Kleber Mendonça Filho

Humberto denuncia governo Temer por perseguição política ao cineasta Kleber Mendonça

Humberto: Produtores e artistas são unânimes em reconhecer essa posição mesquinha do Ministério da Cultura contra Kleber. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto: Produtores e artistas são unânimes em reconhecer essa posição mesquinha do Ministério da Cultura contra Kleber. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Defensor da produção do cinema nacional, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), denunciou no Congresso Nacional, nesta quarta-feira (30), a perseguição política do governo Temer a um dos maiores cineastas do Brasil na atualidade, Kleber Mendonça Filho.

O parlamentar deverá apresentar requerimento de convocação do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, para tratar do tema. “Produtores e artistas são unânimes em reconhecer essa posição mesquinha do Ministério da Cultura contra Kleber. Ele tem a minha solidariedade, pois está sendo perseguido por esse governo em razão dos seus talentos, competências e opiniões”, ressaltou Humberto.

O senador explicou que a pasta puniu o autor pernambucano por uma suposta captação de recursos irregular feita para o filme O Som ao Redor, ainda em 2009. Kleber já havia deixado a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) no ano passado, onde trabalhava há mais de uma década, após “mesquinhez política do então ministro da Educação Mendonça Filho”.

“Mendonça havia aberto uma verdadeira caçada aos funcionários da Fundaj que se opuseram ao golpe contra Dilma. Agora, é a vez do MinC, que está cobrando a devolução de uma verba que a própria pasta autorizou e que foi captada para um dos mais premiados filmes da produção cultural do diretor pernambucano”, afirmou Humberto.

O parlamentar ressaltou que essas medidas do governo foram tomadas depois das contundentes críticas feitas pelo cineasta ao golpe e que ganharam dimensão internacional ao serem levadas ao Festival de Cannes pelo elenco e direção do filme Aquarius, com o qual Kleber concorreu.

O senador lembrou que, de imediato, a primeira retaliação “desse governo nanico e tacanho” foi impedir que uma obra cinematográfica da dimensão de Aquarius fosse indicada para representar o Brasil no prêmio internacional do Oscar.

Humberto detalhou o atual entrave do governo com o diretor: a Cultura pede a devolução de R$ 2,2 milhões por conta de uma suposta captação de recursos para a produção de O Som ao Redor. O MinC alega que o orçamento total do filme, de 2009, deveria ser de R$ 1,3 milhão, mas a produção teria custado R$1,7 milhão.

“Só que ocorre que o valor captado por meio do edital de 2009 correspondeu, em termos de recursos federais, a exatamente o previsto no edital, sendo que o valor excedente foi captado por meio de edital do Estado de Pernambuco, portanto recursos estaduais, o que era permitido, já que a redação se cingia apenas a novas captações de recursos federais”, explicou.

O líder da Oposição ainda observou que Kleber Mendonça só recorreu ao edital do governo estadual depois que teve o aval do próprio Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de que a captação não violaria as normas.

“Isso beira o ridículo. Kleber tem em sua posse, inclusive, os comprovantes que o autorizaram a isso. É inadmissível essa situação. Há uma absoluta indignação no meio cultural”, comentou.
Humberto contou ainda que soube que a atual gestão do Ministério da Cultura comemorou, no gabinete do ministro, essa decisão contra Kleber Mendonça, o que demonstra a “imensa pequenez do governo Temer”.

“É lamentável que um lutador do cinema brasileiro como ele, um expoente dos trabalhadores desse setor tão sem apoio e espaço de visibilidade, esteja sendo usado pelo governo como objeto de uma perseguição somente imaginável sob um presidente de mentalidade estreita como Michel Temer”, concluiu.

 

Assista ao discurso do senador na íntegra:

Humberto chama Mendonça de pequeno déspota do Agreste e requer sua convocação

Para o senador, esse é um tipo de atitude que não pode ser aceito numa democracia, por mais que “ditadores de ocasião, como Mendonça” se sintam ofendidos pela liberdade de pensamento.  Foto: Roberto Stuckert Filho

Para o senador, esse é um tipo de atitude que não pode ser aceito numa democracia, por mais que “ditadores de ocasião, como Mendonça” se sintam ofendidos pela liberdade de pensamento. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Indignado com a perseguição feita pelo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), a universidades e professores universitários, a servidores e até a estagiários e terceirizados da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), vai apresentar requerimento de convocação para que ele explique a “sanha persecutória contra aqueles que pensam diferente da sua cabeça retrógrada, obscura e antiquada”.

Para o senador, esse é um tipo de atitude que não pode ser aceito numa democracia, por mais que “ditadores de ocasião, como Mendonça” se sintam ofendidos pela liberdade de pensamento.

De acordo com Humberto, o ministro, que já responde na Comissão de Ética da Presidência da República por sua truculência e perseguição contra a autonomia universitária, terá de esclarecer no Senado, caso o requerimento seja aprovado, por que tomou essas descabidas medidas de intervenção na autonomia universitária, ao querer proibir a criação de uma disciplina sobre o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff (PT), e a demissão de servidores, estagiários e funcionários terceirizados que ele julgou ter postura contrária ao Governo Michel Temer (MDB) num evento da Fundaj.

“Ele deu um tiro no pé e sua atitude de intervir na Universidade de Brasília (UnB) foi tão bizarra e repulsiva que provocou exatamente o efeito reverso. Hoje, há lista de espera de inscritos na UnB e a matéria já foi adotada por quase 20 outras universidades federais em todo o país”, ressaltou Humberto.

