Vocês podem não gostar de Dilma, mas não a considerem criminosa, avisa Humberto a senadores

Líder do PT explicou que presidenta não adulava o Congresso, que pode golpeá-la em retaliação. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

Líder do PT explicou que presidenta não adulava o Congresso, que pode golpeá-la em retaliação. Foto: Alessandro Dantas/ Liderança do PT no Senado.

 

Em discurso nos momentos finais antes do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, previsto para esta quarta-feira (30), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), fez um último apelo para que os parlamentares da Casa não punam a presidenta por um crime de responsabilidade que ela não cometeu e, assim, não rasguem a Constituição Federal.

Humberto afirmou que o Senado tem a oportunidade de impedir “essa tragédia” ao rejeitar a denúncia contra Dilma e ao que ele chamou de violência ao Estado democrático de Direito. “Não podemos agir como se fôssemos verdadeiros cretinos. Não podemos condená-la por crime que não cometeu. Seria uma vergonha para o parlamento brasileiro e para o país inteiro”, disse.

Ele apelou para que os colegas não violentem a honra, a integridade e a trajetória de uma mulher como Dilma. Segundo ele, o país vive, hoje, a maior farsa da história recente nacional. “Temos uma decisão importante na mão: podemos entregar o Brasil a um usurpador (Michel Temer) que não tem apoio do povo e desprezar a democracia ou manter uma presidenta honesta que foi colocada onde está por meio de 54 milhões de votos”, ressaltou.

O líder do PT acredita que os parlamentares poderão, amanhã, “eleger Temer presidente da República sabendo quem ele é, o que é um agravante”. “Não nos façamos de desentendidos. Foi Dilma que o escolheu na chapa, com o atenuante de que o não conhecia e foi traída. Mas serão os senhores e as senhoras que poderão viabilizá-lo no cargo”, disparou.

Ele voltou a defender a realização de um plebiscito para que a população possa escolher se antecipa as eleições presidenciais com o objetivo de estancar a crise política e dar legitimidade ao chefe do Poder Executivo e também foi sincero ao admitir que o estilo da presidenta era motivo de críticas por parte, inclusive, de aliados dela. Apesar da crítica, Humberto a defendeu.

“A verdade é que este Congresso Nacional nunca a engoliu, pois não aceitava o seu modo de lidar com a rotina parlamentar, com a sua falta de gosto de fazer a corte com aqueles que ficam encantados com os corredores do Palácio do Planalto e pelo seu pouco tato em negociar cargos e emendas em troca de apoio político. Ela é diferente no trato político”, ponderou. “Mas criminosa, não. Não considerem uma mulher honrada como criminosa simplesmente porque não gostam do jeito como ela faz política.”

De acordo com o líder do PT, o comportamento da petista pode ser explicado por alguns motivos, entre eles o fato de ter assumido o primeiro cargo eletivo na vida e a sua própria trajetória, em grande parte na clandestinidade, combatendo o regime militar. “Certamente ela é menos flexível e, como dizia um ministro dela, não gosta de rodar o bambolê. Mas nada disso retira a ilegitimidade do processo. Estamos vivendo um golpe parlamentar.”

Humberto disse desconhecer qual será o resultado do julgamento, mas que tem uma certeza: será uma vitória de Pirro caso Dilma seja afastada. “Espero que nós alcancemos 28 votos. Mas, se os patrocinadores desse golpe ganharem, será uma vitória com alto preço e prejuízos irreparáveis”, analisou.

O líder do PT ainda classificou como vergonhoso o fato de os “golpistas” terem patrocinado movimentos organizados com dinheiro dos partidos e empresários para desestabilizar Dilma. “Iludiram milhões de pessoas nas ruas, que marcharam atrás de patos amarelos. Agora, amarelos são os sorrisos em suas faces porque viram que os patos foram elas”, comentou.