Governo Bolsonaro é vocacionado à pauta da morte, diz Humberto

Foto: Roberto Stuckert Filho

Um dia depois de o governo decidir ampliar o porte de armas para um conjunto de 20 categorias, entre elas políticos eleitos, caminhoneiros e jornalistas, sem a “efetiva necessidade” de comprovação, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), declarou que a gestão Bolsonaro é vocacionada à pauta da morte.

De acordo com o senador, as principais medidas anunciadas pelo capitão reformado nesses quatro meses de 2019 estimulam e patrocinam programas e projetos que irão ceifar a vida de milhões nos próximos anos. Segundo ele, se o Congresso Nacional não restringir essas ações na medida que for possível a ele, o Brasil será transformado em um imenso e verdadeiro faroeste.

“Estamos assistindo a uma série de iniciativas, nas mais diversas áreas, que atentam contra a vida da população. O Brasil está refém de uma pauta de governo que tem como carro-chefe a promoção do terror e da morte. Bolsonaro quer implementar o seu discurso de ódio de campanha a todo custo, mesmo que isso contrarie estudos e pareceres do próprio governo”, disse.

Humberto ressaltou que estão na pauta da morte o decreto de janeiro que facilitou a posse de arma de fogo; a decisão dessa terça que ampliou o porte para um conjunto de 20 categorias; o pacote anticrime de Sergio Moro, que institucionaliza licença para matar; e a liberação recorde de agrotóxicos (mais de um por dia este ano).

Além disso, o parlamentar observou que a vocação por temas que geram mortes inclui ainda a destruição do Mais Médicos, o desabastecimento de remédios de fornecimento obrigatório do Sistema Único de Saúde e a retirada de radares de estradas federais.“Um estudo de pesquisadores estrangeiros mostra que, até 2030, 28 mil pessoas vão morrer prematuramente por causa do teto de gastos promulgado pelo governo Temer – e estimulado pela equipe econômica de Bolsonaro.

E a expulsão dos cubanos do Mais Médicos também irá gerar outras 100 mil mortes que poderiam ser evitadas caso o programa estivesse em pleno funcionamento. Uma vergonha”, lamentou.O líder do PT no Senado reiterou que a falta de propostas concretas para o país está agravando a paralisia econômica e fazendo o quadro de perspectiva de recessão piorar, com subida desenfreada de preços de combustível e de gás, inflação alta, queda de renda e aumento do desemprego.

Ele lembrou que, depois de 21 anos, o Brasil não apareceu, pela primeira vez, na lista dos melhores países para se investir, segundo a opinião de investidores estrangeiros. “Sem nada a apresentar, Bolsonaro segue investindo na pauta de campanha. Quem perde com isso é o país”, finalizou.