Movimento dos Sem-Terra

Ao lado de lideranças do PT e governadores, Humberto participa do registro de Lula em Brasília

Para Humberto, o ato foi uma enorme demonstração da força política de Lula que, preso há mais de quatro meses em Curitiba, segue líder em todas as pesquisas de opinião para presidente. Foto: Ichiro Guerra

Para Humberto, o ato foi uma enorme demonstração da força política de Lula que, preso há mais de quatro meses em Curitiba, segue líder em todas as pesquisas de opinião para presidente. Foto: Ichiro Guerra

 

A Esplanada dos Ministérios ficou pequena para a marcha de mais de 10 mil pessoas, segundo cálculos dos organizadores, que foram a Brasília para participar, na tarde desta quarta-feira (15), do registro da candidatura de Lula à Presidência da República. Ao lado de Fernando Haddad, registrado como vice, de lideranças do PT e de governadores, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), acompanhou a multidão até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para Humberto, o ato foi uma enorme demonstração da força política de Lula que, preso há mais de quatro meses em Curitiba, segue líder em todas as pesquisas de opinião para presidente. O líder da Oposição, que participou de uma coletiva na sede do PT ao lado de governadores do partido, do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e da presidente nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), acredita que a Justiça Eleitoral enfrentará uma grande crise de confiança se impugnar o registro de candidatura.

“Lula foi condenado em um processo político que, a cada dia, mostra seu lado mais repulsivo. Recentemente, ficamos sabendo, pelo diretor-geral da Polícia Federal, da imensa articulação para impedir a soltura do presidente, mesmo havendo um habeas corpus em seu favor. Se o TSE rejeitar o registro de uma candidatura de um cidadão cuja condenação injusta está subjudice, incorrerá numa vergonha sem precedentes”, afirmou o senador.

O depósito do registro da candidatura, que tem o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como vice, também contou com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), candidata ao Senado por Minas Gerais, e da deputada estadual gaúcha Manuela D´Avila (PCdoB), que assumirá a vice de Lula quando o registro for confirmado.

Do lado de fora do TSE, milhares de manifestantes de todo o país – especialmente integrantes do Movimento dos Sem-Terra, que chegaram à capital federal em três grande colunas – acompanharam a entrega dos documentos para formalizar a candidatura de Lula e, depois, assistiram à presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), apresentar o recibo emitido pela Justiça Eleitoral confirmando o depósito da papelada exigida para formalizar o ingresso oficial do partido na corrida presidencial.

Ultimo dia da agenda de Lula em Pernambuco começa em Caruaru

Humberto: Realmente vemos como o presidente Lula é querido. Onde quer que vá, seja em Petrolina, Carpina, Caruaru ou Recife, ele leva um grande público que vem escutar o que ele tem a dizer. Foto: Assessoria de Imprensa

Humberto: Realmente vemos como o presidente Lula é querido. Onde quer que vá, seja em Petrolina, Carpina, Caruaru ou Recife, ele leva um grande público que vem escutar o que ele tem a dizer. Foto: Assessoria de Imprensa

 
O terceiro dia da agenda em Pernambuco do ex-presidente Lula começou logo cedo, em Caruaru. O líder do governo Dilma no Senado, Humberto Costa, acompanhou a agenda junto com o presidente que chegou na região do Agreste pela manhã e começou no Grande Hotel, onde participou de um encontro com o prefeito Zé Queiroz e lideranças da região.

No auditório do hotel, Lula falou da importância de manter Dilma na Presidência da República para que o povo mais necessitado volte a ter vez no Brasil. “Eu ando meio ‘acabrunhado’ nas minhas últimas andanças. O brasileiro sempre foi alegre e feliz, e o que estou vendo ultimamente é que vocês estão sem esperança com esse governo que está aí agora. Esse pessoal não deu um Golpe na Dilma. Eles deram um Golpe foi no povo brasileiro”, falou Lula em seu discurso. Ele também pediu que todos se empenhem em mandar mensagens e cobrar dos senadores que votaram pelo impeachment. “Agora que todo mundo usa o Whatsapp é preciso que vocês enviem mensagem para os senadores que votaram a favor do Golpe dizendo que querem a Dilma de volta, não podemos descansar um dia só”.

Lula e Humberto seguiram para a Praça da Criança, no centro de Caruaru, para participar do ato da Caravana da Frente Brasil Popular onde falaram diversos dirigentes dos movimentos sociais. O ex-presidente levantou o público quando lembrou sua trajetória até chegar à Presidência da República.
“Temer deveria aprender comigo, perdi quatro eleições e não fui protestar nas ruas. Eu viajei o Brasil inteiro me preparando para ganhar no voto e não entrar por trás como ele fez”, afirmou o petista.

