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No Parlamento do Mercosul, Humberto condena escalada de autoritarismo no Brasil

Humberto: ão podemos permitir que uma entidade que se dizia sem posição partidária e sem financiamento de partidos políticos, duas grandes mentiras, como sabemos hoje, faça campanha contra a diversidade cultural no nosso país. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: Não podemos permitir que uma entidade que se dizia sem posição partidária e sem financiamento de partidos políticos, duas grandes mentiras, como sabemos hoje, faça campanha contra a diversidade cultural no nosso país. Foto: Roberto Stuckert Filho

Preocupado com o avanço de ações autoritárias no Brasil, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), denunciou, nesta segunda-feira (9), a nova escalada conservadora contra manifestações culturais, como exposições de arte e teatro, que, segundo ele, partem de entidades conservadoras, como o Movimento Brasil Livre (MBL), e de pré-candidatos de extrema direita à Presidência da República, como o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

“Temos visto que esse autoritarismo, que inclui o empastelamento de exposições de arte, o fechamento de museus e a tentativa de proibir a impressão de livros, encontra respaldo em parte do Ministério Público e do Judiciário brasileiros”, afirmou. A declaração foi feita à Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Mercosul, que está em sessão nesta segunda-feira (9), em Montevidéu, capital do Uruguai.

O senador ressaltou que a escalada conservadora no Brasil chega ao ponto de generais da ativa darem palestras e entrevistas à imprensa sugerindo intervenção militar, caso o país não consiga sair da crise que está vivendo.

“Além da corrupção e do caos social e econômico que o atual presidente Temer (PMDB) nos colocou, agora temos de lidar com essa censura às ricas manifestações artísticas que temos. É importante que o Parlasul esteja atento a esse movimento. Não podemos permitir que seja ampliado”, cobrou.

Humberto também criticou diretamente as iniciativas adotadas pelo MBL, entidade classificada por ele como de extrema direita, contra as exposições culturais realizadas em várias cidades do país. Recentemente, em Porto Alegre, uma mostra que tinha como objetivo valorizar a diversidade sexual por meio de temáticas LGBT foi fechada após questionamentos do grupo.

“Não podemos permitir que uma entidade que se dizia sem posição partidária e sem financiamento de partidos políticos, duas grandes mentiras, como sabemos hoje, faça campanha contra a diversidade cultural no nosso país. Eles querem proibir até a exibição de peças de teatro. Isso é um absurdo que não podemos concordar”, disse.

No discurso, o líder da Oposição ainda observou, junto aos parlamentares do bloco, que a tese defendida por Bolsonaro de que um país é melhor com os seus habitantes armados atrai seguidores. “Esse senhor já foi condenado por defender o estupro e por racismo, mas, hoje, infelizmente, ele ainda aparece em pesquisas de intenção de voto”, lamentou. “Esperamos que não por muito tempo.”

Humberto segue participando de reuniões e sessões deliberativas do Parlasul até esta terça-feira (10), quando retorna ao Brasil.

No Parlamento do Mercosul, Humberto denuncia dumping social do Brasil

Humberto alertou os integrantes do bloco para o início de uma concorrência desleal brasileira alcançada em cima dos direitos dos trabalhadores. Foto: Asscom HC

Humberto alertou os integrantes do bloco para o início de uma concorrência desleal brasileira alcançada em cima dos direitos dos trabalhadores. Foto: Asscom HC

 

A reforma trabalhista do governo Michel Temer (PMDB) – que precarizou as relações laborais no Brasil, com alterações em mais de 100 dispositivos da legislação – pode levar o país a praticar dumping social, uma prática rechaçada pelos organismos internacionais. A argumentação foi levada ao Parlamento do Mercosul (ParlaSul), em Montevidéu, no Uruguai, pelo líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que alertou os integrantes do bloco para o início de uma concorrência desleal brasileira alcançada em cima dos direitos dos trabalhadores.

“Essa reforma elimina direitos da classe trabalhadora. Barateia o capital humano. Ela vai promover a redução do emprego qualificado e a proliferação do subemprego. É uma distorção. Por isso, vimos com muita satisfação a manifestação do Uruguai junto ao Mercosul em razão dessa ameaça de prática desleal por parte do Brasil”, informou Humberto no plenário do ParlaSul.

