Tião Viana

Forças Armadas têm de ocupar fronteiras para impedir entrada de armas e drogas, e não favelas, diz Humberto

 Segundo Humberto, os militares deveriam trabalhar, ostensivamente, na fronteira do país para evitar a entrada de armas e drogas, principal causa dos problemas de segurança pública. Foto: Roberto Stuckert Filho


Segundo Humberto, os militares deveriam trabalhar, ostensivamente, na fronteira do país para evitar a entrada de armas e drogas, principal causa dos problemas de segurança pública. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Após se reunir com os governadores do Acre, Tião Viana (PT), e de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), nesta terça-feira (20), o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou que a intervenção federal no Rio de Janeiro, com a entrada das Forças Armadas em favelas e locais de risco, está longe de ser a medida adequada.

Segundo Humberto, os militares deveriam trabalhar, ostensivamente, na fronteira do país para evitar a entrada de armas e drogas, principal causa dos problemas de segurança pública. Ele ouviu os relatos dos governadores e reforçou a ideia de que o crime organizado é amplo e se aproveita da fragilidade da fronteira, especialmente a seca.

Para o senador, as organizações criminosas têm força e influência em praticamente todo o território nacional porque conseguem comprar fuzis e cocaína de países vizinhos. Com uma fronteira terrestre de quase 16 mil quilômetros, o Brasil tem limites com nove países da América do Sul.

“A situação da segurança pública no Rio e em outros estados exige uma resposta do Estado brasileiro. Mas as Forças Armadas estão no lugar errado. Os militares deveriam estar trabalhando na fronteira, por onde passa todo o material usado e comercializado pelos criminosos brasileiros, e não nas periferias. Favela não produz arma nem droga”, declarou.

O senador reiterou que a intervenção federal no estado fluminense não estava nos planos do Governo Federal e que a medida foi tomada de afogadilho, sem qualquer estudo prévio e planejamento de ação, para tentar impulsionar a imagem desgastada de Temer perante a população.

Humberto observou que, num encontro com 23 governadores de Estado, em outubro do ano passado, os ministros da Justiça e Segurança Pública; Torquato Jardim; da Defesa, Raul Jungmann; das Relações Exteriores, Aloysio Nunes; e do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, não trataram, em nenhum momento, de qualquer intervenção do tipo.

A pauta da reunião era justamente segurança pública. Numa carta, assinada por todos, eles propuseram “uma união de esforços em defesa da vida e da integridade física da população brasileira”.

O parlamentar observou que os principais pontos estavam voltados a uma “força-tarefa integrada contra a fragilidade das fronteiras, para o combate ao narcotráfico, tráfico de armas e munições” e também para “integração das atividades de inteligência e informações dos governos estaduais e federal”.

O documento diz, claramente, que seria necessário “ampliar progressivamente, nos próximos anos, a presença das Forças Armadas, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal nas fronteiras amazônicas, do Centro-Oeste e do Sul”.

“Os governadores e ministros assinaram o compromisso de ampliar o uso de tecnologia em sistemas de monitoramento, a serem compartilhados com estados e municípios e países vizinhos, e também o fortalecimento da cooperação internacional em toda a faixa de fronteira, com a participação de governos estaduais. Nenhuma linha sobre intervenção”, contou.

Lula e o PT estão prontos para um novo Brasil, garante Humberto

Humberto: O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT. Foto: Assessoria de Comunicação

Humberto: O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT. Foto: Assessoria de Comunicação

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou nesta quinta-feira (29) que o partido e o ex-presidente Lula estão prontos para trabalhar por um Brasil que entra em um novo ciclo histórico de desenvolvimento. O parlamentar participou da reunião do Diretório Nacional do PT em Brasília e afirmou que o ex-presidente ainda tem muita saúde, disposição e inteligência para liderar o partido e superar a crise do atual momento.

“Enquanto ele viver, a oposição vai ter que aturar a sua presença e influência. Ele mesmo disse: o partido sempre reage como fênix quando é colocado em xeque e volta mais forte depois. O PT não existiria sem Lula e Lula não existiria sem o PT”, disse Humberto.

De acordo com o parlamentar, a militância da legenda, que o recebeu com um emocionante “parabéns para você” no evento, não precisa ficar com pena em relação aos ataques torpes que sofre.
“Se tem uma coisa que ele aprendeu na vida, como bem disse, é enfrentar a adversidade. Lula está pronto para enfrentar os desafios e sobreviverá a tudo isso”, avalia Humberto.