Lula fez questão de agradecer o empenho de Humberto no Senado, pela luta que está travando na Casa Alta pela volta da presidenta afastada “Esse senador aqui votou a favor de Dilma e está trabalhando pra que esse Golpe não passe”.

Do centro de Caruaru, a comitiva seguiu para um almoço no Assentamento Normandia que é coordenado pelo Movimento dos Sem Terra. Lá, o ex-presidente conheceu as plantações do assentamento e a Agroindústria de Beneficiamento de Raízes e Tubérculos do local. Lula almoçou com lideranças dos movimentos agrários

O senador Humberto avaliou como positiva a agenda de Lula em Caruaru. “Realmente vemos como o presidente Lula é querido. Onde quer que vá, seja em Petrolina, Carpina, Caruaru ou Recife, ele leva um grande público que vem escutar o que ele tem a dizer. Mas o discurso é um só: não podemos deixar esse Golpe passar. O Brasil não pode retroceder e perder todas as conquistas que teve nos últimos 13 anos. Não podemos descansar um só dia”, bradou o senador petista. De Caruaru Lula e Humberto seguem para Recife onde participam do grande ato de encerramento da Caravana Popular na Av. Rio Branco, centro da cidade.

Humberto repudia agressão a Stédile em Fortaleza

Humberto: Stédile foi agredido de forma premeditada por um grupo de pessoas que compõe um desses movimentos que coordenam essa mobilização pelo impedimento da presidente Dilma. Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado.

Humberto: Stédile foi agredido de forma premeditada por um grupo de pessoas que compõe um desses movimentos que coordenam essa mobilização pelo impedimento da presidente Dilma. Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), foi à tribuna do plenário nesta quarta-feira (23) prestar a sua solidariedade ao líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, e repudiar a ação de um grupo de aproximadamente 30 pessoas, coordenado por um integrante do PSDB, que agrediu Stédile na madrugada de hoje no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza.

“Quero registrar aqui o meu repúdio a uma agressão da qual foi vítima o dirigente nacional do MST ao desembarcar na capital cearense. Ele foi agredido de forma premeditada por um grupo de pessoas que compõe um desses movimentos que coordenam essa mobilização pelo impedimento da presidente Dilma”, afirmou.

Parlamentares de diversos partidos aproveitaram o discurso de Humberto e também manifestaram apoio ao militante dos direitos sociais.
Para Humberto, que assinou manifesto de repúdio junto com movimentos sindicais, populares, pastorais sociais e intelectuais comprometidos com o combate à desigualdade social, as cenas registradas em celulares e difundidas na internet são mais uma demonstração do clima de intolerância política que existe atualmente no país.

“Esse clima é patrocinado por muitos desses que, em nome de uma pseudodemocracia, agridem pessoas em espaços públicos. Mas, na verdade, precisam ter um basta”, declarou. Segundo ele, o Brasil é um país que tradicionalmente se marca pela tolerância política, social, religiosa, racial, mas que vive hoje momento conturbado.

“Nós vemos o nosso país transformado em um espaço de expressão de ódio por uma minoria que não aceita a convivência democrática. Eles desrespeitam o voto popular e rompem com a legalidade democrática”, disse.

Stédile desembarcou na capital do Ceará para participar, como convidado de diversas entidades, de um congresso sindical e de uma atividade sobre reforma política e combate à corrupção. Porém, foi recebido por um grupo que bradou gritos de ódio e diversos xingamentos. O líder do MST estava acompanhado da esposa.

De acordo com o MST, a ação foi comandada pelo empresário do ramo imobiliário Paulo Angelim, militante do PSDB. O líder do Governo no Congresso Nacional, senador José Pimentel (PT-CE), afirmou, em aparte ao discurso de Humberto, que conhece parte das pessoas que estavam hostilizando Stédile.

Segundo ele, são pessoas da base da ditadura militar que perderam espaço e “filhotes e herdeiros” daquele período que não aceitam a democracia. “Eles não representam o povo cearense, que é acolhedor e ordeiro, como o povo brasileiro”, disse a Humberto.

Um conjunto de movimentos também manifestou solidariedade a João Pedro Stédile na tarde desta quarta. Por meio de nota, as diversas entidades e personalidades afirmaram que a “agressão só pode ser compreendida como parte de uma ofensiva conservadora da direita na sociedade que busca criminalizar e intimidar todos(as) aqueles (as) que lutam por um Brasil justo e soberano”.