDB e o DEM.”

Para Humberto, a oposição se associou ao corporativismo mais atrasado para criar dificuldades ao Governo e ao Brasil e, com isso, gerou, além de instabilidade política, dificuldades econômicas. “Não seremos do campo da oposição ao país. Muito pelo contrário, iremos batalhar para garantir que cumpram esses compromissos que eles estão assumindo e cobrar todo o atraso que vão provocar”, ressaltou.

O parlamentar observou que, após 13 anos no poder, o PT adquiriu experiência de estrutura de Estado que permite ao partido, agora, ter ampla dimensão sobre as facilidades e dificuldades da gestão pública. “Eu defendo que a nossa oposição seja muito em cima de proposta. Não vamos fazer uma oposição em abstrato, como ‘ah, derruba o Temer’. Se a gente quer avançar, vai ter que ser em cima das visões, das concepções”, disse.

Ele reiterou que a sigla não reconhece a legitimidade de um eventual governo Michel Temer, que, segundo ele, usurpou o poder. “Não vejo o PT se dispor a sentar com esse conspirador-geral da República. Não faz nenhum sentido imaginar que o PT vai colaborar com um governo que é fruto de um golpe contra o PT”, comentou.

A sessão do plenário do Senado que aprecia a admissibilidade do processo de afastamento da presidenta Dilma começou, na manhã desta quarta-feira, com a apresentação de cinco questões de ordem feitas por senadores governistas. Eles defenderam, entre outras coisas, a suspensão do processo até que o Supremo Tribunal Federal se manifeste sobre o mérito do mandado de segurança impetrado pela Advocacia-Geral da União. Para o órgão, o processo tem vício de origem.

Caso os senadores aprovem a admissibilidade do procedimento contra a presidenta, ela ficará afastada por até 180 dias até que o Senado julgue, de forma definitiva, o processo. Até lá, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), assume o Palácio do Planalto.

Senado tem de enterrar processo contra Dilma maculado por Cunha, diz Humberto

Humberto: senadores poderão fazer história se enterrarem processo de impeachment maculado por Cunha. Foto: Agência Senado

Humberto: senadores poderão fazer história se enterrarem processo de impeachment maculado por Cunha. Foto: Agência Senado

 

A um dia da votação do relatório que pede o afastamento de Dilma na comissão especial do impeachment do Senado, o líder do Governo na Casa, Humberto Costa (PT-PE), declarou que os parlamentares terão a chance de enterrarem “esse processo construído a partir de mentiras e concepções falsas, maculado desde a sua origem por um chantagista afastado hoje de suas funções”.

Para Humberto, o Senado deveria fazer um tributo à seriedade e suspender a continuidade da denúncia conduzida de forma absolutamente vingativa e equivocada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
“Isso configura desvio de poder. A decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou contra ele na tarde de hoje, por 11 a 0, é uma demonstração cabal de que esse cidadão não tinha autoridade moral e política para conduzir um processo com essa seriedade. Por isso, todos os atos cometidos por ele deveriam ser suspensos”, afirmou. Os ministros do STF devem analisar, nos próximos dias, ação que trata da anulação dos atos de Cunha.

Na avaliação de Humberto, é inadmissível impedir um mandato presidencial conquistado democraticamente nas urnas pela maioria do povo brasileiro por conta somente de decretos de suplementação orçamentária e de atrasos de pagamentos do Governo ao Banco do Brasil (pedaladas fiscais).

“Veja que coisa estranha: uma presidente considerada criminosa que, para ser condenada, eles tiveram que fazer uma pesquisa para ir atrás de seis decretos. Trata-se de R$ 1,8 bilhão em recursos adicionais no orçamento. Pergunto: esse dinheiro foi apropriado pela presidenta? Foi roubado? Esse recurso foi malversado? Foi usado em corrupção? Não, senhores”, disparou. A verba, ressaltou, serviu, inclusive, para uso do poder Judiciário.

De acordo com o líder do Governo, cassar uma presidenta eleita por 54 milhões de eleitores devido aos decretos e às pedaladas é um absurdo. “O verdadeiro crime é esse. Esse é o verdadeiro crime que está acontecendo no Brasil hoje”, comentou. O parlamentar vê a tentativa de derrubar Dilma como uma jogada suja de mão em uma partida de futebol.

“Por isso, no meu entendimento, trata-se, efetivamente, de um golpe. Portanto, aqueles que votarão amanhã precisam votar com essa consciência de que a história vai julgá-los. Não se tira uma chefe de Estado com base em impopularidade e supostos atos administrativos irregulares”, acredita.
O senador diz que os integrantes da comissão deveriam pensar, na hora da votação, sobre o precedente que está sendo aberto. “Não importa se virá o Temer depois, se o Aécio for candidato e ganhar em 2018, ou se for Lula. Não é isso. Nós estamos abrindo uma porteira que talvez não possa mais ser fechada lá na frente, porque toda oposição parlamentar com dois terços no Legislativo vai querer derrubar um governo impopular em tudo quanto é município e estado do Brasil”, alertou.