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Rio de Janeiro virou o Vietnã de Temer, afirma Humberto

Humberto criticou duramente a discriminação pela qual passam as demais unidades federadas, que não estão recebendo os mesmos recursos destinados pelo Governo Federal ao Rio de Janeiro. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto criticou duramente a discriminação pela qual passam as demais unidades federadas, que não estão recebendo os mesmos recursos destinados pelo Governo Federal ao Rio de Janeiro. Foto: Roberto Stuckert Filho

A série de insucessos acumulados pela intervenção militar no Rio de Janeiro foi alvo de críticas pesadas do líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PE-PE). Em discurso na tarde desta terça-feira (20), no plenário da Casa, o senador petista afirmou que a inconsequência do Palácio do Planalto em querer fazer política com a segurança pública transformou o Estado no atoleiro pelo qual o governo terminará de ser tragado.

“Temer encontrou no Rio de Janeiro o seu Vietnã. Assim como ocorreu com os Estados Unidos, ele poderá empregar milhares de homens nesse teatro, mas sairá de lá humilhado, diminuindo o papel de nossas Forças Armadas, porque as jogou numa trama política rasa com fim meramente eleitoral”, afirmou o líder da Oposição. “É um governo burro para lidar com criminosos inteligentes, que não são o povo pobre das favelas ou as crianças submetidas a revistas vexatórias de suas mochilas em escolas. Mas, sim, os chefes do tráfico de drogas e de armas que, até agora, não foram molestados pelo governo.”

Humberto criticou duramente a discriminação pela qual passam as demais unidades federadas, que não estão recebendo os mesmos recursos destinados pelo Governo Federal ao Rio de Janeiro. Nessa segunda-feira, o Planalto anunciou a liberação de R$ 1 bilhão para as operações ligadas à intervenção militar no Estado. “Sem qualquer demérito ao Rio e à grave situação da sua segurança pública, por que os demais Estados e o Distrito Federal não merecem atenção similar do governo para combater a criminalidade em seus territórios?”, questionou o parlamentar.

O senador ressaltou que, desde o início das operações, em nada melhorou a situação do Rio, onde todos os dias “há tiroteios e gente assassinada em assaltos, brigas de gangues, morta por balas perdidas, muitas das quais crianças”. E lembrou a execução da vereadora do PSol Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrida no centro do Rio, na última quinta-feira. “O presidente da República, que agora é o chefe da segurança pública fluminense, tem dois cadáveres no seu gabinete e nenhuma resposta. Cinco dias depois desses assassinatos bárbaros, não há um preso, não se sabe nada. O crime organizado mostrou que sequer se sente intimidado por essa intervenção.”

Para o senador, ao fim do período eleitoral, o Brasil assistirá a uma retirada melancólica das tropas, com uma fragorosa derrota do presidente da República. “O Rio de Janeiro será o Vietnã onde Temer enterrará o pouco que lhe sobrou de vergonha”, concluiu.

 

Assista ao discurso do senador:

Em sessão do Senado, Humberto critica ministros de Temer por ineficácia da intervenção

Humberto: O governo não tem condições de fazer políticas de segurança pública e social sem dinheiro no orçamento. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: O governo não tem condições de fazer políticas de segurança pública e social sem dinheiro no orçamento. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Membro do Conselho da República, órgão previsto na Constituição Federal para tratar de temas de gravidade para o país, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou, nesta terça-feira (6), o presidente Michel Temer (MDB) e seus ministros pela ineficácia da intervenção federal militar no Rio de Janeiro. O parlamentar avalia que a medida é puro marketing para recuperar a imagem do governo e não teve qualquer planejamento.

Humberto questionou, diante dos próprios ministros, a eficácia das últimas operações realizadas em favelas da capital fluminense, como o governo pensa em acabar com a corrupção policial sistêmica no Estado e com que dinheiro vai executar a intervenção.

A fala foi feita em sessão temática no plenário do Senado, que contou com a participação de Raul Jungmann (Segurança Pública) e dos generais Joaquim Silva e Luna (interino da Defesa) e Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional).

“O governo não tem condições de fazer políticas de segurança pública e social sem dinheiro no orçamento. O Palácio do Planalto foi responsável pela aprovação da PEC do congelamento de gastos aqui. Então, como os senhores pretendem executar ações em áreas tão sensíveis à sociedade com esse engessamento da verba produzido pelo próprio Poder Executivo e seus aliados no Congresso?”, perguntou.

