Humberto rebate Mourão sobre garimpo ilegal: cumpra seu papel, cumpra a Constituição

Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto Costa (PT-PE), que comanda diligência em Roraima para apurar violência contra os Yanomamis, rebateu as declarações do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), sobre garimpo ilegal. Em reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal (Cnal), Mourão disse que os dados de garimpeiros operando criminosamente em terras indígenas são “fantasiosos”.

Foto: Roberto Stuckert Filho

Para Humberto, o vice-presidente repete a posição do governo Bolsonaro de ignorar fatos para debater irrelevâncias. “Mourão diz que não são 20 mil garimpeiros ilegais aqui, que são 3 mil. E daí? A questão é que nem ele nem o governo que ele integra estão fazendo cumprir a Constituição, que é impedir a exploração criminosa em terras indígenas. Essa administração não cumpre o seu papel nem vai cumprir. É por isso que tem de ser trocada nas próximas eleições”, afirmou o senador.

Na manhã desta quinta-feira (12), Humberto, juntamente com outros parlamentares federais, como a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR) e as senadoras Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Leila Barros (PDT-DF), se reuniu com representantes de órgãos como Exército, Funai, Ibama, ICMBio e Sesai para discutir a questão das violações de direitos humanos ocorridas dentro do Território Indígena Yanomami, onde houve denúncias de casos de homicídio, infanticídio, estupro e desaparecimento de aldeados.

O presidente da CDH lamentou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o Exército não tenham se mobilizado para garantir aos parlamentares da diligéncia a estrutura necessária para a ida à área de conflito entre os indígenas e os garimpeiros. “Nossa ideia era conhecer a realidade no local. Mas, infelizmente, seja pela falta de apoio ostensivo do presidente Pacheco, seja pela negativa do Exército, não tivemos como sair de Boa Vista”, disse Humberto.

Por meio de ofício enviado no último dia 10, o Comando do Exército negou à Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal apoio para o deslocamento da capital de Roraima ao distrito de Surucucu, onde fica o território Yanomami. O pedido feito por Humberto ao presidente do Senado para que fizesse gestões junto ao governo federal para fornecer estrutura logística e de segurança aos parlamentares não teve andamento.