Demóstenes diz no Conselho de Ética que é vítima de um massacre deliberado


Em seu depoimento no Conselho de Ética do Senado nesta terça-feira (29/5), o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) usou parte de seu tempo para sair em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Demóstenes relatou encontro com Gilmar em Berlim. Ele disse que estava em Praga, na República Tcheca, e que o ministro estava em Granada, na Espanha, quando combinaram de se encontrar em Berlim, na Alemanha. Praga fica a 350 quilômetros de Berlim; Granada a 2.738 quilômetros.
Segundo o senador, a conversa com Cachoeira restringiu-se apenas a comemorar uma decisão do STF em relação à empresa de eletricidade de Goiás, Celg, que “estava endividada” e foi liberada de suas dívidas. “Não há qualquer interesse, a não ser o público , uma vez que a decisão tiraria das costas da estatal uma grande dívida (…) se tinha um interesse era o do Estado de Goiás”, afirma. Demóstenes contou ainda que deu carona de avião ao ministro Toffoli para assistir o jogo Brasil X Holanda, em Goiânia.
Acusado de quebra de decoro parlamentar por manter estreitas relações com o contraventor Carlos Cachoeira, preso desde fevereiro sob a acusação de crimes como exploração de jogos ilegais e corrupção, Demóstenes negou ter recebido qualquer tipo de vantagem proveniente de jogos ilegais e ter feito lobby em favor de Cachoeira para a legalização do jogo de bicho. “Nunca fui lobista dos jogos”, disse ao comparar a exploração dos jogos ao aborto. “Carlos Cachoeira disse a mim que não lidava mais com jogos”
Ele rebateu acusações de que teria trabalhado em favor de projetos, entre eles, o projeto relacionado a jogos de azar (PL 7.228/2002), a pedido de Cachoeira. “Que lobista sou eu que nunca procurei qualquer colega senador para aprovar jogo, para discutir legalização do jogo? Peço que eu seja julgado pelo que fiz, não pelo que falei”, disse Demóstenes.
E leu trechos de inquéritos de delegados e procuradores em que afirmam que o parlamentar goiano não tem participação em atividades ilícitas comandadas pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. “Os procuradores senhores delegados, procurador-geral da República e a subprocuradora podem até brigar, mas em um ponto eles convergem: eu jamais tive participação em qualquer esquema de jogos ilegais”, disse Demóstenes.
O senador negou que tivesse avisado a Cachoeira de que estaria sendo investigado pela Polícia Federal. “O aviso foi apenas um teste. Eu estava jogando verde com ele. A tal operação não existia”. Segundo Demóstenes, Cachoeira “não se apavorou com o aviso, o que teria convencido o parlamentar de que o bicheiro teria “realmente abandonado a exploração de jogos, a contravenção”.
Sobre o uso dos aparelhos telefônicos Nextel, equipados com rádio, Demóstenes afirmou que recebeu o aparelho por comodidade. “Eu não tinha lanterna na popa, o que eu sabia é que me relacionava com um empresário. Não tinha como adivinhar que o rádio era usado para outras finalidades”, explicou Demóstenes. Sobre o tablet dado por Cachoeira, o senador goiano disse apenas ter contado a ele que o seu “deu pau”, e que em seguida recebeu um novo aparelho de presente. Sempre na maior inocência.
Em sua primeira fala logo no início do depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Demóstenes afirmou: “vivo o pior momento da minha vida”, lamentando estar sofrendo “a maior campanha sistemática da história do País”. Desde que passou a ser notícia ao lado do contraventor, confessou, deixou de ser o senador campeão de defesa da moralidade. “A partir de 29 de fevereiro deste ano, eu passei a enfrentar algo que nunca tinha enfrentado em minha vida: depressão, remédio para dormir, fuga dos amigos”, disse. Comentou ainda que pensou em “coisa pior”. Como, por exemplo, renunciar ao mandato. Mas desistiu para provar que é absolutamente inocente e que todas as denúncias que vêm sendo publicadas são injustas ou mentirosas.
Fonte: Liderança do PT no Senado, com agências onlines.
Foto: André Corrêa / Liderança do PT no Senado.

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