O líder da Oposição avalia que Mendonça, mais uma vez, demonstrou que é completamente despreparado e desqualificado para o cargo que ocupa. Segundo o parlamentar, a intimidade de Mendonça com a educação é a mesma que seu chefe, Michel Temer, tem com a probidade administrativa: nenhuma.

Humberto lamentou que uma instituição de 70 anos, com tantos serviços prestados à cultura e à educação do país, como a Fundaj, “tenha sido reduzida como foi, a um feudo de uma figura de contornos ditatoriais e mesquinhos, como Mendonça Filho”.

Humberto lembrou que Kleber Mendonça Filho, cineasta pernambucano aclamado mundialmente, diretor de filmes como O som ao redor e Aquarius, deixou a Fundaj, depois de 18 anos dedicados à instituição, ao saber que Mendonça seria o chefe do MEC.

O senador explicou que, no fim do mês passado, “o pequeno déspota do Agreste, Mendonça Filho, criado nas tetas da extinta Arena, exerceu sua índole autoritária ao perseguir, despudoradamente, aqueles que julga não rezar pela sua cartilha política”.

“Mendonça não suportou observar, num beija-mão que realizou nos jardins da Fundação, em que o único propósito era homenagear a si mesmo, que estagiários da Fundaj manuseavam um copo onde se lia a consagrada expressão nacional ‘Fora Temer’”, contou. A gestora do museu e mais cinco dos seus funcionários, estagiários e até funcionários terceirizados foram responsabilizados pelo fato e exonerados dos cargos. “Obra dos senhores de engenho do DEM entre os quais Mendonça loteou o comando da Fundaj”, observou.

O parlamentar disse que o copo era de um bloco carnavalesco de Pernambuco muito conhecido, chamado Eu Acho é Pouco, mas a simples inscrição do “Fora Temer” nele “levou Mendonça Filho a ter uma crise, a considerá-lo uma ofensa inominável ao governo do qual é capacho, uma manifestação política inaceitável em seu convescote”. “É uma postura típica de ditadores toda vez que são contrariados”, concluiu, no discurso que fez da tribuna do Senado.

Humberto denuncia desmonte de políticas sociais por Temer

Senador petista classificou bate-cabeça do governo interino como versão renovada de Os Trapalhões. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Senador petista classificou bate-cabeça do governo interino como versão renovada de Os Trapalhões. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Espantado com o tamanho do “pacote de misérias” já anunciado em tão pouco tempo pelos principais ministros do governo “golpista” de Michel Temer (PMDB), o líder do Governo Dilma no Senado, Humberto Costa (PT-PE), subiu à tribuna nesta terça-feira (17) para denunciar o que está sendo planejado pelo que chamou de “junta provisória usurpadora do poder”.

Ponto por ponto, o senador disparou contra todos os planos já declarados pelo governo interino, classificados por ele como “nefastos”. Humberto chamou de absurda e contrária à Constituição Federal de 1988 a ideia, por exemplo, de reduzir o atendimento do Sistema Único de Saúde, conforme declaração dada hoje pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP).

Também considerou absurdo o corte de R$ 300 milhões para o Minha Casa, Minha Vida feito pelo ministro das Cidades, o pernambucano Bruno Araújo (PSDB), por meio da revogação de portaria que previa a construção de mais de 35 mil unidades habitacionais em 104 municípios de 20 Estados brasileiros.

Além disso, classificou como esdrúxula a intenção de eliminar até 30% dos beneficiários do Bolsa Família, como pretende o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra (PMDB).

“É maldade atrás de maldade, que a gente toma conhecimento de manhã e que, logo à tarde, os próprios autores ou o chefe correm para tentar desmentir e desfazer o mal-estar. A gente até acha que é uma versão renovada de Os Trapalhões que anda sendo gravada, tão grande é o bate-cabeça dentro dessa junta provisória”, declarou.

Humberto questionou que condescendência a população brasileira tem de ter com um governo que, em sendo interino, tem a proeza de, em menos de uma semana, cortar a presença de mulheres e negros nos ministérios; extinguir a Previdência Social, “jogando aposentados e pensionistas numa profunda incerteza”; acabar com o Ministério da Cultura; e colocar em risco os direitos dos índios e dos quilombolas.

“Os golpistas que tomaram o Palácio do Planalto de assalto ainda querem cobrar mensalidade em universidades públicas; desmontar órgãos de controle, como a CGU; e propor a recriação da figura do engavetador-geral da República. Isso é inadmissível”, comentou.

Para o líder do Governo Dilma, os primeiros atos do governo “golpista” de Temer se assemelham a um roteiro de filme de terror, indefensável até aos políticos que o apoiam no Senado. Ele perguntou por onde andam os defensores de Temer, que estão sumidos do plenário do Senado.
“Querem o quê? Que nós silenciemos até que todas as políticas públicas que retiraram o Brasil de um atraso secular e de uma miséria desumana sejam destruídas por completo? Não, não vamos nos calar porque não haverá transigência com o desmonte do Estado que está sendo perpetrado por esse governo golpista nefasto”, disparou.

Não à toa, de acordo com o senador, o Brasil, que chegou a uma grande dimensão mundial a partir do presidente Lula e a uma destacada atuação contra a corrupção reconhecida internacionalmente no governo da presidenta Dilma, vira agora motivo de ridicularia global.

Ele destacou uma grande reportagem publicada hoje pelo jornal New York Times que chama o Congresso Nacional brasileiro de circo, onde se encontram suspeitos de homicídio, de narcotráfico e de pedofilia, e pontua que uma Casa nestas condições morais foi a responsável pela remoção de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Humberto parabenizou, ainda, a equipe e o elenco do filme Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, “forte candidato a Palma de Ouro”, que denunciaram publicamente o golpe brasileiro ao mundo no Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França.