Juntamente com outros parlamentares progressistas do bloco, o líder da Oposição vai acionar a Comissão de Relações Laborais do Mercosul para que discuta o tema e avalie se o que o governo Temer chama de “modernização das leis trabalhistas” não se configura como um artifício para que o Brasil pratique uma concorrência desleal de mercado, o que poderia até mesmo levar o país a ser acionado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na intervenção que fez no plenário do ParlaSul, Humberto também relatou aos colegas a rejeição pela Câmara dos Deputados da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra Michel Temer, o que classificou como triste episódio. “É lamentável que os deputados tenham ignorado as provas contundentes contra o presidente e resolvido enterrar qualquer possibilidade de investigação. Mas outras denúncias virão. E vamos observar como a Câmara vai se portar diante delas”, alertou o líder da Oposição.

Parlamento do Mercosul aprova relatório de Humberto condenando violência policial de Temer

Humberto: Trata-se de uma importante moção, que contou com apoio da esmagadora maioria, em meio à situação absurda pela qual passa o nosso país hoje. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: Trata-se de uma importante moção, que contou com apoio da esmagadora maioria, em meio à situação absurda pela qual passa o nosso país hoje. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

O plenário do Parlamento do Mercosul (ParlaSul) aprovou, na tarde desta segunda-feira (29), por 51 votos a 3, uma resolução relatada pelo líder da Oposição no Senado brasileiro, Humberto Costa (PT-PE), que condena a violência policial no Brasil durante as manifestações contra o governo do presidente não eleito Michel Temer (PMDB) e também contra os massacres ocorridos no campo a índios e trabalhadores rurais. A reunião dos parlamentares do bloco ocorre em Montevidéu, capital do Uruguai.

Coube a Humberto, que participa do encontro como membro permanente da delegação brasileira, relatar a proposta da Bancada Progressista do bloco formada por parlamentares do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O documento também expressa a vontade do Parlasul a favor de uma saída democrática para o Brasil e pede respeito à soberania popular.

“Trata-se de uma importante moção, que contou com apoio da esmagadora maioria, em meio à situação absurda pela qual passa o nosso país hoje, em que um ministro da Justiça é trocado em pleno domingo com o claro objetivo de tentar salvar a pele de Michel Temer da investigação da Lava Jato”, afirmou Humberto.

Ele ressaltou que os integrantes do ParlaSul consideram que a democracia brasileira, juntamente com os trabalhadores e as minorias, está sob forte ataque por parte do governo Temer. O senador explicou que, durante o debate sobre a moção, aliados de Temer agiram de maneira absurda, ofendendo, inclusive, o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), e tentaram obstruir a votação.

“O ex-ministro da Cultura e atual deputado Roberto Freire (PPS-SP), e o deputado Rubens Buenos (PPS-PR) foram agressivos, truculentos e tentaram confundir as pessoas aqui no ParlaSul. Eles querem mascarar a realidade do país, falando apenas sobre a Venezuela e deixando o Brasil de lado, como se estivesse tudo norma no país. Mas foram amplamente rechaçados e não obtiveram sucesso”, contou.

Também nesta segunda-feira, enquanto os parlamentares do Mercosul articulavam a condenação da violência no campo e contra manifestantes no Brasil, várias ações articuladas por outros deputados e senadores da oposição marcaram protestos contra a corrupção e a violência do governo Temer.

Na Universidade de Brasília (UnB), está sendo realizado, durante todo o dia de hoje, o seminário “Estado de Direito ou Estado de Exceção”, que conta com a participação de vários juristas e parlamentares da oposição a Temer.

Já à noite, em São Paulo, vai ocorrer um ato em defesa das eleições presidenciais diretas e também pelo lançamento de um plano popular de emergência. Irão participar do debate o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB Roberto Amaral, além de artistas e outras personalidades.

Humberto denuncia crueldade da PEC 55 a parlamentares do Mercosul

Para Humberto, o avanço de políticas que supostamente visam ao equilíbrio fiscal das contas públicas nos países da América do Sul, onde os partidos de direita têm assumido o poder, é preocupante.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Para Humberto, o avanço de políticas que supostamente visam ao equilíbrio fiscal das contas públicas nos países da América do Sul, onde os partidos de direita têm assumido o poder, é preocupante. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O congelamento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 55/2016, apoiada pela base parlamentar do presidente não eleito Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional, foi duramente criticado pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), em reunião do Parlamento do Mercosul (Parlasul) na última semana.

