Unasul

Humberto vê retrocesso na política externa brasileira sob Serra

Crítico da gestão interina do Itamaraty, líder de Dilma diz que José Serra apequena o Brasil. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Crítico da gestão interina do Itamaraty, líder de Dilma diz que José Serra apequena o Brasil. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

 

Em meio à repercussão negativa mundial dos 20 dias do governo interino de Michel Temer, o senador Humberto Costa (PT-PE), líder de Dilma no Senado, fez um alerta sobre a mudança na condução da política externa brasileira proposta pelo ministro interino das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP). Segundo Humberto, o novo ministro tem desempenhado um papel que foge ao tom histórico da instituição, com ações “políticas” e “ideias persecutórias, que apequenam o Brasil”.

“A nossa política externa, agora, é escrever cartinhas para outros países e para veículos internacionais para tentar convencer a todo custo, e sem sucesso, que existe algum traço de legitimidade no golpe. É uma ação que vem constrangendo, inclusive, membros do Itamaraty. Tudo com textos agressivos e que não combinam com a postura que o Brasil vem adotando ao longo dos anos”, afirmou Humberto.

Em comunicados oficiais recentes, Serra utilizou termos como “falsidades”, “preconceitos” e “absurdo” para criticar as declarações de países vizinhos como Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, El Salvador e Nicarágua e instituições como a Unasul e a Organização de Estados Americanos (OEA), que se manifestaram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) por entender que ele se tratou de um golpe parlamentar.

“Como diz Chico Buarque, Serra reinaugura a diplomacia de vira-latas, em que o Brasil fala grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. O nosso país não merece essa redução à mediocridade de onde Lula e Dilma o retiraram”, criticou o senador. “São várias as manifestações no mundo inteiro contra este governo provisório e ilegítimo. Esta semana, por exemplo, 34 deputados de diferentes nacionalidades do Parlamento Europeu solicitaram que a União Europeia (UE) interrompa as negociações comerciais com o Mercosul, como resposta ao golpe político no País. Pelo visto, Serra vai cansar a mão de tanto escrever textos para tentar explicar aquilo que não tem nenhum sentido e fere a democracia”, afirmou.

O senador também chamou de “arrogante” e “atrasada” a possibilidade estudada pelo ministro interino das Relações Exteriores de fechar embaixadas brasileiras na África e no Caribe. “Em vez de ampliar o diálogo com o mundo, o ministro faz exatamente o contrário: ameaça cortar espaços que conquistamos. É uma postura arrogante, que menospreza a importância de nações em desenvolvimento e vai fazer a nossa política externa retroceder anos”, disse Humberto.

Humberto diz que golpe ameaça credibilidade internacional do Brasil

Líder do Governo, Humberto Costa levou ao Senado críticas de instituições internacionais à tentativa de golpe. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT

Líder do Governo, Humberto Costa levou ao Senado críticas de instituições internacionais à tentativa de golpe. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT

 

Para o líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), as recentes demonstrações de preocupação de entidades internacionais sobre o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) mostram que o processo é frágil e afeta a credibilidade internacional do país. Nesta sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro , deve se reunir com a presidenta da República para tratar sobre o tema.

Aos jornais, Almagro disse que vê o impeachment como “o jogo do ao contrário”, já que existem “congressistas acusados e culpados” defendendo a saída de Dilma, “que não é acusada de nada”. Além da OEA, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) divulgou nota em que afirma que o impeachment é “uma preocupação para a segurança jurídica do Brasil e de toda a região”. Também esta semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) se pronunciou e demonstrou “preocupação” com a tensão no país e defendeu o respeito “às instituições democráticas pelas quais o Brasil lutou tanto”.

“O que está em jogo no Brasil não é o projeto de um partido político, mas sim o Estado democrático de Direito e o respeito ao voto de 54 milhões de brasileiros. A manifestações públicas de tantas entidades internacionais demonstram a gravidade dessa tentativa de golpe”, disse Humberto, que também é um dos representantes brasileiros no ParlaSul, entidade que reúne congressistas de todo o Mercosul. O próprio ParlaSul também divulgou nota contra ao que chama de “tentativa ilegítima de destituição da presidenta eleita democraticamente”.

O senador disse, ainda, estar otimista com a votação do impeachment no domingo. “O governo têm os votos para barrar esse golpe odioso, mas esta é uma batalha diária. O que a gente vê, também, é uma crescente mobilização nas ruas contra esta tentativa de violação da ordem democrática. O povo brasileiro sabe o que está em jogo e não que voltar ao passado”, afirmou.

Ao Mercosul, Humberto denuncia golpismo em curso no Brasil

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Humberto: A democracia brasileira se encontra, neste momento, sob forte ataque, com ameaça real de um golpe de Estado.

 

Líder do PT no Senado e representante do Congresso Nacional brasileiro no Parlamento do Mercosul (ParlaSul), o senador Humberto Costa (PE) desembarcou em Montevidéu, no Uruguai, nesse fim de semana, para reunião plenário do órgão, que ocorre nesta segunda-feira (21). Mas, já na noite desse domingo, o líder do PT teve encontro com parlamentares da ala progressista dos países do bloco em que denunciou o “clima de golpismo que está em curso no Brasil”.

“A democracia brasileira se encontra, neste momento, sob forte ataque, com ameaça real de um golpe de Estado”, alertou Humberto, que recebeu apoio dos congressistas de Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Os parlamentares das delegações do Mercosul fizeram uma defesa intransigente dos regimes democráticos no bloco e rechaçaram qualquer tentativa de abreviar mandatos de governantes legitimamente eleitos, como ocorreu no Paraguai há três anos.

Em junho de 2012, o presidente do país vizinho, Fernando Lugo, que não tinha base parlamentar, foi derrubado pelo Congresso do país, em uma manobra política extremamente controversa, que ficou conhecida como “golpe paraguaio”. O país foi afastado do Mercosul e da Unasul por “ruptura da ordem democrática” até realizar novas eleições presidenciais, quando foi readmitido nos dois blocos.

Nesta segunda-feira, a delegação brasileira se reuniu nas primeiras horas da manhã para discutir estratégias de posicionamento sobre o comando das nove comissões temáticas do ParlaSul, cujos titulares serão definidos no encontro de hoje. A partir do meio dia, terá início a XXXIV Sessão Ordinária do Parlamento do Mercosul.