Sem quórum, Temer sofre segunda derrota no Congresso, avalia Humberto

Para líder do PT, desmobilização da base de Temer expõe a crescente fragilidade do governo interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

Para líder do PT, desmobilização da base de Temer expõe a crescente fragilidade do governo interino. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT

 

Pela segunda vez em uma semana, o governo interino de Michel Temer (PMDB) não conseguiu mobilizar a sua base de apoio para votar a pauta com projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso Nacional. De acordo com o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a ausência de quórum parlamentar para validar a continuidade da sessão do Congresso nesta quarta-feira (10) se deu, novamente, pela falta de articulação entre os partidos que dão sustentação a Temer.

“Estamos assistindo a uma verdadeira desmobilização da base aliada dos golpistas, que já não contam mais com a influência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fustigado pelas acusações da Lava Jato e afastado do mandato. As rupturas entre eles ficam cada vez mais evidentes e a conta para pagar o impeachment de Dilma Rousseff fica cada vez mais cara. Isso deixa o governo, que já é fraco, mais fragilizado”, afirmou Humberto.

Na última terça-feira, após o quórum mínimo de deputados manter 14 vetos presidenciais na sessão do Congresso, muitos deles apostos pela presidenta Dilma, a sessão foi derrubada por falta de parlamentares, que foram embora do plenário no fim da noite. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, pauta mais importante para Temer, não chegou sequer a ser apreciada. Nesta quarta, mesmo com a sessão marcada para mais cedo com a finalidade de garantir as presenças, 14h, novamente o governo interino não conseguiu reunir aliados.

Para Humberto, a dependência que Temer tem de Cunha para conseguir aprovar as propostas do governo é proporcional ao receio de ver o ex-presidente da Câmara dos Deputados fazer delação premiada e revelar fatos comprometedores a todo o PMDB.

“O presidente golpista é refém de Cunha, que controla o centrão na Câmara e dita o ritmo de tramitação da pauta. Vemos isso nas sessões do Congresso. Sem o centrão, composto por vários partidos que prometeram apoio ao Planalto, o Governo fica a ver navios”, disse.

A pauta do Congresso está trancada por seis vetos que precisam ser analisados por meio de votação pelo painel eletrônico. Na pauta, também constam projetos de lei de créditos orçamentários e a LDO de 2017. Ainda não há data para a nova sessão.