Falando aos parlamentares da bancada progressista do bloco em Montevidéu, no Uruguai, o líder do PT fez um longo relato sobre a situação atual do Brasil e destacou os danos sociais que a proposta do governo Temer para limitar as despesas da União vai causar, principalmente aos mais pobres.

Para Humberto, o avanço de políticas que supostamente visam ao equilíbrio fiscal das contas públicas nos países da América do Sul, onde os partidos de direita têm assumido o poder, é preocupante.

“No Brasil, a maioria da população já percebeu os malefícios que essa PEC irá trazer, caso seja aprovada. Muitos dos que serão afetados pela proposta, como os estudantes, estão se mobilizando no país inteiro contra a medida”, destacou.

O senador explicou aos colegas a origem do movimento legítimo, pacífico e apartidário dos jovens e como está ocorrendo a iniciativa em defesa dos investimentos em educação, e também falou sobre a forte repressão que está sendo feita pelo Estado.

Ele detalhou ainda o caso da invasão da Polícia Militar (PM) de São Paulo, comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), à Escola Florestan Fernandes, mantida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A abordagem violenta e arbitrária da PM, sem qualquer mandado judicial, foi denunciada por Humberto no plenário do Parlasul.

“Os parlamentares das nações vizinhas estão atentos a essa situação e citaram casos semelhantes que têm ocorrido em seus países. Todos concordamos que a situação no continente é difícil, mas que temos de lutar para barrar esses retrocessos”, disse Humberto.

O líder do PT no Senado, que participou em São Paulo, na quinta-feira (10), de um ato “por um Brasil justo pra todos e pra Lula” com líderes de movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos progressistas, também falou no Parlasul sobre o cerco judicial feito contra o ex-presidente. Ele comparou a ofensiva com as ações da direita paraguaia em relação ao ex-presidente Fernando Lugo, destituído do cargo pelo Senado daquele país em 2012.

Humberto pede mobilização internacional contra o golpe

Humberto convocou todos a organizar uma manifestação no dia 4 de julho em Montevidéu, quando deve ocorrer a Cúpula do Mercosul na cidade e da qual devem participar Michel Temer e José Serra. Foto: Assessoria de Imprensa

Humberto convocou todos a organizar uma manifestação no dia 4 de julho em Montevidéu, quando deve ocorrer a Cúpula do Mercosul na cidade e da qual devem participar Michel Temer e José Serra. Foto: Assessoria de Imprensa

 

Ao lado da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), o líder do Governo Dilma no Senado, Humberto Costa (PT-PE), participou de um encontro com estudantes da Universidad de la República do Uruguai para falar sobre o golpe parlamentar ocorrido contra a presidenta. O encontro, que aconteceu na noite dessa terça-feira (21), contou, também, com a presença de brasileiros residentes em Montevidéu que são contrários à gestão interina de Michel Temer.

Os três parlamentares fizeram uma narrativa do processo de impeachment e analisaram as incontáveis medidas retrógradas adotadas pelo governo interino desde que se instalou. “Afastaram uma presidenta honesta para substituí-la por uma gestão corrupta, que perde um ministro a cada 20 dias envolvido em falcatruas”, relatou Humberto.

O público presente mostrou-se extremamente curioso com a situação brasileira e preocupado com o fato de que o Brasil – por decisão de Temer e do seu ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP) – abandone o Mercosul.

“Essa é a disposição manifesta dos golpistas: deixar o bloco, o que será um retrocesso para toda a América Latina”, afirmou o senador, que dividiu as abordagens dos temas com Gleisi e Jean Wyllys. “É extremamente importante que vocês se juntem a essa cruzada em favor da democracia e difundam o que se passa no Brasil atualmente”, avisou o Humberto aos presentes.

Os parlamentares brasileiros pediram a mobilização permanente dos estudantes e dos defensores da democracia no Brasil para aumentar a pressão internacional sobre o país. Humberto convocou todos a organizar uma manifestação no dia 4 de julho em Montevidéu, quando deve ocorrer a Cúpula do Mercosul na cidade e da qual devem participar Michel Temer e José Serra.