O senador, que espera a redução da criminalidade no Rio, em Pernambuco e em todo o Brasil, avalia que dificilmente a missão conseguirá eliminar o “vírus da corrupção” da estrutura policial e evitar que esse mesmo vírus contamine as tropas federais que lá estão. “Em outros países, houve esse problema”, alertou.

Para o líder da Oposição, o envolvimento permanente do comando da Polícia Militar com organizações criminosas e o peso das indicações políticas na área de segurança pública, no Rio de Janeiro, contribuem para que a situação esteja caótica como está.

“E os aliados do governo, aqui, continuam defendendo a revogação do Estatuto do Desarmamento. A quantidade de projetos no Congresso que dá direito de posse de arma a diferentes segmentos é enorme. Dar armas para as pessoas não resolve o problema e o governo já deveria saber disso”, disse.

Humberto apresenta requerimentos para que governo forneça dados sobre intervenção no Rio

Humberto procura saber quais são os documentos, as notas e os pareceres jurídicos que embasaram o decreto de intervenção, mas sem sucesso até agora. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto procura saber quais são os documentos, as notas e os pareceres jurídicos que embasaram o decreto de intervenção, mas sem sucesso até agora. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Integrante do Conselho da República, órgão previsto na Constituição Federal para tratar de temas de gravidade para o país, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), apresentou requerimentos de informação à Presidência da República para saber quais foram os motivos que levaram o governo Temer a intervir na segurança pública do Rio de Janeiro, quanto será gasto, de onde sairá o dinheiro e qual o resultado das operações militares lá realizadas, entre outras dúvidas.

Desde que o Palácio do Planalto anunciou a intervenção federal em território fluminense, no fim da semana passada, Humberto procura saber quais são os documentos, as notas e os pareceres jurídicos que embasaram o decreto de intervenção, mas sem sucesso até agora.

“Na reunião do Conselho da República com Temer e seus ministros, na última segunda, perguntei se houve crescimento da violência no Rio que justificasse a medida. Ninguém soube responder na hora e, até hoje, parece que desconhecem a realidade”, declarou.

O senador ressaltou que já há emprego das Forças Armadas no Rio desde julho do ano passado, por força de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), e que os resultados nunca foram apresentados pelas autoridades ou experimentados pela população.

“Quanto foi aplicado nessa operação e qual a fonte dos recursos desse processo? Nem isso nós sabemos, assim como não temos conhecimento sobre a previsão orçamentária dessa intervenção anunciada agora”, criticou.

Diante da falta de transparência e informações a respeito da iniciativa do governo, Humberto defendeu que o Senado se posicionasse contrário ao decreto, até porque outros Estados que sofrem da mesma forma ou até mais intensamente do que o Rio com a criminalidade, como o Ceará, Sergipe e Pernambuco, não estão sendo contemplados igualmente. No entanto, a intervenção foi aprovada pelo voto de 55 senadores contra 13.

“Esse decreto pirotécnico foi editado para tentar reverter uma pauta que lhe é profundamente negativa, que é a reforma da Previdência. Tenho convicção de que essa jogada de marketing, com uso das Forças Armadas, serve tão-somente a que esse presidente medíocre busque melhora nos seus índices de popularidade”, finalizou.

Senado erra ao aprovar intervenção militar de Temer no Rio, diz Humberto

Humberto: é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Reconhecendo a gravidade da situação da criminalidade no Rio de Janeiro e em todo o Brasil, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), lamentou a aprovação do decreto de Temer que permite a intervenção federal militar em território fluminense e deixa de fora outros estados que apresentam índices de violência mais elevados, como Sergipe e Pernambuco. Por 55 votos a 13, a medida segue para promulgação.

Humberto avalia que esse governo medíocre, sem qualquer planejamento, quer apenas utilizar uma das últimas instituições com credibilidade no Brasil, as Forças Armadas, para mudar o foco da impopularidade e da derrota com a reforma da Previdência.

Para o senador, o Rio e outras unidades da Federação, como Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará, precisam é da ajuda financeira do governo federal para enfrentar a insegurança e a violência. Mas uma medida drástica e de exceção como uma intervenção deveria ter sido bem planejada, discutida e usada apenas como último recurso disponível, e não como medida de marketing.
“Estamos diante de uma medida temerária, amadora, atabalhoada, equivocada, mal planejada, sem recursos definidos e olhando somente para um estado da Federação. Há um grave avanço da violência no país inteiro, e não somente no Rio de Janeiro”, reiterou.

