Quem tem que renunciar são os conspiradores golpistas, diz Humberto

Humberto: Conspiração contra Dilma é vergonhosa e atenta contra a Constituição. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.
Humberto: Conspiração contra Dilma é vergonhosa e atenta contra a Constituição. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

 
Ao elogiar a intensa mobilização dos pernambucanos pelas ruas em defesa da democracia – sexta-feira foram mais de 100 mil pessoas no centro da capital do Estado e ontem um movimento acadêmico nas escadarias da histórica Faculdade de Direito do Recite – o líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), declarou nesta terça-feira (22) que “os conspiradores” não sairão vitoriosos nessa “vergonhosa tentativa de golpear o Estado”.
“Quem deve renunciar não é a presidenta da República. Quem deve renunciar são vocês, conspiradores! Renunciem ao golpe, renunciem à vergonhosa manobra para rasgar a nossa Constituição, renunciem à tentação de submeter a nossa democracia aos seus caprichos pessoais”, disparou.
Para Humberto, é uma vergonha tentar derrubar Dilma para se formar uma coalizão supostamente a favor do Brasil. “Essa coalizão pode ser formada agora, hoje, sem necessidade da ruptura da ordem democrática, sem a necessidade de querer chegar ao Planalto pelo esgoto. Vamos sentar à mesa para trabalhar já pelo país, tenham essa grandeza”, registrou.
O senador criticou o comportamento da oposição, especialmente do PSDB, que, sem apoio popular nas últimas quatro eleições para chegar à Presidência da República, resolveu “mergulhar o país no caos” e se aproximou do vice-presidente Michel Temer para, finalmente, entrar no Palácio do Planalto. “Só que pela porta dos fundos”, ressaltou.
“Ontem, ouvi aqui do líder do PSDB que um futuro governo golpista chamaria o PT a participar da sua sustentação. Não! Não! Esqueçam essa possibilidade porque nem vai ter golpe nem o PT aceitaria integrar um governo responsável pela ruptura da nossa ordem democrática e pela violência à nossa Constituição”, afirmou.
No discurso, o parlamentar também chamou a atenção para o fato de outros países estarem enxergando esse movimento “apequenado” liderado pela oposição com repulsa. Ele citou posicionamentos de grandes veículos da imprensa, como New York Times e The Economist, que sublinharam que as soluções para a nossa crise devem ocorrer com respeito à lei e às urnas.
Além disso, lembrou Humberto, as nações vizinhas e sócios do Mercosul também já estão avisando que o Brasil pode ser suspenso do bloco caso a presidenta Dilma seja impedida de governar, dado o caráter ilegal do movimento contrário ao Governo.
O líder do Governo ainda mencionou que a presidenta recebeu, na manhã de hoje, uma série de juristas de todo o Brasil, que foram ao Palácio do Planalto manifestar a ela, publicamente, sua solidariedade e sua repulsa às ameaças institucionais pelas quais o Brasil vem passando.
Pernambuco
Em meio ao momento conturbado, o senador fez questão de parabenizar os movimentos nas ruas e chamou de “espírito libertário sempre presente nos pernambucanos, que nunca se curvaram às injustiças e, especialmente, às agressões à legalidade na história deste país”.  “Desde o Brasil Colônia, Pernambuco sempre se insurgiu contra tramas”, comentou.
Nessa segunda-feira (21) à noite, as escadarias da Faculdade de Direito do Recife foram palco de um ato em defesa da democracia organizado por advogados, juristas e estudantes, que, espontaneamente, fizeram um grande ato para mostrar seu profundo repúdio à tentativa de golpe de Estado.
Em uma nota pública, integrantes da comunidade acadêmica da instituição expressaram seu repúdio aos ataques à democracia brasileira e fizeram questão de registrar que essa agressão ao Estado de direito não pode ser confundida com o combate à corrupção.
Eles citaram o descumprimento de normas em casos de condução coercitiva, como ocorreu com o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato, e a ilegalidade de grampos telefônicos solicitados pela Justiça do Paraná. Lembraram que as gravações ilegais verificadas em escritórios de advocacia e advogados de investigados comprometem, inclusive, o sigilo profissional.

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