No Uruguai, Humberto acusa Temer de querer acabar com o Mercosul

 

Para Humberto, o interesse deles são os Estados Unidos, é a Europa. Eles dão as costas para a América Latina, para o Mercosul, para os nossos vizinhos. Foto: Assessoria de Imprensa

Para Humberto, o interesse deles são os Estados Unidos, é a Europa. Eles dão as costas para a América Latina, para o Mercosul, para os nossos vizinhos. Foto: Assessoria de Imprensa

 

A reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos do Parlamento do Mercosul (ParlaSul), em Montevidéu, foi marcada por intenso debate dos congressistas, na manhã desta terça-feira (21), sobre a situação interna dos países do bloco. Representante brasileiro no encontro, o líder do Governo Dilma no Senado, Humberto Costa (PT-PE), alertou os participantes do encontro de que a gestão interina de Michel Temer (PMDB) quer retirar, gradativamente, o Brasil do grupo.

Humberto fez um relato sobre o quadro institucional brasileiro e cravou aos colegas do continente: “no momento, há, sim, um golpe se desenrolando no Brasil. Um golpe que derrubou uma presidenta honesta com a intenção de paralisar as investigações sobre corrupção da maior operação da nossa história, que é a Lava Jato”, esclareceu o senador.

De acordo com o parlamentar, o governo interino de Temer já anunciou, por meio do seu ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), que está retirando o Brasil de diversos foros de que participa no Mercosul e que seu real interesse é deixar o bloco, que vem sendo construído desde a década de 1980.

“O interesse deles são os Estados Unidos, é a Europa. Eles dão as costas para a América Latina, para o Mercosul, para os nossos vizinhos. Esse governo golpista do Brasil quer implodir o bloco de integração que erguemos com tanto sacrifício”, esclareceu Humberto a mais de 20 parlamentares de Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela que participam da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. No encontro, também estavam a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e os deputados federais Roberto Freire (PPS-SP) e Jean Wyllys (PSol-RJ).

Os parlamentares aprovaram a realização de uma viagem à Venezuela para poder acompanhar de perto a situação do país, que passa por uma forte tensão entre governo e oposição e vive um sério quadro de desabastecimento. A visita da delegação do ParlaSul a Caracas deve ocorrer na segunda semana de julho.

Isolar a Venezuela é mais um erro de Temer, denuncia Humberto no ParlaSul

Humberto: O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela.

Humberto: O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela.

Em Montevidéu, no Uruguai, onde representa o Brasil na 39º Reunião Plenária do Parlamento do Mercosul (ParlaSul), o senador Humberto Costa (PT-PE) teve uma reunião na noite dessa segunda-feira com parlamentares do bloco para discutir a situação da Venezuela. O consenso é de que é preciso investir no diálogo com o país vizinho para tentar debelar a crise que, entre outras coisas, tem levado ao desabastecimento, em prejuízo dos venezuelanos.

“O Brasil tem de exercer a sua posição de liderança continental e conduzir um debate com todos os atores políticos da Venezuela. Esse governo golpista e interino de Temer recebe a oposição venezuelana quase que às escondidas e se recusa a falar com o presidente Maduro. A falta de um diálogo claro e aberto prejudica as nossas relações, instiga a divisão no país e diminui o papel do Brasil”, avalia Humberto.

Durante esta terça-feira (21), o senador petista vai articular integrantes do ParlaSul para tentar aprovar uma resolução instando a abertura de canais de negociação entre os países do Mercosul com todas as forças políticas venezuelanas.

“Asfixiar a Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro é uma posição tão golpista quanto à brasileira. A América Latina tem de reagir a essa nova onda de deposição de governos legitimamente eleitos”, ponderou Humberto, que foi líder de Dilma no Senado.

No Parlamento do Mercosul, Humberto denuncia golpe no Brasil e pede reação internacional

Humberto alertou que é preciso haver reação dura e urgente contra esse movimento, sob pena de ver o continente passar por uma nova onda de deposições de governantes legitimamente eleitos. Foto: Divulgação

Humberto alertou que é preciso haver reação dura e urgente contra esse movimento, sob pena de ver o continente passar por uma nova onda de deposições de governantes legitimamente eleitos. Foto: Divulgação

 

 

Membro do grupo de parlamentares do Mercosul (Parlasul), o líder do Governo Dilma, Humberto Costa (PT-PE), denunciou nesta segunda-feira (23), em reunião realizada em Montevidéu com a presença de deputados e senadores de todos os países que compõem o bloco, o “golpe” contra a democracia que foi aplicado no Brasil “por deputados e senadores oposicionistas que rasgaram a Constituição, em uma conspiração urdida pela elite econômica e pelos grandes grupos de mídia do país”.