“Como fica Pernambuco, que não tem recursos do governo federal para área de segurança pública? E qual o plano proposto para eliminar a corrupção policial no Rio, por exemplo? É uma jogada de marketing desqualificada. Os generais dessa intervenção foram dois conhecidos marqueteiros, que disseram a Temer para ir em frente, pois muita gente iria acreditar nisso”, complementou.

Segundo Humberto, é absurdo e criminoso que as Forças Armadas sejam usadas em uma jogada eleitoral que pode expor a população do Rio à supressão de garantias constitucionais importantes. Ele citou a adoção de mandados coletivos de busca e apreensão com exemplo extremamente negativo, em que só os pobres serão prejudicados.

O líder da Oposição avalia que a intervenção serve como uma saída honrosa ao descarte da reforma da Previdência. Na própria reunião do Conselho da República no Palácio da Alvorada, realizada nessa segunda-feira com Temer e sua equipe, Humberto garantiu que não houve qualquer justificativa legal que embasasse a iniciativa.

Na frente do presidente e ministros, ele observou que não houve qualquer avaliação dos resultados de intervenções anteriores realizadas pelas Forças Armadas do Estado, especialmente nos complexos da Maré e do Alemão; e não se sabe quantos homens estarão envolvidos ou quanto isso vai custar aos cofres públicos agora.

“O que se vê claramente, por parte do presidente, é o uso político do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, para compor uma peça de marketing parida pelo Palácio do Planalto, com a finalidade de elevar o conceito desse detestado governo”, comentou.

Intervenções podem se alastrar por Estados, alerta Humberto

Humberto:  governo está completamente perdido, desconhece a realidade do Rio e do Brasil. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: governo está completamente perdido, desconhece a realidade do Rio e do Brasil. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Após participar da reunião do Conselho da República sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (19), o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), alertou que a medida de exceção tomada pelo governo Temer poderá se alastrar por outros estados do país que apresentam índices de violência piores do que os fluminenses.

Segundo Humberto, se o governo editou um decreto de intervenção para atacar o problema da segurança pública no Rio, pode se sentir autorizado a agir da mesma forma com Sergipe, Ceará, Alagoas ou Rio Grande do Norte, por exemplo, onde se registra forte presença do crime organizado e mais mortes violentas por 100 mil habitantes do que em qualquer lugar do país.

“Como o governo vai agir nesses locais? Por que o Rio Grande do Norte, que teve uma crise penitenciária aguda recentemente, seguida de uma onda de violência nas ruas das cidades, não teve tratamento parecido? Fiz todas essas perguntas na reunião e não obtive respostas”, contou, lembrando que Pernambuco também tem reconhecida situação de violência maior que a do Rio, sem que tenha passado por intervenção dessa natureza.

O senador avalia que o governo está completamente perdido, desconhece a realidade do Rio e do Brasil e que a real intenção do decreto é tentar sair das cordas bambas da popularidade junto à população, usando as Forças Armadas para querer obter alguma credibilidade. “Temer está bolsonarizando o governo atrás de apoio na opinião pública de direita e extrema direita.”

O parlamentar ressaltou que o decreto de intervenção, que será votado pela Câmara e Senado, está sendo acompanhado com muito rigor pelo PT, desde o primeiro momento, porque as reais razões de sua edição ainda não foram explicitadas à sociedade. Para Humberto, trata-se de uma medida drástica sobre um Estado da Federação.

“Nesse jogo, as Forças Armadas estão sendo usadas com propósito nitidamente político. Temer deu as costas à segurança pública e sucateou todo o sistema desde que assumiu a cadeira que usurpou de Dilma e, agora, quer fazer uso político das Forças Armadas para enfrentar o sério problema da criminalidade”, concluiu.

Violência em Pernambuco é fruto da incompetência do Governo do Estado, diz Humberto

Humberto: O que ocorre hoje em Pernambuco tem relação com o fracasso na área de segurança pública, mas também com o fato de o nosso Estado estar sendo um dos mais prejudicados por esse governo golpista de Michel Temer. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: O que ocorre hoje em Pernambuco tem relação com o fracasso na área de segurança pública, mas também com o fato de o nosso Estado estar sendo um dos mais prejudicados por esse governo golpista de Michel Temer. Foto: Roberto Stuckert Filho

Após mais um fim de semana muito violento em Pernambuco, em que 41 pessoas foram assassinadas, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), lamentou o “cenário de guerra” e as estatísticas avassaladoras nessa área. Para Humberto, o Governo do Estado é o responsável direto pela tragédia ao fracassar na condução das políticas de segurança pública.

