Nicolás Maduro

Isolar a Venezuela é mais um erro de Temer, denuncia Humberto no ParlaSul

Humberto: O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela.

Humberto: O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela.

Em Montevidéu, no Uruguai, onde representa o Brasil na 39º Reunião Plenária do Parlamento do Mercosul (ParlaSul), o senador Humberto Costa (PT-PE) teve uma reunião na noite dessa segunda-feira com parlamentares do bloco para discutir a situação da Venezuela. O consenso é de que é preciso investir no diálogo com o país vizinho para tentar debelar a crise que, entre outras coisas, tem levado ao desabastecimento, em prejuízo dos venezuelanos.

“O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela. Esse governo golpista e interino de Temer recebe a oposição venezuelana quase que às escondidas e se recusa a falar com o presidente Maduro. A falta de um diálogo claro e aberto prejudica as nossas relações, instiga a divisão no país e diminui o papel do Brasil”, avalia Humberto.

Durante esta terça-feira (21), o senador petista vai articular integrantes do ParlaSul para tentar aprovar uma resolução instando a abertura de canais de negociação entre os países do Mercosul com todas as forças políticas venezuelanas.

“Asfixiar a Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro é uma posição tão golpista quanto à brasileira. A América Latina tem de reagir a essa nova onda de deposição de governos legitimamente eleitos”, ponderou Humberto, que foi líder de Dilma no Senado.

Foi uma missão equivocada do começo ao fim, diz Humberto sobre senadores na Venezuela

Para Humberto, houve uma tentativa de interferir na política interna de outro país.   Alessandro Dantas/Liderança do PT

Para Humberto, houve uma tentativa de interferir na política interna de outro país. Alessandro Dantas/Liderança do PT

 

A missão encabeçada por senadores de oposição brasileiros à Venezuela para encontrar opositores do presidente Nicolás Maduro foi “um equívoco do começo ao fim” na avaliação do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Suplente na Comissão de Relações Exteriores (CRE) da Casa, Humberto afirmou que a CRE, presidida pelo PSDB, foi utilizada politicamente pela oposição.

“À direita brasileira interessa essa confraternização com a extrema direita venezuelana. Na agenda deles, não havia nem mesmo espaço para encontrar Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda, mas que é um opositor moderado do presidente Maduro”, avaliou Humberto. “O que os senadores brasileiros quiseram foi radicalizar lá do mesmo jeito que radicalizam aqui.”

A missão dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Ronaldo Caiado (DEM-GO), José Agripino (DEM-RN), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Sérgio Petecão (PSD-AC) e José Medeiros (PPS-MT) acabou virando um fiasco.

Diversos pontos de congestionamento nas rotas até Caracas e um protesto dos defensores do presidente Maduro fizeram os parlamentares desistir da visita e voltar a Brasília, poucas horas depois, no mesmo avião oficial em que partiram.

“Foi uma tentativa de interferir na política interna de outro país, por meio de um diálogo com o segmento mais radicalizado da direita da Venezuela”, disse Humberto. “Por que não se preocupam em ir aos Estados Unidos investigar a matança de negros pobres? Certamente, não teriam autorização nem pra decolar de solo brasileiro. E como nós reagiríamos a uma comissão de parlamentares americanos desembarcando aqui para se meter em assuntos internos nossos?”

Humberto relembrou as palavras da senadora Lúcia Vânia (sem partido – GO), proferidas no plenário do Senado nesta semana, quando anunciou sua saída do PSDB, depois de mais de duas décadas filiada ao partido. “Ressalto o discurso da senadora, que abandonou os tucanos por ‘não acreditar em uma oposição movida a ódio’, que promove um confronto ‘simplesmente irracional, adubando os caminhos para os extremos’ e ‘estimulando a violência’. Fazem isso aqui e quiseram fazer lá na Venezuela”, ressaltou o líder do PT.