“O que denuncio aqui é que o Brasil foi vítima de um lamentável golpe de Estado, que não coloca em risco somente a jovem democracia do país, mas também se configura como ameaça a todas as democracias da nossa América Latina”, declarou.

Em longo discurso, Humberto alertou que é preciso haver reação dura e urgente contra esse movimento, sob pena de ver o continente passar por uma nova onda de deposições de governantes legitimamente eleitos, “desta vez por quarteladas civis, que nada mais são do que o equivalente funcional contemporâneo dos golpes militares de ontem”.

Humberto ressaltou que toda a trama “suja” foi articulada e coordenada pelo atual presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), que hoje, “sem votos e sem legitimidade”, ocupa interinamente a cadeira que Dilma conquistou por meio das urnas. “Ele é do mesmo partido do corrupto presidente da Câmara dos Deputados – atualmente, afastado das funções pela Justiça – que o ajudou para tomar o poder de assalto”, afirmou.

Ao descrever a tramitação de todo o processo contra Dilma no Brasil, Humberto declarou que não há dúvida de que houve uma clara ruptura da ordem democrática no país.

“Um golpe sem tanques e sem fuzis, um golpe sem o uso das forças armadas. Um soft golpe, como chamam alguns, um golpe moderno, em que um parlamento corrompido – respaldado pela elite econômica e pela mídia – manobra a Constituição e as demais leis para dar um verniz de legalidade à ação que visa retirar do poder um governante que não lhes agrade”, disse.

Ele lembrou que a presidenta foi acusada de ter descumprido a meta fiscal em cerca de US$ 200 milhões no ano passado, dentro de um orçamento de US$ 400 bilhões, e de ter utilizado o Banco do Brasil para financiar o Plano Safra 2015, uma política agrícola do Estado de incentivo aos produtores rurais.

“É absurdo. Ao contrário de muitos que a afastaram, Dilma não responde a qualquer inquérito na Justiça. Não é ré. Não se apropriou de dinheiro público. É uma mulher limpa e honrada, que sofreu os horrores da ditadura militar brasileira, foi presa e torturada, e, novamente, se vê vítima de uma ação injusta perpetrada pelo Estado brasileiro”, registrou.

O parlamentar observou que não está sozinho na denúncia que formaliza diante do Parlamento do Mercosul. Ele listou várias personalidades mundiais contrárias ao golpe aplicado no Brasil, como o filósofo americano Noam Chomsky; o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luiz Almagro; o presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas; e o Nobel da Paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel.

Humberto também lembrou que alguns dos principais veículos de comunicação do mundo, como o New York Times, The Guardian, Le Monde, chegaram à mesma conclusão: um bando de parlamentares corrompidos afastou do cargo uma presidenta honesta. “Isso é um claro e escancarado golpe de Estado”, reforçou.

Desmonte
Durante a longa fala aos parlamentares do Mercosul, Humberto também fez questão de falar sobre os retrocessos que já observa no governo “golpista”. O senador ressaltou que as mulheres e os negros foram expulsos do ministério, a pasta da Cultura foi extinta e as demarcações das terras dos descendentes de escravos foram submetidas a uma área comandada pelos grandes proprietários rurais.

“O nosso sistema público de saúde, de acesso e cobertura universais, começa a ser esfacelado em favor da iniciativa privada. Uma pauta legislativa assustadora contra os trabalhadores, a igualdade de gênero, a discussão sobre o aborto mostra a sua face porque o presidente interino nomeou como seu líder na Câmara um deputado evangélico conservador, que é réu na Suprema Corte por tentativa de homicídio”, afirmou.

Humberto critica ministério de Temer e o chama de retrocesso absurdo

 Para líder de Dilma, governo interino destrói políticas de desenvolvimento inclusivo e valorização social. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Para líder de Dilma, governo interino destrói políticas de desenvolvimento inclusivo e valorização social. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 
O líder do Governo Dilma no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou duramente nesta segunda-feira (16), em discurso na tribuna do plenário da Casa, as primeiras movimentações do governo “golpista” e interino de Michel Temer (PMDB), classificando-as de retrocesso absurdo.

