Reforma da Previdência Social

Temer inclui chantagem a prefeitos no balcão de negócios da reforma da Previdência, diz Humberto

Humberto: a Presidência da República está oferecendo R$ 3 bilhões aos prefeitos para que exerçam pressão sobre os seus parlamentares como forma de apoiar as mudanças no sistema de pagamento de aposentadoria. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: a Presidência da República está oferecendo R$ 3 bilhões aos prefeitos para que exerçam pressão sobre os seus parlamentares como forma de apoiar as mudanças no sistema de pagamento de aposentadoria. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Em mais uma tentativa de aprovar uma proposta que prejudicará milhões de brasileiros, segundo o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), o governo Temer (PMDB) reabriu o seu balcão de negócios no Palácio do Planalto que inclui, desta vez, chantagem sobre os prefeitos para que eles pressionem os deputados de suas bases a apoiarem a reforma da Previdência.

O senador afirmou, nesta terça-feira (5), que está aberta mais uma negociata de balcão de feira a céu aberto, mostrada pela própria imprensa, a exemplo do que ocorreu na votação que afastou a presidenta Dilma, na proposta que congelou os investimentos públicos por 20 anos e durante a apreciação da reforma trabalhista.

Agora, de acordo com o parlamentar, a Presidência da República está oferecendo R$ 3 bilhões aos prefeitos para que exerçam pressão sobre os seus parlamentares como forma de apoiar as mudanças no sistema de pagamento de aposentadoria.

“Ora, os prefeitos estiveram uma semana atrás pedindo recursos ao governo para fecharem as suas contas do ano. Na ocasião, Temer disse que não havia dinheiro. De repente, agora, o dinheiro aparece, mas eles têm de se submeter a essa chantagem. É um escândalo”, declarou.

Para Humberto, a situação observada no poder Executivo, que envolve ainda liberação de emendas parlamentares, troca de cargos na Esplanada e também negociação em torno de alianças e tempo de TV para a propaganda eleitoral no pleito de 2018, é absurda.

“Estamos falando de uma reforma de cujo escopo não se tem conhecimento, mas que já tem seu apoio comprado a peso de ouro e com a qual já se vê os presidentes da Câmara e do Senado comprometidos com o seu cronograma de votação nas duas Casas. Estão querendo votar na Câmara na semana que vem e nos dias 20 e 21 aqui”, ressaltou.

Da tribuna do plenário, o líder da Oposição fez questão de perguntar como uma reforma que vai mexer sensivelmente com o futuro de milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas e que não foi nem discutida ou mesmo apresentada aos líderes no Congresso já tem até cronograma de votação.

Ele também questionou “como é possível que se trate dos temas mais caros ao povo brasileiro dessa maneira absolutamente desrespeitosa e atentatória à representação popular, acertada em gabinetes, em jantares custeados com dinheiro público, onde o único interesse que prevalece é o político-partidário-eleitoral mais raso e espúrio que pode haver”.

Humberto entende que o governo deveria ser punido por estar torrando bilhões de reais, inclusive utilizados, em parte, em publicidades descaradamente mentirosas. “Isso não pode ser tolerado pela população brasileira. O caminho é lutar contra mais esse retrocesso”, comentou.

 

 

Greve Geral foi ato histórico, afirma Humberto

Humberto Costa: Desde 1980, o Brasil não sabia o que era uma greve geral e hoje vimos os trabalhadores pararem para dizer que não aceitam o governo Temer e nem o modelo que ele quer implantar para o povo. Foto: Ascom HC

Humberto Costa: Desde 1980, o Brasil não sabia o que era uma greve geral e hoje vimos os trabalhadores pararem para dizer que não aceitam o governo Temer e nem o modelo que ele quer implantar para o povo. Foto: Ascom HC

 

Após acompanhar por todo o trajeto a manifestação contra as Reformas Trabalhista e da Previdência no Recife, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse que a greve geral foi uma das maiores manifestações políticasdesde a democratização do país. Segundo a CUT, cerca de 40 milhões de trabalhadores pararam as atividades no dia de hoje em todo o Brasil. Somente no Recife, os organizadores calculam que 200 mil pessoas participaram do ato.