Para o senador, o discurso empolgante e bem-humorado de Lula deixou claro que a oposição tem de respeitar o legado do PT e “não entrar de salto alto” nas eleições de 2016 e 2018. O líder do PT acredita que o partido não deve se deixar abater pelo atual momento e tem de continuar defendendo as medidas adotadas pela presidenta Dilma, principalmente nas ruas.

“A nossa militância tem de debater com as pessoas, olho no olho, sobre as conquistas que alcançamos desde que chegamos ao poder em 2003. O país mudou radicalmente e temos de falar sobre isso”, observa.

“Sabemos das dificuldades que enfrentamos atualmente, mas é importante manter a cabeça erguida e mostrar os avanços sociais e econômicos que alcançamos neste país nos últimos anos, graças à implementação de políticas exitosas e do esforço do povo brasileiro”, complementou.
De acordo com Humberto, o ex-presidente Lula agiu corretamente ao cobrar prioridade total dos parlamentares da sigla para aprovar as medidas encaminhadas pela presidenta Dilma ao Congresso Nacional.

Responsável por dar um informe a respeito da situação política no Senado no encontro do PT hoje, o parlamentar garantiu que o clima na Casa é atualmente favorável à governabilidade. Segundo ele, que discursou por cerca de dez minutos no encontro petista, as condições políticas para a apreciação de propostas de interesse do Governo Federal a fim de retomar o crescimento econômico do país estão mais aceitáveis agora.
“A situação é muito mais confortável hoje do que a vivenciada pouco tempo atrás. Nosso objetivo é tentar preservar essas boas relações e a governabilidade. Estamos construindo tudo com muito diálogo”, declarou.

O senador citou como exemplo a aprovação ontem, com facilidade, da proposta do Governo que cria o Programa de Proteção ao Emprego. O texto, fundamental para a preservação do trabalho formal e da renda do trabalhador brasileiro, segue à sanção presidencial.

Além de Lula e Humberto, participaram do encontro o presidente do PT, Rui Falcão; os governadores Wellington Dias (PI) e Tião Viana (AC); o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE); o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), entre outros.

No início da sessão, os petistas fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao ex-presidente do PT José Eduardo Dutra, falecido recentemente.

Humberto integra comissão especial da reforma política no Senado

Humberto afirma que Senado terá grande oportunidade de debater e aprovar a reforma política.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto afirma que Senado terá grande oportunidade de debater e aprovar a reforma política. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

Enquanto a Câmara conclui a votação da reforma política, o Senado Federal já definiu os integrantes da comissão especial que irá analisar o tema na Casa. Nessa quinta-feira (18), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e outros 28 parlamentares de diferentes partidos, divididos proporcionalmente em relação ao tamanho das bancadas, serão os responsáveis pela apreciação dos projetos que compõem a reforma política.

A intenção do Senado é analisar as propostas para que sejam examinadas em Plenário antes do recesso parlamentar, entre 1º e 17 de julho, já que a expectativa é de que a Câmara finalize até o dia 30 deste mês o segundo e último turno de votação. A comissão será presidida pelo senador Jorge Viana (PT-AC) e terá como relator o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

“Temos uma missão muito importante no Senado sobre um tema extremamente impactante na vida política do país e dos brasileiros. Todos nós temos essa consciência e sabemos da necessidade da reforma política para melhorar o sistema político atual, que já se mostra bastante desgastado”, avalia Humberto.

Segundo ele, o PT vai batalhar em defesa das suas posições e para que a necessidade e o desejo de mudanças sejam viabilizados. “Trata-se de um tema extremamente complexo, que traz diferentes visões até mesmo dentro dos partidos. Mas creio que o momento é de busca do entendimento. É preciso ter a flexibilidade necessária para procurar construir consensos”, acredita.

O parlamentar cita o exemplo da defesa do PT sobre o sistema eleitoral proporcional com lista fechada. De acordo com ele, o partido precisa flexibilizar para construir algo melhor. “As regras hoje não permitem a construção de uma maioria por parte de quem vence uma eleição presidencial e obriga o chamado presidencialismo de coalizão, que, na minha visão, é uma aberração do ponto de vista político, cujas implicações estamos vivendo há muitos anos, sem promovermos mudanças efetivas”, analisa.

Para Humberto, temas como financiamento de campanha, fim da reeleição e coligações, fidelidade partidária e cotas destinadas às mulheres para cadeiras efetivas no Legislativo serão bastante debatidos na comissão especial. “Teremos a oportunidade de fazer alguns ajustes sobre o texto aprovado pela Câmara. A liberação de doações eleitorais de empresas somente a partidos, por exemplo, é uma das questões que pode ser modificada. Do jeito que está, haverá menos transparência nas nossas eleições”, diz.