“É preciso tomar urgentemente uma medida para estancar a sangria de vidas pernambucanas”, disse Humberto, em discurso no plenário do Senado na tarde desta segunda-feira (18). O senador lembrou que já chega a quase 4 mil o número de assassinatos ocorridos somente nos oito primeiros meses deste ano. São 17 homicídios por dia, o que leva Pernambuco a ultrapassar São Paulo, em números absolutos, no ranking de mortes violentas, com uma população quatro vezes menor.

“Infelizmente, hoje, pasmem os senhores, 1% de todos os homicídios que ocorrem no planeta acontece em Pernambuco. E, diante desse campo de guerra em que se transformaram as ruas, o Governo do Estado assiste a tudo inerte”, declarou Humberto.

O parlamentar avalia que é preciso que o governo assuma o seu fracasso na área da segurança pública e pare de zombar da inteligência dos pernambucanos, ao falar, por exemplo, que Paris é mais violenta do que o Recife.

Ele lamentou a tragédia ocorrida com o jornalista pernambucano Alexandre Farias, vítima de uma bala perdida no último sábado, em Caruaru, cidade onde nasceu e trabalha como apresentador de um telejornal local. Ele foi vítima de uma bala perdida na cabeça no último sábado e está internado em situação crítica.

“Ele não é uma vítima do desconforto, como recentemente foi classificada, de maneira extremamente infeliz, a situação da violência em Pernambuco. Ele é vítima dessa guerra civil que está tragando o Estado para um completo caos, sem que haja reação efetiva do governo local para pôr fim a essa terrível matança que ocorre diariamente em todos os municípios pernambucanos”, lamentou.

Para Humberto, o governador Paulo Câmara (PSB) até se esforça para reduzir a violência no Estado, mas é mal assessorado. Segundo o parlamentar, Câmara precisa liderar, agora, uma ampla discussão em torno da melhoria da segurança, com a participação da sociedade civil e especialistas.

“O governador tem de assumir uma posição mais firme. O que ocorre hoje em Pernambuco tem relação com o fracasso na área de segurança pública, mas também com o fato de o nosso Estado estar sendo um dos mais prejudicados por esse governo golpista de Michel Temer”, afirmou.

O líder da Oposição lembrou que pedidos de empréstimos feitos pela Prefeitura do Recife e o Governo do Estado não estão sendo atendidos por Temer em razão de conveniência política e que, desde que chegou ao poder, Pernambuco já registra dois estaleiros praticamente fechados, uma refinaria que não continua com o seu processo de construção, recursos do PAC que não chegam e outros desmanches, como o plano de tirar a Hemobrás do Estado.

Morte de jovem baleado em protesto evidencia crise na segurança pública, diz Humberto

Está claro que o Pacto Pela Vida, que começou como um programa exitoso, virou peça de ficção. Foto: André Corrêa/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Está claro que o Pacto Pela Vida, que começou como um programa exitoso, virou peça de ficção. Foto: André Corrêa/ Liderança do PT no Senado

 
A morte do jovem Edvaldo da Silva Alves, 19 anos, levou o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), a fazer duras críticas à gestão da segurança pública em Pernambuco. Edvaldo morreu na madrugada dessa terça-feira (11), após complicações causadas por um tiro disparado por um policial militar durante um protesto justamente contra a violência, no dia 17 de março, em Itambé, na Mata Norte de Pernambuco. Baleado na virilha, o jovem foi arrastado para até uma viatura da PM. Um vídeo com as cenas de violência policial se espalharam pelas redes sociais.

“Quis o destino, por infelicidade, que o rapaz que saiu às ruas para pedir paz, para solicitar mais policiamento na sua cidade, fosse morto pelos mesmos que deveriam estar na rua protegendo ele. A morte de um jovem 19 anos que apenas ecoou o clamor de todos os pernambucanos evidencia o tamanho da crise que estamos vivendo em Pernambuco”, afirmou o senador.

Quase mil pessoas foram assassinadas em Pernambuco, nos primeiros dois meses de 2017. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), foram confirmadas 977 mortes entre janeiro e fevereiro. O número é mais de 47% maior do que no ano anterior e é o pior resultado desde 2006, quando o Governo do Estado começou a contabilizar a série histórica.