Segundo ele, é impossível que os favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, principalmente os que foram às ruas pedir a saída da presidenta, concordem com a extinção de ministérios sociais importantes como o das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e o da Cultura, com o loteamento de cargos por toda a Esplanada e com a nomeação de investigados por corrupção e de políticos contrários a avanços sociais e que não têm qualquer relação com as pastas que irão administrar.

Para Humberto, há tempo para essas pessoas reconhecerem o erro, mas é preciso ter sinceridade para admitir que “todos sabiam sabem onde essa porta aberta pelos golpistas iria dar”. “Se houver sobrado panela e um pouco de vergonha na cara, ainda é tempo de reconhecer o erro e tentar corrigi-lo”, cobrou.

Humberto avalia que os favoráveis ao golpe são diretamente responsáveis “por todo o retrocesso” a que ele levará o Brasil por essa porta aberta por eles próprios. “Eu penso que esses últimos dias foram reveladores da ressaca moral que tomou conta de muitas marionetes-funcionais que serviram ao golpe havido neste país na última semana”, comentou.

“Então, eu quero parabenizar a seletividade moral dos que apearam da Presidência da República uma mulher honesta para favorecer essa junta provisória emporcalhada que ocupa agora o Palácio do Planalto”, ironizou.

O parlamentar ressaltou que os principais jornais internacionais estão questionando como é possível tirar Dilma para colocar no seu lugar “esse time que estamos vendo aí, que virou motivo de chacota pelo mundo”.

“Estão nos tratando como se fôssemos uma republiqueta de bananas. As principais lideranças do mundo também se perguntam: como uma mulher que não tem contra si nenhuma denúncia de corrupção sai e entra um time que faz inveja a qualquer seleção da penitenciária? Sinceramente, são coisas da elite brasileira”, lamentou.

O líder do Governo Dilma no Senado reiterou que o golpe continuará sendo denunciado pelos cidadãos que defendem a democracia e partidos da base da presidenta. Ele lembrou que vários senadores irão denunciar a situação do Brasil na Assembleia Parlamentar Euro-Latinoamericana, que começou hoje em Lisboa.

Humberto e outros parlamentares também irão ao Parlasul, na semana que vem, “relatar ao Mercosul – bloco que a política externa dessa junta provisória quer destruir, em desapreço à integração latino-americana – os meandros da deposição da presidenta eleita”.

Humberto diz que golpe ameaça credibilidade internacional do Brasil

Líder do Governo, Humberto Costa levou ao Senado críticas de instituições internacionais à tentativa de golpe. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT

Líder do Governo, Humberto Costa levou ao Senado críticas de instituições internacionais à tentativa de golpe. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT

 

Para o líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), as recentes demonstrações de preocupação de entidades internacionais sobre o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) mostram que o processo é frágil e afeta a credibilidade internacional do país. Nesta sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro , deve se reunir com a presidenta da República para tratar sobre o tema.

Aos jornais, Almagro disse que vê o impeachment como “o jogo do ao contrário”, já que existem “congressistas acusados e culpados” defendendo a saída de Dilma, “que não é acusada de nada”. Além da OEA, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) divulgou nota em que afirma que o impeachment é “uma preocupação para a segurança jurídica do Brasil e de toda a região”. Também esta semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) se pronunciou e demonstrou “preocupação” com a tensão no país e defendeu o respeito “às instituições democráticas pelas quais o Brasil lutou tanto”.

“O que está em jogo no Brasil não é o projeto de um partido político, mas sim o Estado democrático de Direito e o respeito ao voto de 54 milhões de brasileiros. A manifestações públicas de tantas entidades internacionais demonstram a gravidade dessa tentativa de golpe”, disse Humberto, que também é um dos representantes brasileiros no ParlaSul, entidade que reúne congressistas de todo o Mercosul. O próprio ParlaSul também divulgou nota contra ao que chama de “tentativa ilegítima de destituição da presidenta eleita democraticamente”.

O senador disse, ainda, estar otimista com a votação do impeachment no domingo. “O governo têm os votos para barrar esse golpe odioso, mas esta é uma batalha diária. O que a gente vê, também, é uma crescente mobilização nas ruas contra esta tentativa de violação da ordem democrática. O povo brasileiro sabe o que está em jogo e não que voltar ao passado”, afirmou.

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