Há indícios de que o PCC esteja atuando em garimpo ilegal nas terras indígenas, afirma Humberto

Na audiência pública realizada nesta quarta-feira (11) com indígenas e indigenistas, em Boa Vista, capital de Roraima, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que há indícios de que o crime organizado está operando em garimpos ilegais nas terras indígenas em busca de ouro. As denúncias foram recebidas pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, presidida por Humberto, que faz diligência de dois dias ao estado.

Foto: Roberto Stuckert Filho

O senador destacou que grupos como o PCC são suspeitos de estarem entrando na região para atuar neste segmento de exploração, promovendo uma onda de violência contra os povos indígenas, especialmente os Yanomami. Nas últimas semanas, o Brasil acompanhou uma série de denúncias envolvendo violações dos direitos humanos, como homicídio, infanticídio, estupro e desaparecimento de aldeados dessa etnia.

Dias atrás, a comunidade Palimiú, Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foi epicentro de um conflito, onde o crime organizado é suspeito de operar.

“Tudo isso só está acontecendo porque há um governo e um presidente da República que têm uma postura de não cumprir a Constituição, especialmente no que diz respeito aos indígenas”

O senador estava ao lado de outros parlamentares, como a deputada Joênia Wapichana (Rede-RR) e as senadoras Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Leila Barros (PDT-DF). A audiência com indígenas e indigenistas, realizada na Procuradoria Regional da República, ocorreu a portas fechadas para preservar a segurança dos participantes.

Humberto criticou o decreto do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, que liberou o garimpo em terras protegidas por lei. O senador pediu uma força-tarefa de órgãos públicos, envolvendo até mesmo as agências reguladoras, para impedir que garimpeiros ilegais viabilizem a ampla estrutura de que precisam para as atividades, como combustível e aeronaves.

Foto: Roberto Stuckert Filho

O presidente da CDH recebeu do Conselho Indigenista de Roraima o Memorial de Violências Cometidas contra o Povo Yanomami. Nesta quinta-feira, a diligência segue ouvindo uma série de representantes de órgãos públicos, como Funai, ICMBio, Exército e Polícia Federal. À tarde, os parlamentares se encontram com o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP). A ideia de Humberto é fazer um relatório conjunto entre Senado, Câmara e outras entidades envolvidas no tema para apresentação no Congresso Nacional.