Humberto critica ação do Estado e pede liberação de integrantes do MTST

Humberto: Desse confronto desproporcional entre policiais armados e civis no exercício da sua liberdade constitucional de manifestação, saíram prisões arbitrárias e feridos somente de um lado: o do MTST. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT no Senado
Humberto: Desse confronto desproporcional entre policiais armados e civis no exercício da sua liberdade constitucional de manifestação, saíram prisões arbitrárias e feridos somente de um lado: o do MTST. Foto: Alessandro Dantas/Liderança do PT no Senado

 
Crítico da ação policial do Governo do Estado que resultou em 10 detenções de integrantes do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto (MTST), além de vários manifestantes feridos, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), colocou seu gabinete à disposição da entidade para prestar toda a ajuda necessária e tentar viabilizar assistência adequada aos feridos e o fim das prisões consideradas ilegais.
Humberto ouviu do líder do MTST, Guilherme Boulos, que uma caminhada pacífica feita pelo movimento, na tarde dessa terça-feira (21), acabou com forte repressão policial na Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), no bairro de Campo Grande, no Recife. Para o senador, esse é um “lamentável caso que entristece e diminui Pernambuco ante o Brasil”.
O parlamentar defendeu o direito constitucional de livre manifestação e considerou como grave a ação da Polícia Militar na repressão armada aos manifestantes. “Desse confronto desproporcional entre policiais armados e civis no exercício da sua liberdade constitucional de manifestação, saíram prisões arbitrárias e feridos somente de um lado: o do MTST. Entre os dez presos, está, inclusive, um advogado ligado aos movimentos sociais”, ressaltou.
O grupo dos sem-teto, que ocupa um terreno do governo no Barro, na Zona Oeste da capital pernambucana, havia agendado uma reunião com o secretário estadual de Habitação, Bruno Lisboa, para tratar da situação das 961 famílias que estão no local. Mas o encontro foi cancelado e, diante disso, o movimento ocupou pacificamente a Cehab. No entanto, segundo relatos dos presentes, os policiais repreenderam o ato com bombas de efeito moral e balas de borracha.
“Num momento em que Pernambuco vive uma grave explosão da violência e a maior onda de insegurança da última década, que aterrorizam sua população, é inaceitável que o efetivo policial do Estado, em vez de resguardar os cidadãos da criminalidade, seja usado para impedir o direito à liberdade de manifestação e suprimir garantias individuais e coletivas, exercidas legitimamente em favor do direito à moradia digna”, avalia Humberto.
Para o senador, esse lamentável episódio ocorreu coincidentemente no mesmo dia em que moradores da mesma Zona Oeste do Recife se viram sitiados por uma guerra urbana sem precedentes, travada sob uma chuva de munição de grosso calibre disparada por uma poderosa quadrilha de bandidos que intimidou o poder do Estado.
Diante do aumento brutal da criminalidade em Pernambuco, o líder da Oposição no Senado diz esperar que o governador do Estado, Paulo Câmara (PSB), priorize a questão a fim de resolver o problema dos detidos arbitrariamente e assuma mais incisivamente o desafio da segurança pública.
Paralelamente, Humberto articula com a oposição no Senado uma ação para reprovar o fato ocorrido em Pernambuco, que repete os métodos reprováveis da PM do governo tucano de São Paulo, especializada em espancar e ferir manifestantes indistintamente, repressão que tomou proporções alarmantes a partir da gestão de Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF), como secretário de Segurança Pública do Estado.

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