Base de Temer atropela debate e oposição ao aprovar PEC da Maldade, diz Humberto

Humberto: a proposta aprovada hoje atinge diretamente os mais pobres e não vai trazer, nem no médio nem no curto prazo - como alega o governo - a retomada do crescimento do país. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado
Humberto: A proposta aprovada hoje atinge diretamente os mais pobres e não vai trazer, nem no médio nem no curto prazo – como alega o governo – a retomada do crescimento do país. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 
A pressa em aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que congela os gastos públicos por 20 anos, criticada duramente nas últimas semanas pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), ficou mais evidente para o senador, nesta quarta-feira (9), ao se deparar com o rolo compressor feito pela base aliada do presidente sem-voto Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa. Estudantes que acompanhavam a sessão protestaram contra a aprovação da matéria.
Além da rejeição de todas as 51 emendas apresentadas pela oposição ao texto da PEC, a fim de aperfeiçoá-lo para evitar perdas principalmente na educação e na saúde, a comissão também rejeitou outros dois destaques. Um deles, na forma de emenda substitutiva com uma proposta alternativa à PEC, não chegou a ir à votação por decisão da presidência do colegiado, o que revoltou a oposição.
Humberto já avisou que vai recorrer, junto com o líder da minoria, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), ao plenário do Senado para reverter essa decisão. “Os governistas aprovaram a PEC nº 55/2016, mais conhecida como PEC da Maldade ou do Fim do Mundo, tratorando o debate e a oposição. Eles aproveitam que são maioria no colegiado e descumpriam, mais uma vez, o regimento. Foi uma vergonha completa que iremos batalhar para revisar”, afirmou.
Em discurso no plenário do Senado, Humberto aproveitou para se solidarizar, integralmente, com a juventude brasileira, com os estudantes que estão atendendo, segundo ele, àquilo que o Papa Francisco disse recentemente: para se rebelarem e lutarem por uma sociedade melhor. “E é assim que a juventude está fazendo ao ocupar escolas e universidades, para dizer que não aceitamos um nível de educação em que se gaste menos e em que a qualidade não seja melhor do que a que nós temos hoje”, ressaltou.
O parlamentar também demonstrou solidariedade com os professores, trabalhadores e servidores públicos que estão lutando pela rejeição da proposta. “Sabemos que essa PEC realmente, se não é o fim do mundo, vai pelo menos nos conduzir até perto do fim do Brasil”, disse.
O senador reafirmou ainda que as medidas adotadas por Temer são sacrifícios inúteis que estão sendo impostos à população brasileira. Segundo ele, a proposta aprovada hoje atinge diretamente os mais pobres e não vai trazer, nem no médio nem no curto prazo – como alega o governo – a retomada do crescimento do país.

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