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Bolsonaro tem que deixar de lado o seu tapadismo para entender o Nordeste, diz Humberto

Humberto:  Precisamos de projetos e programas sérios de Estado que deem oportunidade ao Nordeste para se desenvolver de forma sustentada. Foto: Roberto Stuckert Filho

Humberto:
Precisamos de projetos e programas sérios de Estado que deem oportunidade ao Nordeste para se desenvolver de forma sustentada. Foto: Roberto Stuckert Filho

 

As declarações ofensivas e preconceituosas de Bolsonaro e seus aliados contra o Nordeste, que não se encerraram após o fim das eleições, preocupam o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE). Em discurso no plenário da Casa nesta quarta-feira (21), o parlamentar declarou que a região precisa de políticas públicas sérias, principalmente na área de infraestrutura, e não de discurso de ódio.

Humberto afirmou que a campanha eleitoral já passou e é necessário, agora, elevar o nível do debate político e federativo, deixando de lado o ranço e a visão torta que há sobre os nordestinos.

“Precisamos de projetos e programas sérios de Estado que deem oportunidade ao Nordeste para se desenvolver de forma sustentada. Não há, como Bolsonaro chegou a nos acusar durante a campanha, coitadismo na nossa região. E é preciso que o presidente eleito deixe de lado o seu tapadismo para poder entender isso”, alfinetou.

O senador considera um acinte que um governo que nem começou tenha um ministro que considera o Nordeste um “centro de roubalheira do país”. “Estamos falando de região onde vive um quarto da população brasileira, onde há homens e mulheres reconhecidos pela capacidade de trabalho e, sobretudo, de resistência às imensas adversidades em que vivem”, comentou Humberto.

Segundo ele, o novo governo precisa ficar atento à pauta dos nordestinos, que inclui a conclusão de obras de infraestrutura fundamentais, como a Transnordestina, a transposição do São Francisco, adutoras e barragens, para assegurar o desenvolvimento das potencialidades da região e o crescimento sustentado dos estados.

Ele disse ter ficado impressionado com a declaração do general Augusto Heleno, futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro, de que “o Nordeste é o grande centro de roubalheira do país”.

O parlamentar lamentou que a frase não tenha causado nenhuma repreensão por parte do presidente eleito e sequer um pedido de desculpas do próprio militar que a “vomitou”.

“Essa declaração vergonhosa, dada ao jornal Valor Econômico, precisa ser imediatamente reparada antes do início de qualquer diálogo. É inaceitável que Bolsonaro não tenha repreendido, até a presente data, o seu braço direito e futuro ministro do GSI”, criticou.

Humberto lembrou que a perseguição ideológica de membros do governo eleito já causa sérios danos aos brasileiros. O líder da Oposição citou como exemplo o caso da expulsão dos médicos cubanos, que vai deixar quase 30 milhões de brasileiros sem atendimento hospitalar básico. Só em Pernambuco, mais de 400 profissionais deixarão de atuar, inclusive em municípios onde só existiam esses médicos.

Para o líder da Oposição, a diferença entre a forma de pensar do PT e dos partidos de extrema direita é exatamente na forma de pensar o Brasil: enquanto a sigla de esquerda entende que o país precisa de investimentos e inclusão dos mais pobres, os rivais defendem cortes e mais exclusão.

 

Confira o discurso do senador:

Pesquisa que aponta rejeição de Temer é a melhor resposta ao golpe, diz Humberto

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, mais de 73% do povo desaprovam o modo de governar de Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, mais de 73% do povo desaprovam o modo de governar de Temer. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado

 

 

O líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou duramente o presidente Michel Temer, cuja popularidade despencou, segundo números da mais recente pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Ibope. De acordo com o levantamento, feito agora em março, 79% da população brasileira não confia no presidente.

“Cai a máscara de um presidente que chegou ao poder ilegitimamente, em função de um golpe parlamentar do qual ele saiu como traidor e usurpador. Até a faixa da população que acreditou na conversa fiada dos golpistas financiadores de Temer está agora se perguntando para que saíram as ruas, para que bateram panelas. A pergunta que essas pessoas se fazem está refletida nos números dessa pesquisa”, assinalou o senador petista.

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, mais de 73% do povo desaprovam o modo de governar de Temer. A rejeição do presidente cresceu 7 pontos em relação à última pesquisa, de dezembro do ano passado. Já os que consideram o governo péssimo passarram de 46% para 55%, no mesmo período.

Para Humberto, tudo no governo de Temer leva aos “números desastrosos” apontados pela pesquisa, da formação de uma equipe de governo fraca e sem representatividade à adoção de medidas que visam retirar direitos e exterminar conquistas de trabalhadores, de estudantes e do povo em geral. Ele ressaltou, entre esses pontos que fizeram explodir a rejeição de Temer, o congelamento por 20 anos dos investimentos com saúde e educação, a reforma do ensino médio, além das reformas trabalhista e da previdência.

“Fica cada vez mais claro o que Temer e o seu arremedo de governo vieram fazer e para que foram colocados no poder por forças como os empresários da Federação das Indústrias de São Paulo e parte considerável da grande mídia. O presidente golpista está aí para implantar um modelo que jamais seria escolhido nas urnas. Por isso que apearam do cargo uma presidenta eleita por 54 milhões de brasileiros. Mas não há mentira que dure por muito tempo. E a farsa temerária desse governo está se desfazendo rapidamente”, afirmou Humberto.

Um dado importante, segundo Humberto, diz respeito aos entrevistados pela pesquisa no Nordeste, que apresentou o maior percentual dos que acham o governo ruim ou péssimo (67%). “A gratidão dos nordestinos é algo que eles não podem comprar, muito menos desfazer. O Nordeste inteiro saber que foi o presidente Lula que mudou o olhar para a região, trazendo obras estruturais como a Transposição do Rio São Francisco, que Dilma Rousseff deu continuidade”.

Humberto Costa fez uma analogia dos números da pesquisa na região com as visitas de Temer e de Lula e Dilma a Monteiro, na Paraíba, ambas neste mês de março. Para o líder petista, o governo tentou “faturar prestígio” em cima da obra, mas a sua visita ao canais da transposição em Monteiro, na Paraíba, foi “bisonha”, com uma comitiva restrita a autoridades e assessores. “O povo deu o troco, uma semana depois, com 70 mil pessoas lotando o local e agradecendo a Lula e a Dilma. O que a pesquisa diz agora é exatamente isso: o povo sabe quem está e quem não está do seu lado.”, concluiu.