“Foi um momento histórico. Uma das maiores manifestações políticas da história do País. Desde 1980, o Brasil não sabia o que era uma greve geral e hoje vimos os trabalhadores pararem para dizer que não aceitam o governo Temer e nem o modelo que ele quer implantar para o povo.”

No Recife, o ato saiu da Praça do Derby, seguiu pela Conde da Boa Vista até chegar na Praça do Independência, num trajeto decerca de três quilômetros. Centenas de municípios em todo o País tiveram manifestações semelhantes. Só no Recife, mais de 50 categorias confirmaram a sua adesão à greve, entre elas a Polícia Civil, os metroviários, rodoviários e bancários. Igrejas Católicas e Evangélicas também apoiaram o movimento.

Para Humberto, a greve de hoje aumenta a pressão contra os projetos de Reforma Trabalhista e da Previdência no Congresso Nacional e mostram o desejo da sociedade do fim do governo de Michel Temer. “Acho que esse ato de hoje dá ainda mais força contra essas reformas. O debate contra a Reforma da Previdência na Câmara e a Reforma Trabalhista no Senado ganham outra dimensão após o dia de hoje. O governo Temer acabou e a gente pode ver isso com a greve geral de hoje. Precisamos ouvir as vozes das ruas”, analisou Humberto.

Reforma da Previdência de Temer acaba com a paridade dos servidores públicos que se aposentarão

 

 

Humberto: Temos que estudar e debater exaustivamente esse assunto, não podemos jogar uma proposta e acabar com direitos históricos dos trabalhadores que precisam desse dinheiro para sobreviver.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Temos que estudar e debater exaustivamente esse assunto, não podemos jogar uma proposta e acabar com direitos históricos dos trabalhadores que precisam desse dinheiro para sobreviver. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

O governo Temer vai acabar com a paridade entre servidores ativos e inativos que ingressaram no serviço público (nas esferas municipal, estadual e federal) antes de 2003. Isto é, caso a reforma da Previdência seja aprovada da forma como está, os funcionários públicos que entraram antes de 2003 e ainda não se aposentaram passarão a ter direito somente à reposição da inflação na época de reajuste do benefício.

Pela lei atual, esses servidores teriam direito ao mesmo reajuste dos funcionários públicos que estão na ativa. A PEC 287, que trata da reforma da Previdência, diz que esses servidores terão direito somente à reposição da inflação (medida pelo INPC), no momento de reajustar o benefício. “Essa proposta é completamente maldosa com os servidores que ingressaram antes de 2003 no setor público e contavam com uma aposentadoria mais tranquila. Agora eles precisarão se readequar a uma nova realidade. Vai haver um momento em que os servidores aposentados estarão recebendo apenas 50% do que recebem os que estão na ativa”, afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa.

O senador petista afirmou que é importante fazer uma reforma na Previdência, mas que é preciso muita cautela e cuidado para não prejudicar as pessoas. “Temos que estudar e debater exaustivamente esse assunto, não podemos jogar uma proposta e acabar com direitos históricos dos trabalhadores que precisam desse dinheiro para sobreviver. É muita maldade agir assim, a toque de caixa, sem pensar naqueles que ainda irão se aposentar”, criticou.

Humberto Costa ainda afirmou que Temer está “brincando” com a população quando consegue aprovar propostas que beneficiam apenas o governo, sem pensar no povo que vive à margem e precisa de ajuda governamental. “Como o presidente sem voto está com uma base que abaixa a cabeça para tudo que ele envia, sem realizar nenhum debate com a sociedade, ele quer apenas cortar na carne dos mais pobres, beneficiando os mais ricos”, alertou o senador.