PT apoia Temer na articulação e PMDB deve fazer o mesmo, diz Humberto

Humberto diz esperar que o PMDB de Temer o preste a mesma solidariedade política e republicana que o PT.  Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado
Humberto diz esperar que o PMDB de Temer o preste a mesma solidariedade política e republicana que o PT. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 
O apoio do PT ao nome do vice-presidente Michel Temer (PMDB) para a coordenação política do governo foi garantido, na tarde desta quarta-feira (8), pelo líder do partido no Senado, Humberto Costa. No discurso que fez na tribuna da Casa, ele disse esperar que o PMDB de Temer o “preste a mesma solidariedade política e republicana” que o PT para que a aliança governista “possa sanar as divergências”.
“É hora do fim dos sobressaltos, das bravatas, das quarteladas de ocasião, dos jogos de interesse que a nada levam, a não ser a denudar a mesquinharia de quem os pratica”, disse ele. “Como líder do PT no Senado, quero dizer que recebemos com muita confiança essa decisão da presidenta Dilma e oferecemos todo o nosso respaldo ao vice-presidente Michel Temer no exercício das suas novas e desafiadoras funções.”
O parlamentar destacou a importância do PMDB como o maior aliado do PT na coalizão e disse que o partido de Temer é governo e, como tal, deve assumir esse papel para o qual foi eleito. Ele ressaltou que divergências entre as siglas da base são naturais, pois não existe a lógica única dentro de um Congresso que, por definição, deve ser plural. Lembrou, porém, que é necessário se utilizar os foros apropriados para aparar as arestas e resolver as diferenças entre as legendas.
“O que temos de evitar entre as forças políticas que compõem uma aliança é que elas ajam de maneira tão insana umas contra as outras que coloquem em risco a sustentação do próprio governo. Não é aceitável que um partido, sendo governo, aja deliberadamente como se oposição fosse em muitas situações”, discursou.
De acordo com o líder do PT, tal atitude “denota ignorância política e não pode ser travestida sob o véu da manutenção da independência de poderes”. “Isso é uma perversão intelectual que diminui um fundamento nobre da nossa República. Em todos os sistemas democráticos de governo, há tensões políticas permanentemente”, disse.
A diferença, segundo o senador, é que, nas democracias mais aperfeiçoadas, as tensões são resolvidas por meio do diálogo e, “nas incivilizadas, são alongadas por arrufos de gente de visão apoucada”.
Humberto considerou como “um admirável movimento no tabuleiro político” a decisão tomada por Dilma, destacando a vasta experiência jurídica e política de Temer, o seu espírito conciliador e o respeito que tem, inclusive, entre os opositores ao Palácio do Planalto.
Para o senador, o ato de Dilma é uma expressiva demonstração do apreço presidencial pela busca das relações harmônicas entre os poderes – especialmente entre o Executivo e o Legislativo – tendo em conta que as tratativas institucionais, a partir de agora, saem de um gabinete ministerial e passam diretamente para a sala do vice-presidente da República. “O convite ao vice-presidente Michel Temer, um homem público de profundo zelo institucional pelas suas funções, para coordenar as articulações políticas do governo, chega em um momento muito oportuno para dar firmeza à estruturação da nossa base no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados”, declarou.
No discurso, o parlamentar lembrou ainda que não é atípica a participação ativa de um vice em atividades vitais do governo que integra. O vice do ex-presidente Lula, José Alencar, por exemplo, chefiou com sucesso, em um determinado momento, o Ministério da Defesa.
Nos Estados Unidos, o vice-presidente é, por determinação constitucional, responsável por presidir as sessões legislativas do Senado norte-americano e possui voto de Minerva em casos de votações empatadas. Função similar é exercida pelo vice-presidente da Argentina.

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