“Está claro que o Pacto Pela Vida, que começou como um programa exitoso, virou peça de ficção O que a gente vê hoje é Pernambuco estampar manchetes com sangue. Temos números que se assemelham a uma guerra. O Estado segue sem rumo e sem liderança. Parece até que os governantes daqui vivem em uma realidade paralela. Não existe enfrentamento ao problema, o que vemos são ações pontuais e ultrapassadas e que não atendem às necessidades do nosso povo. É preciso coragem para mudar essa retórica de mortes e de violência no Estado. Não podemos mais permitir que mais vidas sejam perdidas nessa batalha diária que hoje se vive em Pernambuco”, salientou Humberto Costa.

“Morte de Mirella mostra que a luta contra o machismo está só no início”, diz Humberto Costa

Humberto: Nos dois primeiros meses deste ano, Pernambuco teve, em média, um feminicídio por dia. Foto: André Corrêa/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Nos dois primeiros meses deste ano, Pernambuco teve, em média, um feminicídio por dia. Foto: André Corrêa/ Liderança do PT no Senado

 

 

O líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), lamentou a morte da fisioterapeuta, Tássia Mirella Sena de Araújo. Vítima de feminicídio, Mirella foi encontrada morta dentro de casa, na última terça-feira (05), no bairro de Boa Viagem, no Recife, e o crime chocou o Estado. O suspeito do crime e vizinho da vítima, Edvan Luiz da Silva, foi autuado em flagrante. Segundo o senador, a morte de Mirellla evidencia o machismo na sociedade e confirma que a luta pela conscientização da população deve ser permanente.

“Nos dois primeiros meses deste ano, Pernambuco teve, em média, um feminicídio por dia. A morte de Mirella foi cruel e violenta mas, infelizmente, não é um fato isolado. É o retrato de uma sociedade misógina, que objetifica a mulher e a vê como um instrumento que tem que ser controlado pelo homem, ao ponto de ele ter poder sobre a sua vida e sobre a sua morte”, denunciou o senador.

Nos meses de janeiro e fevereiro, 58 mulheres foram assassinadas em Pernambuco. No ano passado, 280 mortes de mulheres foram registradas, segundo dados da Secretaria de Defesa Social. O Brasil é o quinto em número de feminicídios do mundo.

“Um dia chamam as mulheres de belas, recatadas e do lar, no outro reduzem o papel delas aos afazeres e à economia doméstica. Uma mulher foi afastada da Presidência da República, em uma ação política que teve um componente extremamente misógino. Isso sem falar que este governo que aí está cortou este ano cerca de 60% da política de proteção às mulheres. A gente sabe como o governo Temer vem estimulando vários retrocessos nesta área. A luta contra o machismo tem que ser constante e permanente ”, afirmou.

Humberto apresentou o Projeto de Lei do Senado que garante benefício de assistência social à vítima de violência doméstica. O projeto, ora em tramitação na Câmara dos Deputados, modifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e também a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/93), concede benefício financeiro no valor de um salário mínimo, em casos de vulnerabilidade temporária da mulher, dando-lhe respaldo para denunciar o agressor e interromper o ciclo de dependência financeira e submissão à violência, comuns nesses casos.

O senador também foi membro da CPMI da Violência Contra a Mulher no Senado. A comissão foi a responsável por elaborar a proposta que tipificou o feminicídio como homicídio qualificado. O feminicídio é o crime praticado contra a mulher por razões de gênero violência doméstica, familiar violência sexual, mutilação da vítima ou emprego de tortura. A pena definida pelo Código Penal é de 12 a 30 anos de reclusão.

 

“Estamos vivendo uma guerra civil em Pernambuco”, alerta Humberto sobre a violência

Humberto: Estou à disposição do governo para cobrar recursos do governo federal para a política de segurança. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Humberto: Estou à disposição do governo para cobrar recursos do governo federal para a política de segurança. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Os números alarmantes da violência em Pernambuco são motivos de preocupação do líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE). “Foram 977 assassinatos aqui no Estado e o governo continua de braços cruzados. Estamos falando de números semelhantes ao de uma guerra civil como as que acontecem em vários países do mundo”, afirmou, indignado, o senador petista.

