Em manifestação, Humberto presta solidariedade a mulheres por ataque

Humberto participa da Marcha Nacional das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Assessoria de Imprensa
Humberto participa da Marcha Nacional das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Assessoria de Imprensa

 
Em meio à sessão do Congresso Nacional, parlamentares do PT deixaram o plenário e foram para as ruas prestar apoio à Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada nesta quarta-feira (18) em Brasília. Líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE) levou às manifestantes solidariedade pelos ataques que sofreram de ativistas pró-golpe.
Acampados na frente do Congresso, os defensores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e da intervenção militar tentaram impedir a passagem da marcha. “De repente, as mulheres foram vítimas de um absurdo ataque com tiros e bombas feito por fascistas de extrema direita”, denunciou Humberto.
“A manifestação, que desde o seu começou foi pacífica, estava maravilhosa. As quase 50 milhões de mulheres negras e pardas deste país foram muito bem representadas por essas guerreiras que foram às ruas cobrar igualdade e respeito aos seus direitos. O preconceito contra as mulheres negras brasileiras pode ser observado em vários setores da nossa sociedade. Vimos isso, inclusive, em frente ao Congresso Nacional, infelizmente”, afirmou Humberto.
O senador lamentou que a caminhada pela Esplanada dos Ministérios tenha sido manchada pelos ataques racistas. Segundo relatos dos participantes da marcha, a confusão começou depois que um homem arremessou bombas caseiras contra as manifestantes.
Houve corre-corre e um princípio de confusão entre os manifestantes antirracismo e o grupo que pede o impeachment da presidenta acampado em frente ao Congresso. Quando os manifestantes se aproximaram do responsável pelas bombas, ele sacou uma arma e atirou três vezes para cima.
Em meio ao clima tenso, as lideranças da marcha pediram às participantes que se afastassem do gramado central e “não aceitassem provocação”.
Durante o tumulto, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi atingido com gás de pimenta, caiu no chão e precisou de socorro médico.
Depois dos tiros, o homem correu em direção à guarnição da Polícia Militar que fazia a proteção da entrada Congresso e se entregou. De acordo com a polícia, o homem é policial civil de Sergipe e já havia sido detido na semana passada por ameaçar com arma manifestantes que participavam de atos na Esplanada. Ele faz parte do grupo que pede o impeachment da presidenta.
“É lamentável que uma iniciativa histórica, organizada e belíssima que marcou forte posição na defesa de um dos segmentos mais excluídos da população brasileira tenha sido recebida assim por fascistas” lamentou o líder do PT.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 10 mil pessoas participaram da marcha, que contou com o apoio de diversas organizações de mulheres negras, do movimento negro e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Na última semana, Humberto já havia cobrado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma posição em relação ao acampamento montado no local, pois contraria um ato conjunto da Câmara e do Senado de 2001 que proíbe qualquer tipo de edificação naquele espaço.
Na última sexta-feira (13), a Bancada do PT na Câmara também enviou ofício aos presidentes das duas Casas solicitando a remoção imediata dos manifestantes da área.
Após o relato do ocorrido feito por parlamentares do PT e da base aliada no plenário da Câmara nesta quarta-feira, durante sessão do Congresso que apreciava vetos presidenciais, Renan ordenou que as polícias Militar e Federal investiguem a existência de armas ou de materiais perigosos no acampamento de manifestantes pró-impeachment instalado em frente ao Congresso.
A Marcha que ocorreu hoje em Brasília foi idealizada em Salvador durante o Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI, realizado em 2001. O objetivo inicial era aglutinar o máximo de organizações de mulheres negras para chamar a atenção para o preconceito e ressaltar o protagonismo das mulheres negras brasileiras.
Humberto lembrou que a marcha foi feita também em homenagem às ancestrais negras e em defesa da cidadania plena das mulheres negras. “Observamos que o fortalecimento da identidade negra tem sido prejudicado ao longo dos séculos pela construção negativa da sai imagem, desde a estética (cabelo, corpo, etc.) até o papel social desenvolvido pelas mulheres negras”, acredita o senador.

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