A Secretaria de Defesa Social confirmou, durante essa semana, quase mil homicídios em Pernambuco, entre os meses de janeiro e fevereiro. “Tivemos um aumento de quase 48% no número de assassinatos registrados em comparação ao mesmo período do ano passado. É uma situação insustentável essa que estamos vivendo”, denunciou Humberto.

O parlamentar lembrou do Pacto Pela Vida que levou Pernambuco a se destacar no cenário nacional por causa da queda de homicídios no Estado, em boa parte dos anos da década de 2000. “Foi um programa exitoso e que realmente reduziu o número de assassinatos. Mas foi completamente abandonada pelo governo. Falta coordenação e falta interação com a sociedade civil o que acarreta em uma grande escalada da violência”.

Segundo Humberto, o que se vê, atualmente, no Estado é uma “verdadeira quebra de braço” entre o Governo do Estado e as polícias Civil e Militar, o que gera uma grande insatisfação entre aqueles que foram designados para cuidar da segurança. “Vemos um elevado descontentamento da Polícia Militar em relação às suas carreiras, que não estariam de acordo com suas responsabilidades, o que repercute negativamente no combate à violência”, alertou o petista.

O senador colocou seu mandato à disposição do governador Paulo Câmara para ajudar no que for necessário, mas exigiu ações imediatas para coibir a violência no Estado. “Estou à disposição do governo para cobrar recursos do governo federal para a política de segurança. Mas cobro do governador que atue com medidas concretas e emergenciais no Estado. O povo de Pernambuco não aguenta mais conviver com tanta violência”, desabafou Humberto Costa.

A violência em Pernambuco está insustentável, alerta Humberto

Para Humberto, a verdade é que não se investiu em políticas públicas para a segurança. Não conseguiram que as polícias e os serviços de inteligência trabalhassem integradamente. Foto: Pedro França/Agência Senado

Para Humberto, a verdade é que não se investiu em políticas públicas para a segurança. Não conseguiram que as polícias e os serviços de inteligência trabalhassem integradamente. Foto: Pedro França/Agência Senado

 

O crescente índice de violência em Pernambuco está sendo motivo de grande preocupação por parte do líder do PT no Senado, Humberto Costa. Para o senador, “o estado está vivendo um dos seus momentos mais violentos e com maior nível de insegurança” por parte de sua população. “As autoridades precisam urgentemente tomar providências”, cobrou o petista.

Os homicídios cresceram 44% nos últimos três anos, número considerável insustentável pelo senador. “Pernambuco perdeu completamente o rumo e está sem política nenhuma na área da segurança pública. O que vemos são as pessoas com medo de sair de casa porque se sentem inseguras nas ruas. Isso sem falar nos diversos casos de estupros e de violência contra as mulheres ”, disse.

Em 2016, o número de mortes cresceu 15,17%, em relação ao ano anterior. Pernambuco voltou a figurar entre os 10 estados mais violentos do País, já em 2015, ocupando a sétima posição. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de homicídios por 100 mil habitantes ficou em 42. Os dados de 2016 ainda não estão disponíveis, mas a expectativa é de que tenha se aproximado de 50, quase o dobro da média nacional que é de 27 para 100 mil pessoas.

O atual governo vem culpando a crise, mas, para Humberto, essa curva ascendente da violência já vem desde o final de 2013. “A verdade é que não se investiu em políticas públicas para a segurança. Não conseguiram que as polícias e os serviços de inteligência trabalhassem integradamente. E hoje estamos vivendo um grande caos com essa quebra de braço entre a polícia militar e o governo de Pernambuco, onde quem perde é a população que fica completamente desprotegida”, criticou o senador Humberto.

Além disso, o Brasil vive uma crise no sistema prisional que o Governo Federal também não está sabendo enfrentar. O sistema de Pernambuco também está na lista dos presídios que encarceram um número bem maior do que a capacidade permite. Hoje (25), houve um princípio de tumulto na Penitenciária Agroindustrial São José (PAI), localizada em Itamaracá, por causa da morte de um detento. Os presos fizeram um protesto para reclamar das condições precárias em que estão encarcerados.

“Um lugar onde a capacidade é de 700 presos e deixam lá 2.600 é uma bomba prestes a explodir. O caos é iminente em Pernambuco e, se o Estado não entrar fortemente e com uma política organizada para a Segurança, passaremos, infelizmente, por momentos terríveis e o número de homicídios vai aumentar ainda mais”, lamentou Humberto Costa.

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